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Suape » Protesto de trabalhadores da Emtep termina após quatro ônibus incendiados e confronto com a Polícia Militar

Augusto Freitas

Publicação: 12/05/2014 11:57 Atualização: 13/05/2014 11:17

Protestou da trabalhadores da Emtep terminou com quatro ônibus incendiados e confronto com a Polícia Militar (Gean Silva/WhatsApp/Divulgação)
Protestou da trabalhadores da Emtep terminou com quatro ônibus incendiados e confronto com a Polícia Militar
Depois de quase quatros horas de paralisação, confronto com a Polícia Militar e quatro ônibus incendiados, chegou ao fim agora há pouco a manifestação dos funcionários de uma empresa terceirizada que presta serviços à Petroquímica Suape (PQS), iniciada no começo da manhã desta segunda (12), na PE-09, no Complexo Portuário de Suape.

Segundo informações da Polícia Militar, os trabalhadores incendiaram quatro ônibus e a PM interviu usando bombas de efeito moral e balas de borracha. Após o confronto, o trecho foi liberado e o trânsito, que ficou completamente congestionado, começou a fluir. O Corpo de Bombeiros de Pernambuco informou que não houve feridos no incêndio dos veículos.

O protesto foi inciado após os operários da empresa Emtep, especializada em montagem industrial, não receberem o pagameneto do salário referente ao mês de abril, que deveria ter sido depositado na conta dos trabalhadores no último dia 7.

A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral no Estado de Pernambuco (Sintepav-PE) e o atraso também recairia sobre indenizações de trabalhadores demitidos da Emtep. No entanto, de acordo com a direção do sindicato, a orientação era para que os trabalhadores procurassem a Justiça Trabalhista na tentaiva de resolver o impasse.
 
Em nota oficial divulgado pela assessoria de comunicação, o sindicato informou que a manifestação ocorreu “sem a orientação do Sintepav-PE”. Além disso, a entidade destacou que “segue firme na defesa dos direitos dos trabalhadores, utilizando-se sempre de meios pacíficos e da negociação como formas de assegurar o cumprimento da legislação”. O documento diz ainda que o sindicato “está tomando as providências necessárias junto ao Ministério Público do Trabalho e ao Poder Judiciário para assegurar que os trabalhadores de Emtep tenham os seus direitos respeitados”.

De acordo com a PM, representantes da Petroquímica Suape tentaram uma negociação no local da manifestação para liberar o acesso de milhares de funcionários do porto, mas os operários desejavam o recebimento do dinheiro no local. Como não seria possível, a polícia decidiu intervir. Após o confronto, cerca de seis pessoas foram detidas e levadas à Delegacia do Cabo de Santo Agostinho.

Segundo o Sintepav-PE, a falta de pagamento de salários aos trabalhadores que atuam nas obras do Complexo de Suape  pelas empresas tem sido comum. Na semana passada, trabalhadores da empresa Jaraguá, que prestam serviços à Refinaria Abreu e Lima (Rnest) também fecharam os acessos ao Porto de Suape reivindicando o pagamento de quase dois meses de salários atrasados, entre outros itens.

“A Emtep alega que tem faturas a receber, por isso não realizou o pagamento dos trabalhadores. Já a Petroquímica diz que está sem verba para repassar à empresa. É o mesmo ciclo da Jaraguá, com a diferença no tempo do salário atrasado. O departamento jurídico do Sintepav-PE está estudando as providências cabíveis para ingressar uma ação trabalhista na 2ª Vara do Trabalho de Ipojuca e resolver a questão dos trabalhadores”, disse Leodelson Bastos, coordenador de fiscalização do Sintepav-PE.  

O protesto causou muitos transtornos aos trabalhadores do Complexo e turistas que estavam nas praias do Litoral Sul do estado. A gerente de uma agência do Banco do Brasil em Goiânia (GO), Ludmilla Ferreira Borges Batista, estava com o namorado e dois parentes em Porto de Galinhas há oito dias. A volta para Goiás, marcada para as 11h de hoje, vai atrasar. O grupo ficou retido três horas próximo ao bloqueio dos manifestantes.

Pelo aplicativo do Diario WhatsApp, Ludmila conversou com a reportagem e contou os momentos de pânico no local. “Ouvimos tiros e vimos muita fumaça de pneu e ônibus incendiados. Ficamos muito assustados e parados mais de duas horas dentro do táxi. Também vimos uma pessoa ferida durante o confronto dos manifestantes com a polícia e uma senhora passando mal. Saímos às 8h de Porto de Galinhas, mas infelizmente perdemos o voo de volta a Goiânia. Já estamos no prejuízo”, explicou.

Pelo Twitter, o Corpo de Bombeiros informou que continua no local do protesto, na altura da Curva do Boi, na Avenida Portuária, para finalizar o trabalho de contenção do fogo nos ônibus incendiados. Até o momento, a Petroquímica Suape não se manifestaram sobre o protesto e as reivindicações dos trabalhadores.

À reportagem do Diario, a Emtep disse que lamentou o ocorrido e informou, através de uma nota oficial, que “os funcionários envolvidos no protesto foram demitidos da empresa e que a mesma tem, perante a lei, o prazo até o dia 22 de maio para o pagamento das indenizações”. O documento também ressalta que “a empresa está disponível para qualquer esclarecimento sobre o assunto e se compromete a cumprir suas obrigações de contratante”. A Emtep reiterou, ainda, que tem total apoio do Sindicato dos Trabalhadores de Suape.

Em resposta, a Petrobras, que detém 100% da PetroquímicaSuape, informou, também por nota, que o complexo petroquímico não está em atraso com os pagamentos da empresa Emtep. "A companhia esclarece que não é parte nas relações trabalhistas em questão, mas acompanha as negociações entre a empresa contratada e seus funcionários".

 

Também procurada pelo Diario, a administração do Complexo Industrial Portuário de Suape informou que, para garantir o andamento das atividades, houve o acionamento da Polícia Militar, que entrou em negociação com os manifestantes para a abertura da via que dá acesso ao Porto Organizado. "As atividades portuárias transcorreram normalmente devido ao regime de plantão. No entanto, a avaliação sobre operação de carga e descarga para caminhões depende de cada terminal existente no porto", diz o comunicado. 

 

 

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