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Ilha » Teste para acessibilidade em Fernando de Noronha Luan Pereira avaliou para o Diario a infraestrutura e os passeios turísticos que são oferecidos em Noronha para os deficientes físicos

Thatiana Pimentel

Publicação: 18/05/2014 13:33 Atualização: 18/05/2014 18:17

Uma ilha de origem vulcânica e terreno acidentado e um jovem cadeirante. Qual a ponte possível entre eles? A acessibilidade. De um lado, Luan Pereira, 21 anos, portador de mielomeningocele, má-formação congênita da coluna vertebral que lhe causou paralisia nos membros inferiores, do outro Fernando de Noronha, arquipélago com 21 ilhas localizado sobre um vulcão repleto de picos, morros, ladeiras e pedras. O desfecho dessa história, que poderia ser desastroso, contraria as expectativas. Fernando de Noronha é diferente.

O que impressiona de cara é que mesmo sendo rústica e com não mais que 3,5 mil habitantes, a ilha já possui 10% das pousadas e restaurantes com instalações adaptadas, além de uma grande variedade de atividades de lazer acessíveis. Como resultado, mais de 80 cadeirantes visitaram a ilha no último ano, número quase 20 vezes maior do que as visitas de 2012 (apenas cinco cadeirantes).

Durante quatro dias na ilha, Luan fez trilhas, andou de barco, tomou banho de mar e chegou até a participar do chamado batismo do mergulho de cilindro, descendo a 12 metros da superfície. Foi um teste para ambos. Com aprovação no final. “A ilha te deixa voar. Embaixo da água, você não precisa lutar contra a gravidade. Pela primeira vez na vida, eu pude me locomover sem nenhum problema. Além de ser o sonho de todo  turista, a ilha deve ser o desejo maior de todos os cadeirantes. Aqui, a gente prova para gente mesmo que não existe nada impossível”, afirma Luan, tentando resumir sua experiência no arquipélago.

O início da realização desse sonho começou com uma ideia simples. Permitir aos cadeirantes um banho de mar com autonomia. A ação do programa Praia Sem Barreiras da Secretaria de Turismo de Pernambuco, chamada de banho assistido, foi iniciada em janeiro de 2013 e o primeiro local do estado a receber o projeto foi a praia de Sueste, em Noronha. Esse olhar da administração pública incentivou investimentos da iniciativa privada na acessibilidade da ilha. Hoje, o turista que visita Noronha pode participar de trilhas acessíveis, como a Trilha do Golfinho e a Trilha do Mirante Dois Irmãos, que são os principais cartões postais de Noronha e, até bem pouco tempo atrás, eram inacessíveis para um paraplégico.

Passeios como o mergulho com cilindro e planasub também foram adaptados para receber cadeirantes. “A chave do turismo acessível é começar. O governo investe, a iniciativa privada consolida o esforço e os cadeirantes começam a perder o medo de sair de casa”, afirma Manuela Fay, gestora de ecoturismo de Fernando de Noronha.

Para José Nunes, diretor da AACD, o caminho ainda é longo, mas Noronha pode dar exemplo. “O grande avanço é o despertar da causa. Estamos muito atrasados em relação aos países considerados de primeiro mundo. Contudo, estamos falando sobre o assunto, debatendo, levando a pauta para a sociedade. O que existia antigamente é que as famílias escondiam suas crianças deficientes, era quase um tabu. Agora, podemos dizer que temos turismo acessível em Noronha. Quando antes isso era sequer pensado?", questiona José Nunes, gestor administrativo da AACD.

Mostrando o que mudou e como no cenário atual um cadeirante pode aproveitar a ilha (e os obstáculos que ainda existem), levamos, com o apoio do governo de estado, Luan e sua mãe Eliane Pereira para um teste. Foram quatro dias de imersão turística. O resultado poderá ser conferido no hotsite que o Diario lança nesta segunda-feira. Batizado de Noronha Acessível, o material traz avaliações sobre a infraestrutura, trilhas, passeio de barco, mergulhos e o banho assistido.

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