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País desacelera em março, mostra BC Indicador de atividade econômica cai 0,11% no mês. No trimestre, expansão sobre últimos meses de 2013 é de 0,3%

Estado de Minas

Publicação: 17/05/2014 09:12 Atualização:

Além da escalada da inflação, que reduz a renda das famílias e diminui a confiança de consumidores e empresários, a falta de reação do Produto Interno Bruto (PIB) é uma preocupação a mais para o governo. Nos primeiros três meses do ano, o comércio e a indústria, até então dois dos principais motores econômicos do país, patinaram. Diante da falta de reação desses setores, a economia encolheu. Apenas em março, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) retraiu-se 0,11%. Tido por analistas como um termômetro do PIB, o indicador reflete o que para muitos analistas já era esperado: mesmo diante das medidas de estímulo adotadas pela equipe econômica, a economia ainda não deu sinais de melhora. No primeiro trimestre, o indicador teve alta de 0,3% em relação ao quarto trimestre de 2013. No ano, a alta é de 1%, e em 12 meses, de 2,11%.

Nos primeiros meses do ano, a indústria e o varejo mostraram desempenho irregular. Em janeiro, ambos os setores tiveram resultados positivos. Não por acaso, o IBC-BR daquele mês apresentou forte alta de 1,47% – até então o melhor resultado obtido em um ano. Bastou fevereiro chegar para que os empresários tivessem de rever o otimismo: no mês, tanto as vendas do varejo quanto a produção industrial ficaram estagnadas. Março foi ainda pior, com a atividade no comércio e no setor fabril encolhendo fortemente.

Mesmo assim, o mercado financeiro ainda apostava numa alta de 0,6% do IBC-BR em março, resultado que se mostrou otimista diante do número, enfim, alcançado: queda de 0,11%. No trimestre, era estimada alta de 1,7%, número que chegou a apenas 1% ao fim de março, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. Diante desses números, o mercado começou a refazer as contas, e passou a prever dias ainda mais difíceis para a economia em 2014.

Até conhecer o dado divulgado ontem pelo Banco Central, o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, estimava em 0,5% o crescimento do PIB no primeiro trimestre do ano. Ontem, porém, revisou o dado para uma alta de, no máximo, 0,2%. De acordo com projeções do boletim Focus, um levantamento feito pelo BC junto a 100 instituições do mercado financeiro, o PIB deverá crescer 1,69% este ano. Essa estimativa deve cair em função dos resultados piores do que o esperado do IBC-BR.

Investimentos

O crescimento econômico mais baixo, disse Rosa, é explicado pelo aumento do pessimismo de consumidores e empresários com a economia e, sobretudo, por causa do cenário político. “Eu não vejo investimentos crescendo este ano pelo quadro de incertezas elevadas, sobretudo por conta das eleições. Isso tudo deixa o empresariado com o pé atrás. E, com baixa confiança, nenhum empresário investe”, disse.

Um dos entraves ao investimento é o descrédito do setor privado nas ações do governo. Analistas dizem que o excesso de intervencionismo em setores-chave da economia, como o de energia e o bancário, marcou o fim da lua-de-mel do mercado financeiro com a equipe econômica da presidente Dilma Rousseff. Depois disso, emendou uma fonte do setor privado, a relação entre setor público e investidores foi a pior possível. A melhor forma de o Brasil voltar a buscar altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é mudar radicalmente o modelo de desenvolvimento econômico, disse o codiretor de Pesquisas Econômicas para a América Latina do banco inglês Barclays, Marcelo Salomon.
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