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Impasse trabalhista » Trabalhadores da Jaraguá prometem sequência de protestos em Suape até que salários sejam quitados

Augusto Freitas

Publicação: 15/05/2014 12:33 Atualização: 15/05/2014 18:37

Polícia Rodoviária precisou agir para controlar o bloqueio realizado por trabalhadores da Jaraguá, na entreda de Suape (Marcelo Ferreira/WhatsApp/Divulgação
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Polícia Rodoviária precisou agir para controlar o bloqueio realizado por trabalhadores da Jaraguá, na entreda de Suape
No que depender dos 1.365 operários da empresa Jaraguá Equipamentos Industriais Ltda., uma das empresas que presta serviços à estatal Petrobras nas obras de construção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), a mobilidade dos milhares de funcionários que trabalham diariamente no Complexo Portuário de Suape vai continuar prejudicada nos próximos dias.

Após mais um protesto (o segundo em dez dias) com bloqueio de todas as vias de acesso (PE-60, PE-09, Avenida Portuária, pedágios e viaduto que liga o complexo a Ipojuca) ao porto, realizado na manhã desta quinta-feira (15), os trabalhadores, que reclamam de salários atrasados e outros benefícios, prometem impedir novamente a entrada e saída de funcionários de Suape. Segundo eles, os protestos e bloqueios vão continuar amanhã (16) e na próxima segunda-feira (19), inclusive com a presença de carros de som.

O reflexo da promessa, se de fato cumprida, será mais prejuízos à população, transtornos no trânsito, com engarrafamentos que travam a BR-101, principal rodovia no eixo Norte-Sul da Região Metropolitana do Recife (RMR) e sérios danos financeiros à economia do estado. “O acesso ao porto, refinaria, petroquímica e estaleiros está totalmente bloqueado”, explicou Leodelson Bastos, coordenador de fiscalização do o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem de Pernambuco (Sintepav-PE).

“Estamos à frente do movimento por que constatamos o descaso da Petrobras na audiência realizada na 2ª Vara do Trabalho em Ipojuca, quando a estatal afirmou que não vai se responsabilizar pelos salários dos funcionários da Jaraguá. São 45 dias sem receber dinheiro e muitos deles estão sendo despejados dos alojamentos em Ipojuca e outros locais por falta de pagamento. Os protestos e bloqueios vão continuar até que a situação seja resolvida”, pontuou Bastos.

O impasse trabalhista que envolve os operários, a maioria deles de outros estados, e a empresa Jaraguá, investigada na operação “Lava-Jato”, parece estar longe de uma resolução. Ontem (14), 300 trabalhadores compareceram à sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco para participar de uma audiência entre o Sintepav-PE e representantes da Jaraguá e da Petrobras. No encontro, mediado pela procuradora do Trabalho Débora Tito, foi solicitado pelo MPT, em caráter emergencial, que os valores já depositados judicialmente, estimados em R$ 2 milhões, sejam divididos em partes iguais entre os 1.365 funcionários, com média de R$ 1,6 mil para cada.

Segundo o MPT, a empresa se comprometeu em gerar os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho (TRCTs), com rescisão indireta, para os funcionários que optarem por encerrar suas atividades, para que sejam liberados a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), as guias do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Seguro Desemprego dos trabalhadores. O valor total das rescisões pode chegar a R$ 30 milhões, além das contribuições, segundo o órgão.

Devido à urgência, de acordo com o MPT, as homologações serão realizadas na própria sede da Jaraguá em Suape. O MPT também expediu recomendação as pousadas e locadores, que ameaçaram despejar os trabalhadores pela falta de pagamento, para pararem com a conduta até os impasses serem resolvidos. Os funcionários da Jaraguá estão com os salários de abril atrasados, mais os benefícios de vales alimentação e refeição.

Protesto informado

De acordo com a assessoria de comunicação do MPT, sobre o protesto de hoje, a procuradora Débora Tito informou que, durante a audiência de ontem, os trabalhadores informaram que iriam realizá-lo. O MPT orientou pelo contrário, inclusive, considerando as medidas já tomadas na audiência. A procuradora também destacou que entrou em contato com o juiz da vara de Ipojuca e a expectativa é que já se tenha uma decisão judicial durante à tarde, sendo os créditos liberados para os trabalhadores.

Nem a direção do porto nem da empresa Jaraguá se pronunciaram, até o momento, sobre o protesto e a pendência trabalhista. Este é o terceiro protesto no complexo portuário em apenas dez dias, sendo dois realizados pela Jaraguá e outro por operários da empresa a Emtep Engenharia (na última segunda-feira), que presta serviços nas obras de construção da Petroquímica Suape (PQS).

Pelo WhatsApp do Diario, muitos usuários enviaram fotos do início do bloqueio da rodovia e do congestionamento formado. Em alguns pontos, alguns manifestantes colocaram fogo em pneus na pista e jogaram pedras para evitar a passagem de veículos. Até o momento, não há informações sobre violência no protesto. Mesmo com a greve da Polícia Militar, o Sintepav-PE informou que não houve incidentes e que os poucos policiais que estão no local não interferiram na manifestação.

Suape

Por meio de comunicado enviado ao Diario, oComplexo Industrial Portuário de Suape informmou que a manifestação foi encerrada por volta das 14h,após ação da Força Nacional, com a liberação compera da PE-09, onde as ações foram centralizadas. "O Centro Administrativo eteve expediente e o porto operou todos os nove navios que estavam previstos para movimentar cargas nesta quinat-feira (15)".diz o texto.

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