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Balança » Venezuela caiu em default comercial seletivo

AFP - Agence France-Presse

Publicação: 20/05/2014 19:22 Atualização:

A Venezuela entrou em default comercial seletivo, acumulando dívidas há mais de um ano em alguns casos, de mais de 14 bilhões de dólares, no mercado interno, de acordo com quatro analistas econômicos entrevistados pela AFP.

"O governo optou por um default seletivo nos mercados interno e externo, e deu prioridade a seguir pagando as dívidas em títulos soberanos e da companhia estatal de petróleo PDVSA para evitar o risco de embargos", explicou à AFP o economista e professor da Universidade Central da Venezuela (UCV), Luis Oliveros.

As dívidas com importadores de automóveis e autopeças, alimentos, com empresas de saúde, químicas e com companhias aéreas superam os 14 bilhões de dólares, afirma o ex-gerente do Banco Central da Venezuela, José Guerra, que também ressalta que "há um default comercial, uma suspensão dos pagamentos".

No país com as maiores reservas de petróleo do mundo, mas que importa quase tudo o que consome, as dívidas fazem parte de uma economia com graves problemas de escassez, em que faltam um em cada quatro alimentos e medicamentos.

Muitas indústrias estão paradas por falta de insumos --entre elas cinco montadoras de automóveis-- e as companhias aéreas reduzem drasticamente seus voos ou deixam o mercado, como aconteceu com a  Air Canada e com a Alitalia.

"É válido perguntar se há um default parcial", disse Francisco Ibarra, economista na  consultora Econométrica.

"O país --acrescenta Ibarra-- ajusta-se em termos de divisas há muito tempo. Esse recursos que o governo afirmava ter (para garantir as importações) não existem", ressalta Ibarra, referindo-se a uma complexa estrutura de fundos soberanos em divisas, administrados sem transparência.

O falecido presidente Hugo Chávez (1998-2013) planejava levar a Venezuela ao "Socialismo do século XXI", com uma economia centralizada= e com a intervenção do Estado, por meio de rígidos controles de preços, de produção e do câmbio desde 2003.

Entretanto, o modelo da "nova ordem econômica interna de transição ao socialismo" (como define o governo) apresenta uma inflação de 60% e um desabastecimento crônico que desencadearam meses de violentos protestos com um total de 42 mortos e 800 feridos.

O governo não acredita que o clima de revoltas esteja relacionado à economia, alegando ser uma "tentativa de golpe de Estado" por parte de setores de direita radical.

Desde que assumiu há 13 meses, o presidente Nicolás Maduro tem evitado medidas impopulares, como cortes no gasto público para reduzir um déficit estimado de 15% do Produto Interno Bruto, e afastou enfaticamente várias vezes a possibilidade de uma nova desvalorização.

Os analistas têm dúvidas se o governo integrado por nacionalistas de esquerda, incluindo marxistas radicais, avançará em reformas que especialistas consideram indispensáveis.

"Este desequilíbrio é insustentável. Precisa haver uma transição no chavismo, no que se refere ao modelo político e econômico", afirmou Ibarra. Contudo, ele duvida que se apliquem os ajustes porque "são drásticos, muito difíceis de adotar com gente (dentro do governo) que não concorda", opinou.

De qualquer forma, quando o dólar chegou a valer doze vezes mais no ilegal mercado paralelo em comparação ao oficial, o governo realizou uma  desvalorização da taxa de câmbio, com três valores para diferentes setores da economia: 6,30 bolívares por dólar, 10 e 50 bolívares por dólar.

Enquanto isso, os empresários, em contexto de implementação de uma Lei de Preços que regula os lucros, alertaram para uma queda nos inventários e a impossibilidade de reposição das mercadorias por falta de divisas (o governo deve liquidar as divisas que receber dos empresários).

O governo havia prometido um orçamento cambial de 42 bilhões de dólares para "garantir 80% de todos os requerimentos" em produção, alimentação, saúde e educação.

Este é "um dos gravíssimos problemas" que paralisaram a produção, com "dólares que agora parecem não existir", afirma Richard Obuchi, economista e professor do Instituto de Estudos Superiores de Administração (IESA).

Embora se afirme que a PDVSA exporte quase 100 bilhões de dólares ao ano, o valor é aproximado porque a petroleira ainda não divulgou seu relatório de gestão auditado de 2013.

De certo, é que as reservas do Banco Central foram reduzidas a um terço durante 2013, ao caírem de 30 para pouco mais de 20 bilhões de dólares.

"Esta é uma crise autoinfligida que ocorre com preços de petróleo elevados", lamentou Ibarra. "Ninguém sabe o que aconteceu com as exportações da PDVSA, pois não há informação oficial e é um erro assumir que esses recursos (em divisas) existem".

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