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Crise » Férias coletivas em montadoras puxam queda de 2,3% nas horas pagas a trabalhadores

Agência O Globo

Publicação: 13/05/2014 20:12 Atualização:

A crise no setor automotivo pesou nos resultados da indústria em 2014. O emprego no setor recuou 2% no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano passado, informou nesta terça-feira (13) o IBGE. Além disso, o número de horas pagas aos trabalhadores caiu 2,3% no período, frente a 2013.

Nas últimas semanas, com as vendas em queda, montadoras anunciaram férias coletivas para funcionários, caso de Volkswagen, Fiat, Renault e Peugeot-Citroën. A associação das montadoras anunciou recuo de 12% na produção no primeiro trimestre, frente ao mesmo período de 2013, e queda de 21,4% em abril. No geral do setor, segundo o IBGE, a produção industrial teve ligeira recuperação no trimestre, com avanço de 0,4%.

Em março, o total do pessoal ocupado na indústria caiu 1,9% frente a igual mês de 2013, o 30º resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação. Em relação a fevereiro, houve alta de 0,2%. Já em 12 meses até março, há queda de 1,4%.

Para Rodrigo Lobo, da equipe de análise da pesquisa do IBGE, o mês não pode ser considerado uma recuperação para o setor, mesmo com a leve alta na comparação com fevereiro. Para o especialista, as perdas somadas do ano passado e as seguidas quedas nas comparações com meses anteriores demonstram a retração da oferta de empregos no setor.

"O resultado não pode ser considerado como uma recuperação. Apesar de registrar alta frente a fevereiro, temos resultados negativos seguidos nas comparações trimestrais (desde o terceiro trimestre do ano passado) e nas comparações com o mesmo mês do ano anterior. Além dessa questão, o número de horas pagas ao trabalhador cai seguidamente. Isso demonstra o recuo na oferta e no salário dos que estão inseridos no setor", explica o pesquisador.

Pelos números do IBGE, o número de horas pagas aos trabalhadores da indústria caiu 0,3% em março frente a fevereiro, segunda taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto. E, frente a março de 2013, o recuo é de 2,4%, a décima queda consecutiva neste tipo de comparação, com índices negativos em dez dos 14 locais e em 14 dos 18 ramos pesquisados.

Segundo Lobo, a alta no emprego vista neste mês frente a fevereiro surge muito em função do aumento da extração de cana-de-açúcar no Nordeste, especialmente em Pernambuco. Com uma maior safra, a produção de açúcar, álcool e combustíveis registrou alta e demandou um maior efetivo de empregados: "Essa alta está muito calcada na safra da cana-de-açúcar, principalmente no Nordeste. O momento da safra elevou a produção industrial e a demanda por mão de obra. Isso puxou o resultado do mês de março e influenciou bastante nesse resultado."

As principais influências negativas para o recuo no número de horas pagas vieram de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-9,4%), máquinas e equipamentos (-6,9%), produtos de metal (-7,5%), calçados e couro (-7,7%), produtos têxteis (-5,7%) e meios de transporte (-2,8%), nas comparações com março de 2013, ainda de acordo com o IBGE.

Os setores de alimentos e bebidas (1,8%), de borracha e plástico (1,9%), de produtos químicos (1,5%) e de minerais não-metálicos (1,0%) assinalaram os impactos positivos neste mês.

Na comparação com igual mês do ano anterior, a maior queda ficou com São Paulo (-3,5%), também a principal influência negativa para o resultado final do índice, pressionado pela redução no número de horas pagas nos setores de máquinas e equipamentos (-10%), produtos de metal (-14,5%), meios de transporte (-5%), produtos têxteis (-9,3%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-5,4%) e minerais não-metálicos (-4,2%).

"Na questão dos setores, apesar de termos uma grande produção de televisores, por exemplo, na Zona Franca de Manaus, outros produtos eletroeletrônicos puxaram a oferta de empregos e o pagamento por horas de trabalho. A produção pode até ter aumentado nos últimos meses, mas, com o maior número de produtos no estoque, o contingente de trabalhadores tende a cair", afirmou Rodrigo.

Em março de 2014, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria ajustado sazonalmente recuou 2,1% frente ao mês imediatamente anterior, após registrar avanço de 1,5% em fevereiro. Nesse mês verifica-se a influência negativa tanto da indústria de transformação (-1,5%), como do setor extrativo (-1,5%).

Na comparação com igual mês do ano anterior, o valor da folha de pagamento real cresceu 0,5% em março de 2014, terceiro resultado positivo consecutivo nesse tipo de confronto, com resultados positivos em nove dos 14 locais investigados.

No índice acumulado no primeiro trimestre de 2014, o valor da folha de pagamento real na indústria avançou 2,1% frente a igual período do ano anterior, com taxas positivas em dez dos 14 locais pesquisados, reverteu a queda de 1,6% do último trimestre de 2013, ambas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Esse ganho de ritmo foi verificado em 15 das 18 atividades, com destaque para alimentos e bebidas.

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