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Finanças pessoais » Brasil tem a primeira Semana Nacional da Educação Financeira

Agência Estado

Publicação: 05/05/2014 21:38 Atualização: 05/05/2014 21:56

 (J.Cesar/DB/D.A Press)
Em busca de aumentar a conscientização do investidor brasileiro e dos consequentes reflexos disso no desenvolvimento do mercado de capitais, foi aberta a primeira edição da Semana Nacional da Educação Financeira. O evento ocorre em várias cidades do país, o Recife entre elas, e é um esforço de órgãos governamentais e privados com o objetivo de democratizar o acesso à informação ao investidor de todas as idades e em linha com a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), lançada pelo governo em 2010.

Organizado pelo Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef), o evento vai até o dia 9 de maio. O Conef é formado por Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Previc Susep, Anbima, BM&FBovespa, Febraban, Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNSeg) e os ministérios da Fazenda, Educação, Previdência Social e da Justiça. Entre outras coisas, o comitê estabelece diretrizes e objetivos para a Enef.

Na capital pernambucana o evento acontece no edifício-sede do Banco Central, na Rua da Aurora. Três palestras terão acesso gratuito. A primeira é Gestão de Finanças Pessoais, na quarta-feira (7), com Jorge Luiz Bacelar Santos. A palestra começa às 14h30. Na quinta-feira (8), Maria dos Remédios Antunes fala sobre Compra Compulsiva e Suas Consequências, também às 14h30. Já na sexta-feira (9), a partir das 10h30, será a vez de Sistema Financeiro Nacional e Funções do Banco Central, com Mauro de Lima Torres.

"Educação financeira é um problema que não é de ninguém e é de todos. A iniciativa aqui é não olhar para o passado, mas juntar nosso conhecimento e trabalhar a estratégia nacional", disse Leonardo Pereira, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Conef, na abertura do evento.

Pereira preferiu não atrelar episódios recentes de perdas de investidores no mercado, como na OGX, à falta de educação no segmento. "Infelizmente essas coisas acontecem em todos os mercados. Não podemos tirar o poder de decisão do investidor, mas temos que dar o conhecimento para se emancipar e poder tomá-la de forma consciente", disse.

Um exemplo é a participação da BM&FBovespa, com 16 ações durante a semana. "A questão da poupança das famílias e da deficiência da educação financeira no País são desafios", disse o diretor-presidente da Bolsa, Edemir Pinto, destacando que há um enorme déficit na educação financeira no Brasil.

O aumento do número de investidores pessoa física é um dos desafios da BM&FBovespa, que possui 610 mil investidores cadastrados. A meta de atingir 5 milhões de CPFs em 2014 teve que ser adiada para 2018 e será revista ano a ano. O número era baseado em indicadores de 2009, como a expectativa futura de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da poupança interna mas o quadro não se confirmou.

Para Edemir, o quadro da bolsa brasileira é mais atrasado nesse sentido que o de países vizinhos como o Chile, não apenas pela questão da educação, mas também pelo menor volume de ofertas públicas iniciais (IPOs) e de poupança interna. No Chile esse volume de poupança é de US$ 15 mil por pessoa contra US$ 11 mil no Brasil, exemplificou.

A educação financeira passa também pela formação dos profissionais que assessoram investidores. A Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima) afirma que hoje 35% das aplicações passam por eles. A entidade está fazendo um mapeamento do perfil desses profissionais para atualizar essa fotografia e poderá a partir daí revisar seu processo de certificação obrigatória. Hoje 350 mil profissionais no País são certificados, o que equivale a um para cada 116 clientes.

O diretor de Relações Institucionais e Cidadania do Banco Central destacou a importância da promoção financeira no atual contexto econômico e social do País, aliando a ascensão de significativa parcela da população para classe média e o amadurecimento do sistema financeiro nacional, criando produtos mais complexos.

Para a secretária Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça, Juliana Pereira da Silva, essencial é dar independência para a tomada de decisão do investidor. Para a secretária, o foco da estratégia nacional deve ser evitar que a compra de produtos financeiros gere um endividamento excessivo da pessoa física.

"Nosso maior objetivo é emancipar os consumidores para que consigam, a partir do conhecimento, evitar as práticas predatórias que infelizmente ainda existem em nosso País", disse Juliana, mencionando fraudes em pirâmides financeiras e na venda indiscriminada de seguros.

A Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil) lançou durante a abertura do evento uma plataforma aberta na internet - www.edufinanceiranaescola.org.br - com todo o material didático utilizado em escolas abrangidas pelo Programa de Educação Financeira nas Escolas. Hoje o programa alcança apenas 3 mil das 27 mil escolas públicas e particulares nacionais que abrangem o ensino médio. A ideia é democratizar o acesso a esse conteúdo.

Também haverá um selo nacional para identificar iniciativas de educação financeira alinhadas aos objetivos e diretrizes da Enef bem como os critérios estabelecidos pelo Conef. O critério para a concessão é que as ações sejam gratuitas para o usuário final e não orientem a consumir um produto específico.

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