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Intercâmbio » França e Brasil assinam acordo de cooperação em inovação industrial

AFP - Agence France-Presse

Publicação: 20/05/2014 18:54 Atualização: 20/05/2014 18:59

França e Brasil avançaram nesta terça-feira para uma maior cooperação no âmbito da inovação industrial, com o objetivo de intensificar o intercâmbio comercial e tecnológico, embora empresários franceses lamentem o que consideram ser barreiras de regulamentação no Brasil.

Meses após a visita do presidente francês, François Hollande, ao Brasil em dezembro, o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, assinou com o ministro francês da Economia, Arnaud Montebourg, nesta terça, em Paris, uma declaração conjunta apoiando a cooperação dos dois países no campo da inovação industrial.

"Trata-se de uma parceria tecnológica em alguns setores em que queremos nos fortalecer", disse Montebourg à imprensa.

"Há uma tradição de reciprocidade entre os dois países. Queremos receber investimentos brasileiros em todos os setores e em longo prazo, tanto na indústria como na economia francesa", acrescentou.

De acordo com o ministro francês, há uma "complementaridade muito forte" entre os dois países, mas a cooperação tecnológica "deve ser reforçada".

Já Borges afirmou que essa parceria permitirá que o Brasil "aprofunde as fortes relações com a França".

O ministro brasileiro ressaltou um aumento nas relações comerciais e nos investimentos entre os dois países.

Na abertura do segundo Fórum Econômico França-Brasil, organizado nesta terça na sede dos empregadores franceses (Medef, na sigla em francês) em Paris, Mauro Borges disse que o comércio bilateral ainda é pequeno, de 10 bilhões de dólares, em comparação com o volume total do comércio brasileiro.

O comércio entre Brasil e França superou os 10 bilhões de dólares em 2012, deficitário em 1,8 bilhão de dólares para o Brasil. Em 2005, o comércio bilateral somou 5,2 bilhões de dólares, de acordo com dados oficiais brasileiros.

Para Borges, "há muito a fazer em matéria de investimentos estrangeiros diretos (IED)", já que a França contribui com apenas 4%-5% do IED no Brasil e ocupa a oitava posição entre os investidores estrangeiros no país.

O fórum reuniu empresários de ambos os países, incluindo 74 brasileiros.

Todos os participantes ressaltaram o potencial "considerável" do Brasil em setores onde empresas francesas se destacam, tais como infraestrutura urbana, energia renovável, transporte e segurança alimentar. Os empresários franceses lamentaram, no entanto, o que consideram barreiras para trabalhar no Brasil.

Para Charles-Henry Chenut, advogado e presidente da Comissão para América Latina e Caribe dos Conselheiros de Comércio Exterior da França, atualmente há uma maior facilidade, em comparação há alguns meses, para se obter vistos e criar empresas no Brasil. Além disso, as empresas francesas contam com condições mais favoráveis em matéria de legislação trabalhista e de previdência social.

Apesar desses avanços, os bancos, que procuram lutar contra a lavagem de dinheiro, "se contorcem" com o ingresso de capitais estrangeiros e se mostram reticentes quando as empresas querem transferir fundos ao exterior. Chenut lamentou também o que considera uma insuficiente proteção à propriedade industrial e intelectual.

O presidente do grupo Casino e representante especial para o desenvolvimento das relações com o Brasil, Jean-Charles Naouri, comentou que os dois países procuram cooperar mais em infraestruturas inteligentes e em turismo. Além disso, dois grupos de trabalhos dedicados à saúde e a indústrias agroalimentares devem ser criados antes do verão europeu.

Cerca de 600 empresas francesas estão estabelecidas no Brasil, e por volta de 100 brasileiras atuam na França.

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