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Chapa-branca » Leilão emergencial da Aneel traz alívio provisório ao setor de energia

Simone Kafruni - Correio Braziliense

Publicação: 01/05/2014 08:50 Atualização:

Com predomínio da participação de estatais federais na oferta, o leilão emergencial realizado nessa quarta-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) surpreendeu expectativas do próprio governo e contratou 2.046 megawatts (MW) médios. O certame chapa-branca reduziu um pouco mais a atual pressão sobre o caixa das distribuidoras, que estavam expostas em 3,2 mil MW médios ao mercado à vista, cujos preços estão em nível recorde (R$ 822,83). Furnas, Eletronorte e Petrobras entraram com 67,7% das vendas e garantiram cobertura de 64% da meta, quando a estimativa otimista era a metade.

O fornecimento garantido ontem, pelo preço médio de R$ 268,33, começa hoje e termina em 31 de dezembro de 2019. Mas para especialistas, o bom resultado ainda é insuficiente para solucionar todos os problemas do setor. O leilão alcançou R$ 27,28 bilhões em contratos com duração de cinco anos e oito meses, envolvendo 20 usinas.

Luiz Eduardo Barata Ferreira, presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), festejou a oferta inesperada. Foram cinco geradores na modalidade por disponibilidade e 15 em contratos por quantidade, somando 73 milhões de MWh. Para a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), a disputa supriu parte significativa das necessidades de contratação das associadas. "A medida será capaz de mitigar os gastos adicionais com aquisição de energia em 2014, reduzindo impacto nas tarifas", afirmou nota da entidade.

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, também comemorou o resultado. "Do ponto de vista fiscal, não há nenhuma alteração", ressaltou. Ele reforçou que os recursos federais programados para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) continuam sendo de R$ 13 bilhões, dos quais R$ 9 bilhões iniciais mais R$ 4 bilhões adicionais. "Qualquer valor que ultrapasse esse montante no custo para as distribuidoras será repassado na tarifa", garantiu.

CONTA A SER PAGA O presidente da Empresa de Pesquisa Energético (EPE), Maurício Tolmasquin, ressaltou que as distribuidoras estariam revisando o montante descontratado. Em vez de 3,2 mil MW médios, seriam 2,4 mil MW, o que reduziria o déficit em apenas 350 MW médios. "Para um setor que tem contratos de 47 mil MW médios, a exposição agora é mínima", sublinhou. Guilherme Schmidt, especialista no setor de energia do escritório L.O.Baptista-SVMFA, considerou o preço fechado no leilão caro. "O leilão reduziu o problema, mas a sangria ainda está lá e a conta precisa ser paga", destacou.

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