• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Infraestrutura » Concessões deixam Infraero no sufoco

Correio Braziliense

Publicação: 28/04/2014 09:05 Atualização:

A concessão de cinco dos seus seis maiores aeroportos — Guarulhos (SP), Galeão (RJ), Brasília, Confins (MG) e Campinas (SP), pela ordem — deixou a Infraero sem uma rota segura para o futuro. As privatizações iniciadas em 2012 tiraram das mãos da estatal 44,23% do movimento de passageiros sob seu domínio e, por tabela, reduziu drasticamente as suas receitas e a sua capacidade de investir nos 60 terminais que restaram sob o seu comando.

Com caixa insuficiente para tocar o seu orçamento e ainda pressionada, como sócia minoritária (49%) dos novos concessionários, pelas obras de expansão dos aeroportos concedidos, a empresa tornou-se ainda mais dependente dos repasses da União, tendo então que cortar funcionários e serviços terceirizados. Sua receita bruta com   ganhos operacionais e comerciais encerrou 2012 em R$ 4,36 bilhões. No ano seguinte, com as concessões de Guarulhos, Brasília e Viracopos, o valor caiu para R$ 3,09 bilhões, 29,13% a menos.

Com essa perda, a Infraero fechou 2012 com lucro de R$ 114,6 milhões e com prejuízo de R$ 2,65 bilhões no ano passado. Essa sangria tende a se agravar em 2014, com a transferência de Confins e Galeão a partir de agosto. Sem outra forma de capitalização, a estatal depende cada vez mais dos recursos do Tesouro, além dos financiamentos do BNDES. Ano passado, R$ 2,2 bilhões foram transferidos do caixa federal.

Para piorar o quadro de dificuldades, os investimentos realizados em aeroportos deficitários dependiam dos recursos apurados nos terminais superavitários, formando o chamado subsídio cruzado. Galeão, Confins e demais negócios no azul bancavam obras e operação dos demais. “É uma empresa que será subsidiada daqui para frente. Virou um patinho feio”, resume Elton Fernandes, professor da UFRJ. Apesar do pouco caso com a estatal, o Planalto definiu como missão de futuro dela cuidar da aviação regional, encabeçando assim o projeto que prevê investimento de R$ 7,3 bilhões em 270 aeroportos menores em todo o país.

Durante seu discurso na cerimônia de assinatura do contrato de concessão de Confins, no começo do mês, a presidente Dilma Rousseff cobrou empenho dos trabalhadores da empresa para atuar de forma mais qualitativa, como agente de modernização do setor aeroportuário. Na ocasião, o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, afirmou que espera competição da estatal com os serviços “de classe internacional” dos aeroportos concessionados, embora seja ela própria sócia minoritária desses. “A Infraero tem experiência e garra para mudar”, afirmou.

Prioridades

Críticos do modelo das concessões, até mesmo dentro do governo, defendiam, como forma de preparação da empresa para novos voos, a abertura de seu capital às bolsas de valores. Eles argumentavam que a medida levaria a uma maior transparência de seus balanços, injetaria recursos privados em seu caixa e ainda facilitaria a adoção de perfil administrativo mais competitivo. Com foco na aceleração das obras para a Copa do Mundo, o Planalto preferiu inverter essa prioridade. A expectativa é de que o processo de oferta de ações ao público venha em 2016.

O valor arrecadado com as outorgas dos aeroportos concedidos será destinado ao Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), para ser aplicado nos terminais regionais e demais da rede Infraero. “Todos os investimentos necessários aos aeroportos, inclusive os administrados pela estatal, são suportados pelo Fnac, administrado pela SAC, cuja fonte de recursos é basicamente a outorga paga pelos aeroportos concedidos”, resume nota da empresa.

Por outro lado, a Infraero terá que desembolsar 49% para pagar sua parcela nas outorgas a cada ano, absorvendo assim parte dos dividendos previstos. A expectativa é de que, a partir de 2017, os lucros de Guarulhos entrem no caixa da estatal. Dois anos depois, será a vez de Viracopos e de Brasília.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.