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Crise na energia » Queima de gás nas plataformas aumenta 10,5% no primeiro trimestre deste ano

Agência O Globo

Publicação: 22/05/2014 09:35 Atualização:

Em meio ao nó do setor elétrico, a queima de gás natural nas plataformas aumentou 10,5% nos primeiros três meses deste ano em relação ao mesmo período de 2013. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as perdas somaram 402,881 milhões de metros cúbicos de gás entre janeiro e março deste ano, volume que responde por 5,43% do total produzido no período. Só em março, a queima subiu 15,8%, totalizando 4,330 milhões de metros cúbicos por dia.

O aumento da queima, após quatro anos em queda, ocorre no momento em que a Petrobras precisa aumentar as importações de gás natural liquefeito (GNL), cujos preços pagos pela estatal subiram quase 24% entre dezembro e abril, para atender à demanda das térmicas, que operam a pleno vapor, devido ao nível baixo dos reservatórios. Pela primeira vez desde 2005, as térmicas consomem mais gás que a indústria neste ano, segundo a Abegás, associação que reúne as distribuidoras de gás canalizado.

Segundo a ANP, o aumento da queima de gás no primeiro trimestre se deve à entrada em operação de novas plataformas, em fase de comissionamento e de duas unidades de produção de testes - Teste de Longa Duração (TLD) e Sistema de Produção Antecipada - no Campo de Lula, no pré-sal. Para a ANP, "trata-se de situação temporária e inicial dos projetos, necessária para que os concessionários obtenham mais informações para um otimizado desenvolvimento do campo". Para especialistas, a queima também está associada à falta de infraestrutura maior para o escoamento do gás.

“Falta infraestrutura. Como não há estrutura para comprimir esse gás e escoar, ele acaba sendo queimado, por segurança”, afirma Renato Otto Kloss, sócio do escritório Siqueira Castro.

Augusto Salomon, diretor executivo da Abegás, lembra que a Petrobras tem de construir ramificações das novas plataformas até os centros de escoamento do gás, embora ressalte que esse não é um problema atual. David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP, explica que os TLDs e a falta de infraestrutura são as razões para o aumento da queima:

“É importante saber o peso dos TLDs na queima, pois, eles têm produção muito baixa. O correto é não queimar o gás.”

A Petrobras afirma que a queima de gás é resultado da entrada de novas plataformas, como P-63, P-55 e P-58. A estatal destaca ainda que ocorreu um problema em um gasoduto, em dezembro, que levou à necessidade de substituição, gerando impacto na exportação de gás de algumas plataformas. Segundo a Petrobras, os campos do pré-sal da Bacia de Santos respondem por 22,5% do volume total de queima de gás.

A petroleira ressalta que, desde 2010, quando assinou termo de compromisso com a ANP para redução da queima de gás na Bacia de Campos, tem cumprido as metas. Em 2013, atingiu recorde de 92,6% de aproveitamento de gás associado em atividades de exploração e produção.

A ANP informou que, embora tenha registrado aumento na queima neste ano, a tendência é de queda. Destacou ainda que "todo início de operação de uma nova unidade implicará em acréscimo da queima de gás por um período de seis a 12 meses".

Segundo dados da Abegás obtidos pelo GLOBO, as usinas consumiram, entre janeiro e abril, 31,950 milhões de metros cúbicos de gás por dia, aumento de 10,98% em relação ao mesmo período de 2013. O consumo de gás pela indústria somou 28,403 milhões de metros cúbicos/dia neste ano, uma alta de 3,52%.

“O maior problema é a importação do GNL mais caro. A produção nacional só vai subir a partir de 2017. É torcer para chover bastante”, disse Salomon.

Sem contratos de compra, a Petrobras recorre ao mercado livre, pagando preços mais altos pelo GNL de mercados como Trinidad e Tobago, Nigéria e Guiné Equatorial. Segundo dados do mercado, em março e abril, a estatal pagou US$ 18,92 e 17,15 por milhão de BTU, respectivamente, o maior valor já pago desde 2008, que foi de US$ 14,78 por milhão de BTU.

O sócio da Deloitte Eduardo Raffini destacou que o volume das importações da Petrobras, de 20 milhões de metros cúbicos por dia, é pontual. “O mercado de GNL tende a se tornar global nos próximos anos, principalmente por conta da demanda do mercado asiático. Não vejo o Brasil se tornando um grande importador de GNL. Com o aumento da produção no pré-sal, ele se tornará autossuficiente até 2018.”

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