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Distrito Federal » 12 mil terceirizados perdem o emprego

Correio Braziliense

Publicação: 13/05/2014 09:09 Atualização:

Campeã de faturamento entre as empresas com contratos de terceirização de mão de obra na Esplanada, a PH Serviços fechará as portas por problemas de caixa. A decisão afetará os 12 mil empregados da prestadora que estão lotados no setor público, incluindo 44 órgãos do governo federal, entre ministérios, agências reguladoras, autarquias e fundações. O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu inquérito civil para apurar denúncias de que a firma deixou de pagar o salário dos funcionários referente a abril. Para isso, convocou representantes da companhia para uma reunião na próxima quinta-feira. A Controladoria-Geral da União (CGU) informou que a corregedoria da pasta vai instaurar um processo de responsabilização, do qual poderá resultar a declaração de inidoneidade da empresa.

Conforme o Correio denunciou na semana passada, empregados da PH lotados na Advocacia-Geral da União, nos ministérios da Fazenda e de Relações Exteriores e na Universidade de Brasília UnB) não receberam o contracheque do mês passado. Dados do Portal da Transparência mostram que, somente em 2013, a prestadora recebeu R$ 254 milhões do governo federal, e mais R$ 48,2 milhões nos três primeiro meses de 2014. Mas nem esse faturamento robusto impediu que a empresa quebrasse. O presidente da firma, Hélio Chaves, afirmou que encerrará as atividades porque tem um rombo de R$ 17,1 milhões nas contas, resultante de atrasos de pagamentos de clientes.

Ele detalhou que 60 órgãos públicos municipais, estaduais e federais estão com os repasses atrasados, e a maior dívida, de R$ 4,7 milhões, é a da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. “São R$ 2 milhões da fatura de março, R$ 2 milhões de abril e R$ 700 mil em diferenças de reajustes. A falta desses recursos desencadeou o problema na empresa porque lá tenho cerca de 600 vigilantes que trabalham nas escolas estaduais”, sustentou.

Versões

A secretaria informou que já emitiu ordem de pagamento referente aos serviços prestados pela empresa em março. A pasta informou que tem 30 dias para quitar as faturas e, como recebeu o boleto somente no início do mês passado, não cometeu nenhuma ilegalidade contratual. Com relação a abril, o governo de Minas explicou que tem até o fim de maio para desembolsar o dinheiro. Chaves ainda argumentou que o Ministério do Planejamento atrasou os repasses de fevereiro e março. Em nota, o Planejamento esclareceu que já fez o pagamento da fatura de fevereiro e foi autorizado pela PH a usar o valor de março para quitar diretamente os salários dos funcionários.

O presidente da PH detalhou que, para evitar maiores prejuízos, encaminhará uma carta a todos os clientes explicando os motivos do fechamento da empresa e solicitará que paguem os salários diretamente aos trabalhadores com os recursos correspondentes às faturas que a firma ainda tem a receber. Ele se comprometeu ainda a disponibilizar mais R$ 72 milhões para honrar os compromissos, entre aplicações financeiras (R$ 25 milhões), o faturamento de abril (R$ 30 milhões) e diferenças de reajuste a que tem direito (R$ 17 milhões).

Prejuízos

A AGU informou que alguns órgãos públicos começaram a levantar os valores dos salários de abril para repassá-los diretamente aos trabalhadores prejudicados. A pasta ainda comentou que pode adotar medidas judiciais para garantir o pagamento de outras verbas trabalhistas.

Enquanto governo e PH não chegam a um acordo, trabalhadores continuam sem salários. Um empregado da empresa, que preferiu não se identificar com medo de represálias, disse que está com o aluguel e as contas de água e luz atrasados. Conforme ele, outros colegas estão em situação pior porque sustentam toda a família. “Conversei com o dono do imóvel em que moro e ele me deu um prazo maior. É a primeira vez que a empresa atrasa o salário, mas nunca imaginamos que fecharia as portas”, disse.

Sem receber os vencimentos, os funcionários da firma lotados no Itamaraty  interromperam ontem três faixas da Esplanada dos Ministérios em protesto contra a situação. Outra trabalhadora que preferiu anonimato disse que foi até a sede da empresa e encontrou as portas fechadas. A empregada lamentou a postura da PH de deixar todos desamparados. “É uma vergonha o que estão fazendo. Somos mães e pais de famílias, que dependem desse dinheiro para o sustento de casa”, reclamou.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Erminio. Alves de Lima Neto
Lamentavelmente, está corretíssima a empresa PH. Há muito tempo os ente-públicos tem quebrado as empresas "parceiras" de prestação de serviços, pois além de atrasarem o pagamento de faturas, dificilmente mantém o equilibrio econômico e financeiro do contrato, conforme definido no edital de licitação | Denuncie |

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