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Vendas » Dia das Mães ainda não empolga o comércio Lojistas do Centro do Recife e dos shoppings acreditam que, neste ano, as vendas ficarão abaixo da média

Sávio Gabriel - Especial para o Diario

Publicação: 27/04/2014 08:00 Atualização: 26/04/2014 00:10

Movimento nas lojas do centro costumava aumentar em abril. Mas, segundo o CDL, isso não aconteceu neste ano. Foto: Débora Rosa/DP/D.A Press
Movimento nas lojas do centro costumava aumentar em abril. Mas, segundo o CDL, isso não aconteceu neste ano. Foto: Débora Rosa/DP/D.A Press
O Dia das Mães é a segunda data de vendas mais importante para o varejo. Mas neste ano, ao invés de festa, o clima é de apreensão entre os empresários. Preocupados com o cenário econômico desfavorável pelo qual passa o Brasil, o tradicional comércio de rua do Recife e as lojas de shoppings centers do estado devem registrar vendas abaixo da média. O número de contratações temporárias para o período também deve diminuir.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL-Recife), Eduardo Catão, apesar da venda de confecções e sapatos não ser tradicionalmente forte durante o período – os eletrônicos e eletrodomésticos são os preferidos dos consumidores, segundo ele –, o desempenho está muito abaixo do esperado.  “O movimento de clientes nas lojas está muito devagar. Em geral, os estabelecimentos costumavam registrar um acréscimo na demanda já no mês de abril, o que não tem se repetido neste ano.”

A perspectiva de queda também é confirmada por Ricardo Galdino, presidente executivo da Associação dos Lojistas dos Shoppings de Pernambuco (Aloshop). Ele diz que os resultados abaixo da média estão ocorrendo desde o fim de 2013. “Para se ter uma ideia, naquela época esperávamos contratar 2,5 mil funcionários temporários, mas foram criadas apenas 1,9 mil vagas.”

Galindo acredita que, por conta da inflação, há uma dispersão dos consumidores. “Além disso, as pessoas estão com medo de não honrar as dívidas e estão gastando menos”, afirma. E não é para menos: em março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação no Brasil, teve alta de 0,92%, a maior dos últimos 11 anos. No começo de abril, a taxa oficial de juros (Selic), foi elevada para 11% ao ano, numa tentativa de controlar a inflação.

Lojistas dos shoppings também reclamam do movimento. Foto: Thiago Medeiros/Divulgação
Lojistas dos shoppings também reclamam do movimento. Foto: Thiago Medeiros/Divulgação
Segundo Ricardo Galdino, a realização da Copa do Mundo também deve prejudicar as contratações temporárias para o Dia das Mães. Isso porque, de acordo com ele, os lojistas contratavam funcionários para o Dia das Mães e Dia dos Namorados (12 de junho). “A abertura da Copa vai coincidir com o dia dos namorados, o que deve prejudicar as vendas e influenciar diretamente nas contratações”, estima.

O economista da Fecomércio-PE Osmil Galindo diz que a preocupação dos empresários é natural. Ele lembra que o freio no consumo foi percebido durante a semana que antecedeu a Páscoa. “A quantidade de ovos sobrando nos supermercados foi muito grande. Isso serve como um termômetro para quem espera alavancar as vendas durante o Dia das Mães.” Ele reforça que a conjuntura econômica é desfavorável. “Além da inflação, tem o câmbio, que encareceu componentes de produtos como eletrônicos e eletrodomésticos, bastante comercializados durante nesse período”, explica.

Osmil Galindo lembra também que o poder de consumo estagnou e avalia que o brasileiro está pisando no freio na hora de comprar porque “está aprendendo a ser prudente com as finanças”. Com relação às contratações temporárias, Galindo diz que elas dependem das expectativas dos lojistas. “Se eles mesmos estão com projeções baixas, a tendência é que o número de postos de trabalho gerados também seja menor.”

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