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Reajuste » Nem a conta da padaria escapa mais da inflação Preços de produtos como o leite, o café e o pãozinho disparam e esam cada vez mais no orçamento

Publicação: 27/04/2014 14:32 Atualização: 27/04/2014 14:35

Mesmo tendo cortado refrigerantes e salgados, José gasta na panificadora 10% do que ganha por mês. Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A.Press
Mesmo tendo cortado refrigerantes e salgados, José gasta na panificadora 10% do que ganha por mês. Foto: Gustavo Moreno/CB/D.A.Press
Se as moedas soltas pela casa eram, até há pouco tempo, suficientes para garantir o pão e o leite do dia seguinte, hoje os gastos com esses quitutes diários pesam, e muito, no orçamento já apertado das famílias. Qualquer ida despretensiosa a uma padaria passou a custar além do planejado. O aumento da variedade de produtos nesses estabelecimentos ajuda a turbinar a conta. Mas é a inflação a principal responsável por encarecer um hábito quase imprescindível na vida dos brasileiros.

Nos primeiros três meses deste ano, ainda que muitos não percebam, os preços das miudezas da padaria avançaram acima da inflação acumulada no período, calculada em 2,18%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O pão francês, por exemplo, ficou 2,70% mais caro em 2014, até agora. O valor do cafezinho saltou 7,75%, o equivalente a 3,5 vezes a média da carestia medida entre janeiro e março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A lista de aumentos prossegue: subiram de preço os iogurtes (5,39%), o pão de queijo (2,69%), os refrigerantes e a água (2,17%). O açaí chama a atenção por ter disparado 28,44%, um dos itens de maior variação entre todos os pesquisados. Um lanche no balcão da padaria, opção cada vez mais comum de quem tenta diminuir os gastos com alimentação fora de casa, já chega a custar, sem muito esforço, o mesmo de uma refeição tradicional.

mpresários do segmento de panificação dizem que a escalada dos preços só não é maior porque a alta concorrência freia os reajustes. “Nossos clientes estão aqui todos os dias, não se pode aumentar toda hora”, diz Bianca Assis, gerente de uma panificadora reformada há cinco meses. Somente na última semana,  o pacote com 25kg de fécula de mandioca (usada no preparo de vários produtos) subiu 11,7%.

A inflação da padaria atinge ricos e pobres, ao sufocar o poder de compra e forçar um consumo cotidiano mais restrito e consciente. “Não levo mais salgados nem refrigerante para casa”, conta o gesseiro José Silva da Costa, 38 anos, frequentador assíduo de panificadora, onde não dispensa um pão na chapa acompanhado do cafezinho. “Todo mês, quase 10% do que eu ganho está indo para a padaria”, calcula.

Cada saída de casa para comprar um pãozinho faz a empresária Celina Gonçalves, 46, voltar com duas, três sacolas em mão. O pão puxa o leite, que combina com os frios e os biscoitos e, juntos, ajudam a compor a mesa de jantar da família. Com isso, a conta da padaria, que deixou de ser diária, costuma ficar em torno de R$ 50. “Os preços estão subindo. Estamos vivendo um período de inflação mesmo. Só não vê isso quem não quer.”

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