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Extra, Arco-Íris e Carrefour » Procon-PE e Vigilância Sanitária batem recorde e interditam três supermercados em um só dia no Recife

Augusto Freitas

Publicação: 28/05/2014 14:58 Atualização: 29/05/2014 10:52

Unidade do Carrefour de Boa Viagem foi alvo de fiscalização e teve a loja interditada por três dias (Secretaria de Saúde do Recife/Divulgação)
Unidade do Carrefour de Boa Viagem foi alvo de fiscalização e teve a loja interditada por três dias
O setor varejista de supermercados continua agonizando quando o assunto é o cumprimento das normas sanitárias e o respeito ao consumidor. Ao menos no Grande Recife, onde nos últimos três meses as operações de fiscalização flagraram vários estabelecimentos cometendo falhas, a situação permanece preocupante, assustando cada vez mais os consumidores.

Na manhã desta quarta-feira (28), três estabelecimentos com grande movimentação no Recife foram alvo, mais uma vez, de uma operação de fiscalização encabeçada pelo Procon-PE e Vigilância Sanitária do Recife, com o apoio do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE), Delegacia do Consumidor, Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-PE) e Agência de Defesa Agropecuária de Pernambuco (Adagro-PE).

O resultado foi desastroso e todos os três supermercados vistoriados foram interditados: Extra, localizado na Avenida Conselheiro Aguiar (próximo à pracinha de Boa Viagem), com cinco dias de interdição, Arco-Íris, unidade da Rua Jean Emile Favre, no Ipsep, fechado por cinco dias, e Carrefour, situado na Rua Francisco Correia de Morais (próximo ao Viaduto Tancredo Neves), também em Boa Viagem, interditado por três dias.

Em comum, o roteiro já visto pelas autoridades e consumidores: exposição e venda de alimentos estragados e/ou com prazos de validade expirados, temperaturas de conservação e refrigeração em desacordo com o padrão sanitário, condições de higiene precárias e controle de pragas deficiente. Os supermercados, além de responderem processos administrativos, podem receber multas entre R$ 40 mil e R$ 2 milhões.   

Na primeira vistoria, no Extra de Boa Viagem, a equipe de fiscais flagrou um depósito de insumos onde o sistema de combate às pragas não estava sendo eficiente para combater a presença de insetos e roedores. Segundo o órgão, mais de 200 quilos de alimentos impróprios para o consumo foram confiscados. O gerente da unidade foi conduzido à Delegacia do Consumidor para prestar esclarecimentos sobre as condições de funcionamento do local, procedimento de praxe realizado nas operações.

Em nota enviada pela assessoria de comunicação, o grupo Extra informou que "pauta suas ações no respeito às leis vigentes e possui rigoroso procedimento para garantir a qualidade dos produtos comercializados em suas lojas” e que "todos os pontos levantados pelos órgãos competentes já estão sendo corrigidos e a empresa está tomando as medidas para que o fato não volte a ocorrer".

Para o Procon-PE, a situação é bastante preocupante. O órgão destacou que as fiscalizações não vão parar enquanto as redes varejistas não se adequarem às exigências sanitárias. “Causa constrangimento, também para nós, interditarmos mais um estabelecimento por irregularidades sanitárias. Gostaríamos de mostrar a boa qualidade dos produtos vendidos e serviços que estes supermercados prestam aos consumidores. Não é o que está acontecendo. Constatamos aqui no Extra uma total falta de respeito aos clientes”, explicou José Rangel, coordenador geral do Procon-PE.

Arco-Íris

Na unidade do Arco-Íris, a vistoria também encontrou alimentos vencidos, estragados e sem informação, além do açougue que não tinha licença da Adagro-PE para fracionar produtos como carnes, charques e queijos. A loja apresentou, ainda, condições de higiene em desacordo com as normas sanitárias em alguns pontos do supermercado.

A direção do Arco-Íris se pronunciou sobre a interdição. Edivaldo dos Santos, um dos proprietários da rede, com 33 anos de atuação e 20 unidades no Grande Recife, e que também é presidente da Associação Pernambucana de Supermercados (Apes), defendeu as fiscalizações realizadas pelos órgãos de defesa do consumidor, mas pontuou que as sucessivas interdições têm ocorrido, na maioria dos casos, por falhas operacionais.

