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Tributos altos » Bares e restaurantes alertam para demissões

Agência Brasil

Publicação: 09/05/2014 09:51 Atualização:

A escalada da inflação e da carga tributária sobre cervejas e refrigerantes poderá levar bares e restaurantes a demitir 200 mil trabalhadores nos próximos meses. Esse alerta preocupa o governo. Segundo Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, entidade que representa as empresas do ramo no país, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá se reunir com representantes do setor na próxima terça-feira, em Brasília. E a expectativa dos empresários é de que a abertura do diálogo leve a uma revisão ou mesmo suspensão da nova tabela de impostos para bebidas frias.

A reunião foi marcada ontem, logo após a Abrasel anunciar queda no movimento de clientes e de receita dos estabelecimentos, que podem levar um número recorde de demissões, além de fechamentos de pontos de venda. O encerramento de unidades tem superado a abertura numa média de 2 mil por mês. As bebidas representam de 40% a 60% do faturamento do setor e, com as duas recentes altas nos tributos num prazo inferior a 30 dias, empresários temem o impacto do repasse dos novos preços à clientela. Para piorar, dois milhões de micro e pequenos empreendedores do setor ainda não sabem se conseguirão se manter após a nova realidade de preços.

No caso da cerveja, a estimativa é de 30% a mais na tributação, o que vai afugentar ainda mais o consumidor. “Nos bares, restaurantes e lanchonetes, a bebida deve ficar de 10% a 12% mais cara”, estimou Solmucci. De acordo com pesquisa do Instituto Nielsen, especializado em relações de consumo, 63% dos entrevistados afirmam que estão reduzindo gastos com alimentação fora de casa. O levantamento foi feito de 18 de fevereiro a 8 de março e consultou 29 mil cidadãos pela internet.

Ano passado, o volume de bebidas frias comercializadas caiu em mais de um milhão de bares. O principal motivo desse recuo foi justamente o aumento da carga tributária sobre as bebidas em outubro de 2012. Naquela ocasião, os reajustes foram de 13% para cervejas e 26% para refrigerantes. Outro fator que colaborou para a piora na performance do setor foi a lei seca, que entrou em vigor em janeiro de 2013, para conter abusos de motoristas alcoolizados.

Ajustes

Rodrigo Freire, dono do restaurante Oliver, ressaltou que os clientes estão cada vez mais críticos em relação aos preços. Mas sem repassar os aumentos, os estabelecimentos ficam no prejuízo. “O esforço dos restaurantes e dos bares para manter os preços tem sido enorme, pois tudo aumentou e, mesmo negociando com os fornecedores, a carestia acaba chegando até nós”, explicou.

Ele lembrou que mais de 10 restaurantes conhecidos de Brasília fecharam as portas apenas em 2014, e muitos outros passam por problemas financeiros, tentando se manter. “Vários estabelecimentos continuam mais pela paixão que pelo retorno financeiro. O governo não pode aumentar os impostos o tempo todo e esperar que o mercado absorva. O momento é muito complicado, mas a alta dos preços não é culpa do segmento”, completa.

O setor de alimentação fora de casa representa 2,7% da economia e já vem sob alta pressão de custos nos últimos anos. Segundo o presidente da Abrasel, empresários não conseguirão absorver mais um reajuste. “Os preços nesses estabelecimentos já têm subido quase duas vezes acima da inflação. No ano passado fomos os vilões e, se continuar assim, vamos ser novamente neste ano”, diz Paulo.

Outra preocupação das empresas do setor é serem alvo da indignação dos consumidores, uma vez que o aumento entra em vigor em 1º de junho, 11 dias antes do início da Copa do Mundo. “Todo o mercado está apreensivo. Não podemos ser vistos como vilões, já que somos os principais prejudicados. O governo faz com que a gente também reajuste o preço, mas muitos acham que estamos tirando proveito da elevada demanda na Copa”, reclamou Solmucci.

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