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Indicação » Ex-secretário do Tesouro dos EUA revela ter indicado Arminio Fraga para presidir o Fed

Agência O Globo

Publicação: 13/05/2014 19:53 Atualização:

O ex-secretário do Tesouro dos EUA Timothy Geithner listou o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Arminio Fraga, entre potenciais candidatos a assumir o comando do Federal Reserve, o Fed, banco central americano, em conversa com o presidente Barack Obama. A revelação - breve, sem explicações sobre data, ocasião ou reação de Obama - consta do livro de memórias de Geithner, "Stress test", lançado na última segunda-feira (12) nos EUA.

Arminio tem cidadania americana, requisito para o cargo mais poderoso da economia mundial. O ex-secretário diz ainda que a superação da crise de 1998-1999 pelo Brasil deve-se à "formidável liderança econômica" no país no auge da crise cambial.

Geithner mergulha, no livro, nos bastidores das decisões para conter os efeitos da mais severa turbulência financeira internacional em 80 anos, iniciada em setembro de 2008, com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers. Ele lembra que a experiência dos EUA na coordenação de respostas internacionais às turbulências financeiras que sacudiram o mundo nos 14 anos anteriores, a partir da chamada crise Tequila, cuja epicentro foi o México, em 1994, ajudou na operação de resgate da própria economia dos EUA cinco anos e meio atrás. E repassa alguns episódios dos anos 1990, quando era subsecretário de Assuntos Internacionais do Tesouro americano.

No capítulo 2, "An education in Crisis", o ex-secretário do Tesouro relembra 1998, quando rapidamente a situação se deteriorou, primeiro como uma avalanche sobre a Rússia. Em seguida, "Ucrânia, Brasil e Turquia estavam sob o risco de dar um calote". Ele afirma que, normalmente, integrava o grupo mais agressivo em relação a intervenções dos EUA em apoio às economias em crise e o time mais permissivo em relação às condicionalidades impostas a elas como parte do socorro. Mas, com a Rússia, que considerava um caso perdido financeira e politicamente, "seria loucura jogar dinheiro" no país.

Geithner sugere que a decisão talvez não tenha sido a mais acertada, devido à já grande integração dos mercados financeiros na época. A primeira lição veio em casa, com a quase falência do fundo de hedge Long-Term Capital Management (LTCM), que só não quebrou porque o presidente do Fed de NY na ocasião organizou uma operação de socorro privado com injeção de recursos das principais instituições de Wall Street, da qual apenas o banco de investimentos Bear Stearns não participou. "Revisitaríamos a solução para o LCTM quando uma crise muito mais severa atingiria os Estados Unidos, uma década depois", diz Geithner.

A segunda lição veio com o contágio do Brasil. "Tivemos um outro lembrete quando os choques secundários da Rússia jogaram o Brasil na crise. Após um programa inicial evaporar, nós ajudamos o FMI a levantar um outro grande muro de contenção financeira. E após a tentativa inicial de manter o real atrelado ao dólar (o câmbio fixo que marcou a primeira fase do Plano Real) ter sido abandonada (em janeiro de 1999), a formidável liderança econômica do Brasil colaborou para que a situação fosse revertida em meses", afirma o ex-secretário.

Geithner concede que os EUA erraram em várias ocasiões na administração das turbulências de 1998-1999 e que suas intervenções nem sempre produziram maravilhas, lembrando que mesmo nos casos de Brasil, México e Coreia, "claramente os de maior sucesso" na estabilização após a onda de crises, os países sofreram "contrações econômicas devastadoras".

Geithner recorda então que a revista semanal americana "Time" fez uma reportagem de capa, em fevereiro de 1999, apontando o então secretário do Tesouro, Robert Rubin, seu vice, Lawrence Summers, e o então presidente do Fed, Alan Greenspan, como o comitê de salvação do mundo. "Eu era agora subscretário de Assuntos Internacionais, o cargo original de Larry (Summers) no Tesouro, e era parte do grupo tratado na matéria como subcomitê de salvação do mundo. A afirmação era bem-vinda, mas exagerada". Ao explicar por quê, Geithner revela a indicação de Arminio Fraga a Obama:

"Eu sabia que o tom triunfalista ofenderia nossos colegas ao redor do mundo. O dinheiro que ajudamos a levantar para os países em crise foi crítico, mas dinheiro não compensa a ausência de vontade política. As escolhas que fizemos em Washington foram importantes, mas só funcionaram quando lidamos com líderes competentes e de credibilidade nos países afetados. O presidente do BC do Brasil, Arminio Fraga, que também tem cidadania americana, foi tão impressionante que mais tarde o mencionei para o presidente Obama como um potencial presidente do Fed".

Geithner, de 52 anos, comandou a maior parte da reação americana ao evento que levou ao chão a maior economia do planeta. Primeiro como presidente do Fed de NY, quando integrava a chamada troica com Henry Paulson (Tesouro) e Ben Bernanke (Fed). Em seguida ao assumir a secretaria do Tesouro, em janeiro de 2009, quando o presidente Barack Obama tomou posse para o primeiro mandato.

Ano passado, com a operação de resgate dos EUA considerada concluída, Geithner pediu para sair da secretaria. Foi substituído por Jacob Lew. O nome do livro, "Stress Test", tem duplo sentido. Tanto se refere ao teste de estresse - tradução literal - ao qual as autoridades foram submetidas durante a grave crise quanto à avaliação especial à qual instituições financeiras americanas foram submetidas após a crise para estabelecer seu grau de solidez e exposição a risco.

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