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Reunião do Copom » Banco Central deve decretar o fim da alta do juro, ao menos por enquanto

Deco Bancillon - Correio Braziliense

Publicação: 28/05/2014 07:00 Atualização: 27/05/2014 20:17

Resultado da reunião do Copom deve ser divulgado no início da noite. Foto: Edílson Rodrigues/CB/D.A Press
Resultado da reunião do Copom deve ser divulgado no início da noite. Foto: Edílson Rodrigues/CB/D.A Press
O Banco Central deverá decretar na noite desta quarta-feira (28) o fim da alta nos juros básicos da economia. Durante um ano, a taxa Selic subiu nove vezes, saindo da mínima histórica, 7,25% ao ano, para o patamar atual de 11% ao ano, alcançado no último mês de abril. Na prática, a elevação dos juros tem como efeito um encarecimento dos empréstimos e financiamentos para consumidores e empresas o que, por sua vez, levaria a uma queda da inflação.

Mas não é o que tem acontecido. Quando o BC deu início à escalada dos juros, em abril de 2013, o custo de vida acumulava alta de 6,49% ao ano, praticamente o teto da meta de inflação perseguida pela autoridade monetária, de 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos. Desde então, a taxa básica subiu 3,75 pontos percentuais, uma das maiores elevações dos juros básicos em uma década, mas a inflação pouco recuou. Até maio, conforme dados preliminares calculados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), o custo de vida acumula alta de 6,30%.

O instrumento mais eficiente que o governo dispõe para baixar a inflação, dizem os analistas, é a alta de juros. Essa arma tem sido usada de forma pesada, mas, sozinha, tem alcance limitado sobre o controle de preços. Doutor em economia pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Simão Davi Silber diz que o governo precisa mostrar mais comprometimento na tarefa de trazer o custo de vida para baixo. "O governo tem que se comprometer com uma taxa de inflação e sinalizar à sociedade que fará todo o possível para alcançá-la", disse.

"Se o governo não mostra como e o que vai fazer para atingir seu objetivo, isso passa uma sensação de que não é para ser levado a sério. E, nesse aspecto, esse é um governo que não tem se mostrado sério no combate à inflação", criticou Silber. O principal compromisso do governo é levar o IPCA para o centro da meta de 4,5% ao ano, o que não acontece desde 2009. Nos últimos três anos do governo Dilma Rousseff, a menor taxa de inflação alcançada foi 4,92%, também superior ao alvo perseguido pelo BC.

Uma das formas de garantir uma inflação menor seria elevar os juros ainda mais, uma medida que tem efeitos indesejados como elevar o custo do dinheiro para consumidores e, por tabela, reduzir ainda mais o já combalido desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). Conforme sinalizam dados econômicos deste início de ano, esse é um prejuízo que já se materializou sobre a economia brasileira.

Entre janeiro e março, a indústria e o varejo tiveram desempenho irregular. Os resultados começaram bons em janeiro, com altas expressivas da produção industrial e das vendas do comércio, mas empacaram em fevereiro. Março foi um mês ainda pior para ambos os setores, que registraram prejuízos fortes e denunciaram uma situação que tem preocupado os economistas.

Se não serviu para derrubar a inflação, a alta dos juros tem reduzido cada vez mais o desempenho da economia. É por isso que, para cerca de 100 analistas de bancos e corretoras entrevistados semanalmente pelo BC na pesquisa semanal Focus, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidirá manter hoje a taxa Selic em 11% ao ano. Depois dessa pausa técnica, que deve durar até as eleições presidenciais de outubro, a autoridade monetária passaria a elevar novamente o custo do dinheiro no país, levando a Selic para 11,25% ao ano até dezembro.

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