“Temos uma equipe de prevenção formada por engenheiros, nutricionistas, técnicos em segurança alimentar e do trabalho para averiguar a situação dos produtos vendidos, prazos de validade e armazenamento. Em alguns casos, o profissional não está capacitado o bastante para a função, é uma mão de obra humana e, como todo ser humano, ocorrem erros. Não é e nunca será uma determinação da nossa empresa vender produtos estragados ao consumidor. Vamos apurar todas as notificações da Vigilância Sanitária e do Procon-PE e corrigir as falhas”, explicou.

Carrefour

Já na unidade do Carrefour, cuja loja do bairro da Torre já havia sido interditada este mês, as falhas foram encontradas em três seções. No de hortifruti, os fiscais identificaram problemas de higiene, produtos vencidos ou estragados (podres), mal acondicionamento (temperaturas inadaquedas) e sujeira no chão e nas gôndolas. Na padaria, também havia produtos vencidos e no de carnes e peixes a temperatura era inadequada para os congelados (carnes fora do prazo de validade e peixes acondicionados para venda em locais impróprios). No açougue, as carnes eram moídas sem que o consumidor acompanhasse o procedimento.

Em nota enviada pela assessoria de comunicação, o Carrefour informou que “atendeu prontamente às recomendações da fiscalização realizada na manhã desta quarta-feira, 28, em sua unidade Boa Viagem” e que “no período estabelecido, a companhia tomará as providências necessárias e fará rigorosa apuração do ocorrido”. A rede informou, ainda, que “os colaboradores da unidade serão reorientados quantos às normas adotadas pela empresa e reforça seu compromisso com o cumprimento rigoroso das normas do Código de Defesa do Consumidor e demais legislações vigentes”.

Sobre a série de inspeções e interdições ocorridas entre os meses de março e maio, Edivaldo Santos destacou que o órgão tem investido em ações de qualificação e orientações aos associados. Ele ressaltou a criação de um selo de qualidade através do Programa Alimento Seguro (PAS), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), como uma das estratégias para resgatar e fortalecer a credibilidade do setor varejista de supermercados.

“Contratamos um profissional especializado em consultoria para da suporte e orientar os pequenos e médios empreendedores do setor associados à Apes, para qualificar a atuação dos negócios, respeitando todas as exigências sanitárias. As grandes redes têm condições de contratar seus próprios consultores. Também vamos elevar as palestras e oficinas de orientação e capacitação aos empresários para evitar novas interdições”, disse Santos.

Balanço

O Arco-Íris é a 15ª rede varejista que sofre interdição por irregularidades sanitárias somente na cidade do Recife, entre os meses de março e maio. Nesse período, as bandeiras Extra, Pão de Açúcar, Carrefour, Extrabom, Bompreço, Makro, Deskontão, Kennedy, Leão, Styllos, Frutão, Todo Dia, Atacadão e RM Express já haviam sido alvo da operação de fiscalização realizada este ano, com interdição parcial, total ou autuação por irregularidades sanitárias.

O último estabelecimento interditado havia sido o supermercado Bompreço, que fica bem próximo ao Extra, fechado hoje, no último dia 20. No mesmo dia, a rede RM Express também teve a unidade de Setúbal vistoriada, com a interdição parcial da loja (padaria e açougue). Com a interdição de hoje, subiu para 25 o número de supermercados interditados totalmente ou parcialmente pelo Procon-PE e Vigilâncias Sanitárias, no Grande Recife. Além da capital, Olinda, Camaragibe e Cabo de Santo Agostinho também tiveram estabelecimentos fechados.

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Autor: Manoel Honorato Filho
Vigilância Sanitária no Grande Recife. Palmas! E mais Palmas. Primeiramente meu nome: Manoel Honorato. Sou um homem, quando acontecem erros contra a minha pessoa e outras, não fico calado; bem como, quando observo coisas erradas, ou, acontecimento negativo seja de, ou, em qualquer órgão, empresas, | Denuncie |

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