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Beleza » Procuram-se manicures Profissionais estão cada vez mais atrás de seus próprios espaços, gerando uma busca por essas trabalhadores, principalmente nos salões de beleza

Augusto Freitas

Publicação: 17/05/2014 08:00 Atualização: 26/05/2014 10:51

Neide Aparecida Bezerra Alves (Cida) vem investindo no seu primeiro salão e já está programando a sua formalização, quando será uma microempreendedora individual. Foto: Débora Rosa/Esp. DP/D.A.Press
Neide Aparecida Bezerra Alves (Cida) vem investindo no seu primeiro salão e já está programando a sua formalização, quando será uma microempreendedora individual. Foto: Débora Rosa/Esp. DP/D.A.Press
Cida Alves tem 37 anos de idade e desde os 18 escolheu trabalhar com unhas. Entre instrumentos, lixas e esmaltes coloridos, são quase duas décadas contribuindo para as mulheres se sentirem bonitas e cuidadas. Neste período, passou por salões de beleza adquirindo experiência, aprendendo novas técnicas e atraindo clientes fiéis. Além disso, nunca desistiu da profissão que ama, mesmo hoje, trabalhando por conta própria.
 
Ser patroa, aliás, já é algo na rotina de Cida. O último trabalho em um salão de beleza foi há dois anos e meio. Mas Cida ainda é dona informal da sua atividade, mesmo com uma média de 30 a 40 clientes por semana (exceto os domingos). Em breve, será patroa formalizada e poderá aproveitar as vantagens de ser microempreendedora individual (MEI). “Com o tempo, você quer ter seu próprio espaço e uma renda maior”, diz.  

O fenômeno se tornou comum nos últimos anos. Cansadas das desvantagens do trabalho em um salão de beleza, como elas dizem, onde muitas vezes não são valorizadas como deveriam, as manicures estão debandando geral dos salões. Principalmente depois do surgimento da categoria do MEI, com tributação simplicada e benefícios previdenciários que são atrativos para as que desejam ser autônomas.

No Brasil, não há atualmente um número exato de manicures em atividade. Mas para o Sindicato Nacional de Manicuras, Manicuros, Pedicuras, Pedicuros e Decoradores de Unhas Artísticas (Sindmani), o setor atinge um número gigantesco de profissionais. “Existe algo em torno de 10 milhões de pessoas que trabalham como manicures de um modo geral, a maioria na informalidade”, explica Fernanda Franco, presidente do Sindmani.

Segmento de beleza é um dos que sem mantém em crescimento no país. Hoje, são cerca de 10 milhões de manicures no Brasil. Foto: Bruno Peres/CB/D.A Press
Segmento de beleza é um dos que sem mantém em crescimento no país. Hoje, são cerca de 10 milhões de manicures no Brasil. Foto: Bruno Peres/CB/D.A Press
O sindicato, criado há dois anos no Rio de Janeiro, vem lutando pela categoria, inclusive com um mapeamento de profissionais que será realizado junto ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Segundo Fernanda Franco, algumas razões explicam a diminuição das manicures (ato de tratar das mãos, imitando a pronúncia francesa, manicure) nos salões, como a difícil relação patrão/empregada, baixos rendimentos e a ausência de um acordo coletivo de trabalho.

“Nos salões, as manicures trabalham com salário mais comissão ou só salário ou apenas comissão. Há uma desvalorização da profissão, que é de risco por conta de posturas e contaminação de materiais, por exemplo. No Rio, entre 2012 e 2014 houve uma queda média de 20% no número de profissionais nos salões. O percentual é quase igual nos demais estados”, pontua Fernanda, manicure há 28 anos.  

Fenômeno

A saída das manicures dos salões, em Pernambuco, acompanha o crescimento das formalizações do MEI em nível nacional. No estado, há 134.846 microeempreendedores individuais cadastrados, número atualizado até o último dia 30 de abril, no Portal do Empreendedor. Deste total, as atividades de tratamento de beleza (inclusa a manicure) englobam 2.280 pessoas, sendo 109 do sexo masculino 2.171 do sexo feminino.

Quando desistem dos salões e arriscam ser patroas, caso de Cida, as manicures preferem trabalhar, na maioria das vezes, em casa. O mesmo portal destaca que em Pernambuco os MEIs em estabelecimentos fixos correspondem a 54,67% do total cadastrado ou 100.982 pessoas. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), as formalizações crescem todos os meses.

“Comecei em um espaço em casa depois de comprar de uma amiga um material usado por R$ 200. Hoje, as clientes já cobram maquinetas de cartão de crédito para pagamento”, conta Cida. A formalização da atividade está próxima e ela tem planos para o futuro. “Estou estudando os pontos do MEI e realizando cursos de empreendedorismo no Sebrae para aproveitar as vantagens, como possibilidade de crédito bancário, contribuição previdenciária e imposto simplificado”, completa. No que depender da dedicação, Cida já pode ser considerada uma vencedora.  

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