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Reviravolta » Passagens aéreas mais baratas durante a Copa do Mundo Com baixa procura, quem viajar de 12 de junho a 13 de julho vai pagar menos para se deslocar de avião no país

Pedro Rocha Franco -

Publicação: 26/04/2014 09:02 Atualização:

Com quase 10 milhões de passagens aéreas disponíveis faltando um mês e meio para a bola rolar na Copa do Mundo, os preços finalmente dão sinais de recuo. Os valores que assombraram brasileiros e estrangeiros principalmente nos últimos meses do ano passado, chegando em muitos casos a superar R$ 3 mil por trecho, voltam a se encaixar em patamares próximos da normalidade do setor com o receio de encalhe. Com isso, apesar de as companhias aéreas indicarem aos clientes ser melhor efetuar as compras com pelo menos três meses de antecedência, neste caso, quem deixou para a última hora pode se dar melhor.

O ritmo de compras das passagens tem sido bem acanhado. Em janeiro, 4% tinham sido compradas. Três meses depois, o percentual triplicou, mas longe ainda de atingir a metade dos bilhetes disponíveis. O último balanço, divulgado ontem, mostra que 2,17 milhões (18,9%) de passagens foram vendidas. A média nacional é próxima de 80% de ocupação. As companhias disponibilizaram 11,5 milhões de passagens para os 15 aeroportos das cidades-sede no período de 6 de junho a 16 de julho. Do total, 850 mil passagens têm o aeroporto de Confins como destino. Mas apenas 16,8% dos bilhetes que têm o aeroporto mineiro como destino foram vendidos por enquanto. Ou seja, restam mais de 700 mil.

Levantamento feito pelo Estado de Minas de passagens no período da Copa’2014 mostra que é possível achar bilhetes por preços “razoáveis”. Ida e volta para o Rio de Janeiro com origem em BH, por exemplo, sai por R$ 254. Para Recife, as passagens saem por R$ 811. Se o destino escolhido é Salvador, pode-se encontrar passagem por R$ 699 para ir um dia antes do clássico entre Espanha e Holanda na Fonte Nova, retornando no dia seguinte. Quem for para Fortaleza um dia antes do jogo entre Brasil e México, dia 17 de junho, retornando também no dia seguinte, pode pagar R$ 1.342 pelos dois trechos. E mais: não é difícil achar rotas diretas. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), nos três primeiros meses do ano, o item passagem aérea acumula quedas, com redução de 15,45%.

De acordo com a TAM, 80% das passagens vendidas para o período têm preços inferiores a R$ 500. Atualmente, metade dos bilhetes são vendidos abaixo deste valor, sendo que 30% têm preço menor que R$ 200. A companhia diz, em nota, que a política tarifária é similar à de outras datas de alta demanda, como carnaval e férias. “Os preços variam de acordo com fatores como demanda, horário de voos, antecipação da compra e tempo de permanência no destino”, diz trecho do texto. No caso da Gol, a companhia diz que 85% das passagens podem custar até R$ 499, se considerada a proximidade da data da viagem. O restante supera tal valor. Para aproveitar os preços, a empresa orienta que, além de antecedência, o viajante permaneça pelo menos 10 dias no destino e compre ida e volta.

Perspectiva

A expectativa das empresas era que o volume de vendas fosse superior, mas avaliam que a tendência é de aumento da procura daqui em diante, considerando que boa parte dos ingressos já foi comercializada. Caso isso não se sustente, a Copa do Mundo pode ter efeito negativo para as aéreas. Isso porque, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), devido à alta demanda turística no período da Copa do Mundo, a tendência é que eventos corporativos sejam programados para outras datas, o que acarreta em queda considerável da compra de passagens no período. Atualmente, no Brasil, entre 70% e 75% do tráfego são do setor corporativo, além de esses passageiros terem tíquete médio mais caro. O prognóstico se baseia na experiência de África do Sul, Alemanha e Imglaterra.

Segundo o gerente de Planejamento de Viagens e Produtos da Master Turismo, Felipe Dias, um dos motivos para a redução é o desbloqueio feito pelas agências da Fifa. Antes do anúncio do país que sediaria a Copa do Mundo, a entidade organizadora tinha feito uma reserva considerável de passagens e quartos de hotel para repassar aos convidados e patrocinadores. Depois de definidos os locais dos jogos e com demanda inferior à projetada, a federação cancelou as reservas. O mecanismo era parte dos contratos. “O evento está chegando e jogaram tudo no chão. O preço está legal. Estava tudo super caro”, afirma Dias. Ele conta que há seis meses comprou passagem para Brasília para assistir à semifinal. Por trecho, pagou R$ 1 mil (R$ 2 mil no total). Dias atrás, conseguiu ida e volta por R$ 400. “Cancelei a passagem, pedi o reembolso e comprei com os novos valores”, afirma ele, que economizou mais de R$ 1 mil. O irmão fez o mesmo.

Esforço derrubou abusos

Entre as explicações para o refresco no valor das passagens aéreas com a proximidade de a bola rolar na Copa do Mundo estão a cotação do dólar, o aumento da oferta e a fiscalização de abusos por parte dos órgãos de defesa do consumidor. Depois de verificada a alta nos preços das passagens, uma série de medidas foi adotada pelo governo federal para forçar que os bilhetes invertessem o caminho. Até a abertura do mercado doméstico para empresas estrangeiras durante o período do evento esportivo entrou na pauta. Mas não passou de ameaça, depois de discutida a constitucionalidade da medida.

Em contrapartida, um rearranjo nos quadros do espaço aéreo permitiu às companhias incluir quase 2 mil novos voos durante a Copa. Além disso, foi criado um grupo para monitorar os preços das passagens a cada 15 dias, formado pela Agência Nacional de Aviação Civil e pela Secretaria Nacional do Consumidor, órgão ligado ao Ministério da Justiça.

O último balanço da equipe, referente a janeiro, mostra que, em média, as passagens estão 25% mais baratas que as ofertadas em outubro, quando teve início o trabalho de fiscalização. O preço médio cobrado era de R$ 481,43 para as passagens com origem ou destino em uma das 12 cidades-sede nos meses da Copa. Em novembro, subiu para R$ 491,33 e, em dezembro, oscilou para R$ 461,20. Em janeiro, depois de a Anac ter autorizado os novos voos e de terem sido definidos os palcos dos jogos, o valor caiu para R$ 361,33. Não à toa, depois dessa redução, o percentual de vendas também aumentou. Segundo a Anac, “até o momento, não foram verificados abusos”.

A cotação do dólar também é outro fator que ajuda na redução das passagens. Em dezembro, a moeda norte-americana valia R$ 2,35 ante o real. Ontem, estava a R$ 2,24. Segundo as empresas aéreas, aproximadamente 70% dos custos de um voo estão atrelados ao dólar. São eles o arrendamento de aeronaves, a manutenção e o combustível.

 

 

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