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IPCA » Educação, saúde e alimentação são os vilões da inflação no Recife

Sávio Gabriel - Especial para o Diario

Publicação: 09/05/2014 18:25 Atualização:

Nos últimos quatro meses, os recifenses estão tendo trabalho para driblar o aumento dos preços. De janeiro a abril, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que mede a inflação no país, registrou um índice geral de 2,48% na capital pernambucana. E, além dos alimentos e bebidas, que estão 4,10% mais caros, despesas como aluguel, serviços hospitalares e educação estão diminuindo o poder de compra dos recifenses. Para quem acha que o pior já passou, é bom não se animar:  de acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a expectativa é que os preços continuem elevados durante o todo o ano, chegando próximo ao teto da meta estabelecido pelo governo, que é de 6,5%.

Como já era de se esperar, os reajustes das mensalidades fizeram as despesas com educação (escolas, faculdades, cursos de idiomas, entre outros) aumentar 5,85% nos quatro primeiros meses de 2014, sendo o primeiro do ranking.  “Esse resultado é esperado. Durante o restante do ano, o índice costuma registrar uma queda significativa”, afirma a tecnologista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Fernanda Estelita. Em seguida vem os gastos com alimentação (4,10%), despesas pessoais (2,98%), habitação (2,63%), saúde e cuidados pessoais (2,28%), entre outros.

Os gastos com aluguel e taxas (contas de água, luz, mensalidade de condomínio, entre outras) também estão tirando o poder de compra dos recifenses. De janeiro a abril, os valores ficaram 4,62% mais caros. Segundo Fernanda, o aumento da tarifa de água, que passou a vigorar no mês passado (reajuste de 8,75%), foi o principal motivo. “No próximo mês, com certeza o índice deve ser maior, tendo em vista o reajuste de 17,5% da Celpe.” O aumento do salário mínimo também pesa na equação, de acordo com o economista Marcelo Barros. “Impacta diretamente nos custos com o condomínio, por conta da remuneração dos funcionários”, diz.

Cuidar da saúde também ficou mais caro. As despesas com os serviços médicos e dentários subiram 4,79%. Já os gastos com serviços laboratoriais e hospitalares aumentaram 4,14%. Para Barros, o crescimento do setor de serviços justifica o aumento nos preços. “De modo geral, os serviços, como beleza, saúde, entre outros vêm crescendo nos últimos anos devido à demanda, que aumentou bastante”, diz. Ou seja: quanto maior a demanda, maiores serão os preços finais ao consumidor.

Fernanda Estelita lembra, no entanto, que por mais que outros itens tenham onerado os recifenses nos últimos meses, os gastos com alimentação são os que mais pesam para o consumidor. Para se ter uma ideia, a batata inglesa teve um aumento de 48% no preço, de janeiro a abril. A cebola ficou 36% mais cara no período. Já a alface e o coentro aumentaram 28% e 21%, respectivamente. De acordo com a técnica do IBGE, o período de entressafra é um dos responsáveis pela inflação. “Além disso, estamos vivendo uma inflação global nos alimentos, devido às mudanças climáticas que estão ocorrendo”, acrescenta Marcelo Barros.

Apesar de não haver projeções futuras do IBGE, Fernanda adianta que a Copa do Mundo, naturalmente, vai impactar no preço de alguns produtos e serviços. “As passagens aéreas e a alimentação fora de casa devem ser alguns dos itens que terão os preços reajustados devido ao evento.”  Marcelo Barros cita as estimativas do Boletim Focus, e acrescenta: “O governo está aumentando a taxa de juros e segurando alguns reajustes, como o do combustível, na tentativa de segurar a inflação. Inevitavelmente, quando o reajuste acontecer, a inflação deve aumentar”.

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