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Pessimismo » FMI diz que Brasil crescerá menos do que mundo, América Latina e emergentes

Agência O Globo

Publicação: 24/04/2014 19:46 Atualização:

Um relatório do Fundo Monetário Internacional afirma que o Brasil deve encerrar este ano com taxa de crescimento menor do que a média mundial, da América Latina e dos país emergentes e que, mesmo com a alta dos juros, a inflação ficará próxima do teto da meta fixada pelo governo. De acordo com o estudo "Perspectivas econômicas das Américas, desafios crescentes", a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, total das riquezas produzidas) será de menos de 2%, contra 2,5% na América Latina, 3,5% na média mundial e 4,9% nos países emergentes.

O FMI também destaca que as chuvas abaixo da média, que vem ocorrendo no Brasil desde o ano passado, levaram o governo a arcar com o custo da energia de substituição hidrelétrica com potência térmica mais cara e repasses de recursos para as empresas. " O setor de energia elétrica pode absorver subsídios por algum tempo, mas ao custo de menor investimento e , em última análise , a capitalização , o que terá consequências para o resto da economia e , em última instância , para as finanças públicas", ressalta o texto.

De acordo com o FMI, a atividade econômica do Brasil é limitada "por restrições de fornecimento no mercado interno, especialmente na área de infraestrutura e pelo baixo crescimento do investimento privado. Estes itens, diz o texto, parecem refletir a perda de competitividade, a queda na confiança dos empresários e o aumento no custo dos financiamentos.

O relatório também afirma que o ajuste da política monetária (alta dos juros) não será capaz de tirar a inflação do teto da meta ( 6,5%) por causa da limitada capacidade de produção, da inflação inercial e do impacto da alta do dólar sobre os preços no mercado doméstico.

No aspecto fiscal, o texto destaca que países como Brasil, Chile, Colômbia , El Salvador e México adotaram política anticíclica nos últimos anos, ou seja, utilizaram os gastos públicos ou isenção de impostos para estimular o crescimento. E chama a atenção para atributos importantes para a política fiscal sólida, como sustentabilidade, transparência e eficiência fiscal, que devem ser reforçados.

O relatório afirma que o crescimento mundial ganhou força no segundo semestre do ano passado e deve aumentar ainda mais neste ano, impulsionada pela recuperação das maiores economias do mundo, como Estados Unidos, com taxa de 2,8% estimada para este ano e zona do euro, 1,2%. As projeções são de que o crescimento médio tenha ficado em 3% em 2013 e chegue a 3,6% neste ano e quase 4% em 2015.

Para os mercados emergentes, a expectativa é de expansão moderada e para América Latina e Caribe, um ritmo lento neste ano. Isso porque a esperada recuperação dos Estados Unidos e outras economias estimulam as exportações dos países dessas regiões, mas a queda nos preço das commodities no mercado internacional e a alta no custo de financiamento externo tendem a afetar o mercado doméstico. Assim, a estimativa é que a América Latina cresça 2,5% neste ano, menos do que os 2,75% de 2013 e bem abaixo das taxas verificadas entre 2010 e 2012. Para 2015, a projeção é chegar a 3%.

No Brasil, de acordo com o FMI, o crescimento continuará moderado, em função principalmente do baixo nível de confiança dos empresários que afeta negativamente o investimento privado. Já a Argentina e Venezuela enfrentam situação mais difícil, por causa dos desequilíbrios macroeconômicos e políticos. Já o México deve apresentar uma expansão mais significativa, beneficiado pela recuperação americana.

Para a região como um todo, o Fundo vê os riscos de deterioração, incluindo possíveis novos episódios de volatilidade mercados financeiros e uma queda dos preços das matérias-primas maior do que a esperada.

O nível de comércio entre a Argentina e países vizinhos é relativamente baixo. No caso do Brasil, presentam 8% das exportações totais, porém 85% são de produtos manufaturados, sobretudo bens duráveis, por isso, alerta o FMI, um choque negativo naquele país teria impacto sobre setores específicos da economia brasileira.

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