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Dinheiro » Antecipar o IR ou o 13º é bom negócio?

Francelle Marzano

Publicação: 01/06/2014 08:06 Atualização:

Uma das linhas de empréstimo mais baratas do mercado financeiro é a antecipação da restituição do Imposto de Renda e do 13º salário. Ao invés de aguardar o pagamento feito pela Receita Federal, que começa no próximo mês e vai até dezembro, o contribuinte que está precisando de crédito pode contratar essa linha disponibilizada pelos bancos. Os juros para essas modalidades geralmente são mais baixos do que os praticado no mercado de uma forma geral, mas, mesmo assim, antes de pedir a antecipação o interessado deve avaliar as condições oferecidas por cada instituição financeira, e se elas são vantajosas, como taxas e limites.

Neste ano, as taxas cobradas para antecipação da restituição do Imposto de Renda ou do 13º salário nas agências bancárias variam de 1,57% ao mês, na Caixa, a 3,49% ao mês, no HSBC. Os juros costumam ser menores do que os cobrados em casos de empréstimos consignados, uma das modalidade de crédito mais baratas do mercado. No entanto, o consultor financeiro Erasmo Vieira afirma que o consumidor deve avaliar bem antes de contratar a modalidade, mesmo com juros tão baixos, uma vez que todas as restituições do IR são corrigidas pela taxa básica de juros (Selic), que está em 11% ao ano. “Quanto mais tempo ele leva para receber a restituição, mais é corrigido o valor que será devolvido pelo governo. Se ele for contemplado apenas no último lote, é um dos melhores investimentos financeiros que pode ter”, completa.

Ainda de acordo com o consultor financeiro, é preciso que o consumidor avalie os risco de pedir o adiantamento da restituição ou do 13º salário, como sair do emprego ou a declaração cair na malha fina. “Se ele não receber a restituição, ele terá que arcar com a dívida. Ele pode cair na malha fina por erros cometidos por ele ou por suas fontes pagadoras e empresas que receberam seus pagamentos”, acrescenta Vieira. Depois de entender os riscos da antecipação, então é preciso compreender os custos envolvidos. Além dos juros cobrados, é importante verificar o Custo Efetivo Total (CET) da operação, que inclui não só os juros, mas as demais despesas previstas pela contratação do crédito. O CET é pago no momento em que a restituição cai na conta do cliente, junto com o pagamento da antecipação ao banco, ou então até o prazo estipulado como limite para a quitação, dependendo do que ocorrer primeiro.

Do ponto de vista financeiro, a antecipação só faz sentido se o objetivo for um pagamento que precisa ser feito com urgência, como de despesas com a saúde ou uma oportunidade que compensará os custos. Outro bom motivo para pedir o crédito é a troca de dívidas mais caras por mais baratas. “Se a pessoa está endividada, em uma situação em que a taxa de juros é muito alta, como o cheque especial ou rotativo do cartão de crédito, como a taxa do crédito de antecipação é muito inferior, vale a pena trocar esse crédito”, explica Frederico Torres, consultor da plataforma Gerente dos Sonhos, especializada em analisar taxas de juros de mercado.

Especialistas afirmam que o crédito só deve ser utilizado como uma renda extra e nunca como parte do orçamento para financiar sonhos de consumo, por exemplo. “Se não houver nenhuma dívida e a antecipação for apenas para fins de consumo, como viagens e lazer, vale repensar se não é melhor esperar a restituição chegar para evitar custos e riscos da operação”, afirma Torres.

BENS DE CONSUMO
Em caso de bens de consumo, a antecipação pode valer a pena quando o crédito é financiado pela empresa empregadora, sem taxa de juros, como aconteceu com a analista de sistemas Paloma de Oliveira Azevedo. Ela conta que em fevereiro juntou as economias, dinheiro de férias e pediu a antecipação da 1ª primeira parcela do 13º para dar de entrada em um carro. “Eu não ia precisar desse adiantamento, mas tive um problema, e foi o que me salvou. Consegui comprar o carro como queria e agora tenho que pensar nas economias daqui para frente”, afirma.

Frederico Torres explica que nesses casos a antecipação pode ser vantajosa, desde que a cliente não esqueça que ela não pode mais contar com esse valor no fim do ano. “Se ela usou para amortizar a dívida e diminuir as parcelas de um financiamento que seria mais caro, pode ser um ótimo negócio, desde que ela não se esqueça que não terá mais o 13º integral em dezembro”, afirma ele, que recomenda ainda que ela faça economias ao longo do ano para tentar compensar a renda que ela teria no fim do ano.

Fique por dentro

Como saber qual é o valor da sua restituição

É possível identificar o saldo de restituição após apurar o imposto devido na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda. O programa da declaração já faz esse cálculo automaticamente. Na tela do programa IRPF 2014, denominada “Cálculo do Imposto”, a restituição é a diferença entre o quadro “Imposto Devido” e o “Imposto Pago”. Se o valor do campo "Total de imposto pago" for maior que o valor do campo "Total de imposto devido", o programa indica a diferença nesta linha.

Quando a antecipação vale a pena
Quando o contribuinte estiver realmente precisando com urgência do dinheiro. Para quem está endividado e pagando taxas mais altas de juros do que as oferecidas pelos bancos, a antecipação da restituição para pagar dívidas é vantajosa.

Caso o contribuinte queira fazer uma compra à vista, em vez de financiar, pode ser vantajoso antecipar a restituição, de acordo com especialistas.

Em casos de emergências, como problemas de saúde ou outros que necessitem de dinheiro para solução imediata, a restituição também pode valer a pena, já que assim evitará o endividamento.
Se o contribuinte tiver dívidas com o banco, por exemplo, ele poderá tentar negociar descontos nas taxas de juros e nos encargos.

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