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Economia » PIB fraco ameaça avanços sociais

Correio Braziliense

Publicação: 02/06/2014 08:52 Atualização:

O fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, principalmente por conta do enfraquecimento do consumo das famílias — que recuou pela primeira vez desde 2011 —, comprova o esgotamento do modelo do crescimento baseado apenas na demanda, alertam economistas. A produção nacional avançou apenas 0,2% no período, confirmando o quadro de virtual estagnação que vem sendo apontado por especialistas. O cidadão comum, no entanto, não tem essa percepção porque ainda se beneficia do aumento de renda ocorrido nos últimos anos e do desemprego que ainda permanece baixo.

A diferença entre o que vem sendo chamado em discussões acadêmicas de PIB dos economistas e PIB do povo deve ganhar força nos debates durante a campanha eleitoral. Não à toa, a presidente Dilma Rousseff encarregou o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Marcelo Neri, para dar ênfase ao avanço da renda e minimizar o fraco PIB durante palestra no Palácio do Planalto a integrantes do primeiro escalão do governo. O objetivo é afinar o discurso sobre os ganhos na área social, principal trunfo a ser usado contra a oposição e neutralizar as críticas sobre o pífio crescimento da economia nos quatro anos de governo.

Limitações

A diarista Ivani de Sousa, 43, conta que conseguiu melhorar de vida nos últimos anos. “Antigamente, quem tinha eletrodoméstico em casa era rico. Hoje em dia tenho máquina de lavar e meus filhos têm computador. Agora está mais fácil de comprar, dá para parcelar e até juntar um dinheiro e comprar à vista”, diz. Mas ela já sente no bolso o peso da inflação, que vem encolhendo a sua renda. “A cesta básica está cada vez mais cara”, afirma.

Pelo cálculos de Neri, entre 2003 e 2012, o PIB cresceu 28%. Já a renda média do brasileiro avançou 52%. “O rendimento dos 10% mais pobres saltou 106%. As pessoas não percebem o que está mudando”, destaca. Na avaliação de Samuel Pessoa, da Fundação Getulio Vargas, essa comparação é perigosa. “O PIB do povo cresce com velocidade diferente porque o país está aumentando o deficit externo”, explica. “Mas isso não pode ocorrer indefinidamente.”

Pessoa lembra que o saldo em transações correntes, que mede as trocas de bens e serviços com o exterior, era positivo e equivalia a 1,78% do PIB, em 2004, atualmente está no vermelho e encostando em 4%, nível considerado perigoso. Em valores, o rombo já chegou ao recorde de US$ 80 bilhões por ano. “Diante disso, o país terá dificuldade para continuar se financiando”, avisa. A Argentina, que está em uma situação financeira pior que a do Brasil, tem deficit de 0,9%.

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