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Resultados ruins » Inflação desacelera o varejo e lojistas apontam queda no ritmo de vendas

Correio Braziliense

Publicação: 06/05/2014 09:16 Atualização:

A carestia não está sendo sentida apenas no bolso do consumidor, mas também no desempenho do varejo, aquém do esperado. Do otimismo que alguns lojistas esboçavam no início de ano, restou só a frustração com os resultados apurados até agora, com gradual elevação dos estoques. As vendas, que até 2010 avançavam a um ritmo superior a 10% ao ano, desaceleraram para 5% no acumulado em 12 meses até fevereiro, período que inclui período como o natal e ano-novo. Não por acaso, analistas passaram a prever dias difíceis para 2014.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estimava em 6,5% a alta nas vendas do varejo em 2014. Baixou a previsão para 6%, depois para 5,5% até chegar em 5%. “A gente está revisando esse número, e a tendência é de que continue caindo à medida que outros maus resultados da economia forem aparecendo”, explicou o economista Bruno Fernandes, um dos responsáveis pela projeção. “Hoje, tudo leva a crer que 2014 será ainda pior do que no ano passado”, assinalou.

Orçamento apertado

Em 2013, o varejo cresceu 4,3%, o pior resultado em 10 anos. No mesmo ano, a massa salarial real, que considera os rendimentos recebidos pelos trabalhadores descontada a inflação no período, avançou só 2,8%, a menor variação desde 2007. “O que explica os maus resultados é a inflação, que corrói o poder de compra das famílias e, por tabela, o espaço no orçamento para novas compras”, disse Marianne Hanson, também economista da CNC.

O consumidor tem de fazer malabarismo para driblar a alta de preços. Pesquisa do Instituto Data Popular revelou que 55% dos brasileiros substituem itens caros por marcas mais baratas, quando notam abuso nos preços. Outras alternativas são diminuir a quantidade de produtos comprados, opção assinalada por 32% dos entrevistados, ou simplesmente deixar de comprar (13%).

Há razões para pensar duas vezes antes de comprar. Em 2013, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o parâmetro oficial do custo de vida, avançou 5,91%. Oficialmente, a meta a ser perseguida pelo governo é inflação de 4,5%, com tolerância de dois pontos para baixo ou para cima. Mas, em 2014, novamente esse alvo não deve ser atingido. Muito pelo contrário.

De acordo com a pesquisa semanal Focus, feita pelo Banco Central (BC) com analistas de bancos e corretoras, o IPCA deverá bater no limite da meta, 6,5%. Não chega a ser uma previsão pessimista. As cinco instituições que mais acertam as estimativas para o comportamento da economia, as Top 5, apostam numa inflação de 6,62% ao ano.

Se os índices disparam, transformam-se em incentivo à remarcação de preços, pressionando ainda mais a inflação nos próximos meses e anos. As projeções para o IPCA de 2014 estavam, em janeiro, em 5,9%, nos cálculos dos Top 5. Esses números foram subindo até chegar ao patamar atual de 6,42%.

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