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Aeroporto » Confins: Companhias aéreas estão impedidas de solicitar novos voos durante a Copa Sem a conclusão das obras da pista de pouso e do pátio de aeronaves, além do terminal de passageiros, as empresas tiveram que limitar os pedidos.

Pedro Rocha Franco -

Publicação: 11/05/2014 13:47 Atualização:

Segundo a Infraero, a obra do pátio de aeronaves, que deve mais que triplicar o espaço disponível para aviões (de 113 mil para 369 mil metros quadrados), deve ser entregue em 31 de maio. Foto:  Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
Segundo a Infraero, a obra do pátio de aeronaves, que deve mais que triplicar o espaço disponível para aviões (de 113 mil para 369 mil metros quadrados), deve ser entregue em 31 de maio. Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
A limitação da capacidade operacional de Confins impediu às companhias aéreas de solicitar novos voos durante a Copa do Mundo. Sem a conclusão das obras da pista de pouso e do pátio de aeronaves, além do terminal de passageiros, as empresas tiveram que limitar os pedidos. Até porque o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Marcelo dos Guaranys, em declarações à imprensa, havia ressaltado que a liberação de slots seria feita de acordo com o limite operacional de cada aeroporto. Em Confins, por exemplo, a Azul tentou criar novas rotas para o interior do estado mas foi vetada pela agência reguladora. Não à toa, Belo Horizonte foi a cidade-sede em que a criação de voos extras durante a Copa teve a menor variação percentual (11,4%, considerando Confins e Pampulha), segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). O acréscimo de assentos será de 3,7%, maior apenas que em Curitiba.

Segundo a Infraero, a obra do pátio de aeronaves, que deve mais que triplicar o espaço disponível para aviões (de 113 mil para 369 mil metros quadrados), deve ser entregue em 31 de maio. Mas, no canteiro de obra, operários dizem que toda a construção dificilmente será entregue na data. Os comentários dão conta de que haverá uma interrupção da obra durante a Copa do Mundo e a retomada somente depois do evento, sendo necessários mais 30 dias para a execução completa das intervenções. Por contrato, tanto o pátio quanto a pista de pouso deveriam ser concluídos até abril. A Cowan, empresa contratada para o projeto, não retornou às ligações do Estado de Minas e na obra os engenheiros responsáveis não quiserem falar.

A proposta dos órgãos de aviação do governo federal era que o novo pátio de Confins fosse usado para receber aeronaves de outros aeroportos durante a Copa do Mundo. Os passageiros desembarcariam nos terminais de Rio e São Paulo e os aviões voariam para BH para esperar o próximo voo. O fato de Confins estar em seu limite operacional impede tal alternativa. Antes mesmo do torneio, Confins já não é usado mais como rota alternativa para outros aeroportos próximos, segundo a Abear. Normalmente, em caso de condições climáticas adversas em Brasília, Rio ou São Paulo, seria possível deslocar os voos para o terminal da Grande BH até o piloto ter teto para descer em seu destino original.

Na pista O atraso maior, no entanto, se dá com a pista. As duas obras fazem parte de um mesmo contrato. Pelo cronograma, a obra deveria ser entregue em fevereiro, apesar de o cronograma ser até abril. Até fevereiro, só 33,87% dos projetos tinham sido executados. A Infraero já confirmou que a expansão da pista só será finalizada em agosto. O principal entrave para conclusão é a necessidade de interdição de um trecho da pista para que os 600 metros em construção sejam somados aos 3 mil metros existentes. Isso poderia inclusive forçar o cancelamento dos voos internacionais. Em negociação com as empresas, no entanto, foi acordado que o fechamento da pista será feito somente durante a madrugada, o que obrigou as empresas a remanejar os horários.

Problemas já na decolagem da expansão
A adoção de um novo formato de licitação em obras para a Copa do Mundo acabou por retardar o início das obras do terminal provisório do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Sem um projeto de engenharia em mãos, a Infraero preferiu licitar a obra por meio do Regime Diferenciado de Contratação (RDC), modelo proposto pelo governo federal para as construções que visavam o torneio. O problema é que por três vezes houve fracasso nas licitações, retardando o início das obras em quase um ano.

A seleção da empresa deveria se encerrar em outubro de 2012, mas as concorrentes apresentaram propostas muito superiores ao orçamento previsto para a obra. Pelo RDC, o montante disponível é mantido em sigilo. A Infraero estava disposta a investir R$ 48 milhões, mas as propostas das concorrentes variaram de R$ 79 milhões a R$ 141 milhões, pelo menos 64% acima do teto. Em uma segunda tentativa com as mesmas regras, em dezembro de 2012, três propostas foram feitas, mas a Infraero pediu desconto de 35% em relação à oferta de R$ 75,38 milhões apresentada por uma das concorrentes. Nada feito. E o certame fracassou de novo.

Depois de repetidos insucessos, a Infraero decidiu mudar as regras e diminuir as exigências do projeto. Em maio do ano passado, nova licitação e novo fracasso. Apesar de sete empresas terem solicitado o edital, nenhuma delas apresentou proposta no dia marcado. Ainda assim, a Infraero mantinha posição firme sobre a construção do terminal que aumentaria a capacidade do aeroporto em 3,9 milhões de passageiros por ano. “O terminal remoto estará pronto para a Copa de 2014, de forma a atender a demanda prevista”, dizia resposta da Infraero a questionamentos do Estado de Minas.

Sem tempo para iniciar a obra, a estatal decidiu contratar a empresa por dispensa de licitação. Assim, empresas foram chamadas para apresentar seus valores para executar o projeto. Apesar de concorrentes terem afirmado que com o valor proposto seria inviável fazer o projeto, Urb Topo e EPC Engenharia aceitaram executar a obra por R$ 22,32 milhões, tendo que simultaneamente executar o projeto de engenharia.

As obras do terminal provisório estavam previstas para iniciar em agosto de 2013, mas foram começar de fato 63 dias depois. Primeiro, houve um retardo de 30 dias devido à necessidade de os funcionários passarem por um treinamento para executar as obras. O curso era obrigatório devido à proximidade com a torre de controle. Depois disso, as chuvas de fim de ano atrasaram em mais 33 dias. Com isso, a obra prevista para ser concluída em março será entregue somente no próximo dia 31. Exatos dois meses depois.

Teste Segundo balanço da empresa Urb topo, 88% do orçamento foi executado. Mas, segundo o gerente comercial, Henrique Abreu, “o pagamento só é feito depois da conclusão do projeto. É pago 100% ou nada”, diz ele. A obra civil está quase pronta, faltando arremates e a limpeza. No mais, falta fazer a instalação de equipamentos e a montagem dos móveis. Os objetos já estão na obra. No dia 20, está prevista uma vistoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Será testado o funcionamento da operação. Novas intervenções podem ser feitas depois caso a agência reguladora indique a necessidade.

Apesar da conclusão, ele não será usado para receber passageiros de voos comerciais. A nova unidade será exclusiva para atender a voos executivos internacionais. A entrega prevista para ser feita duas semanas antes do início do evento esportivo, inviabiliza a operação efetiva. Com isso, o gargalo do terminal de passageiros principal permanecerá mesmo com as obras.

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