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Setor elétrico » Perto do fim do período chuvoso, governo ignora risco de racionamento elétrico e adia medidas

Correio Braziliense

Publicação: 23/04/2014 08:52 Atualização: 23/04/2014 09:50

Apesar da crescente insegurança do mercado com o abastecimento nacional de eletricidade, o governo preferiu anunciar medidas corretivas apenas nos 45 minutos do segundo tempo, quando poderá ser tarde demais. Em abril, no derradeiro mês do período chuvoso, os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste estão com 37% da sua capacidade, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O ideal, dizem as próprias autoridades, é entrar na estação seca, a partir de maio, com o nível das represas em, pelo menos, 43%.

Ontem, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, minimizou o problema. Segundo ele, o clima úmido ainda não acabou. “Está chovendo. Temos alguns dias pela frente, e é preciso aguardar o fechamento de abril para ver o volume de água nos rios, que importa mais do que a chuva, apesar de uma coisa depender da outra. Isso porque quando chove nas cabeceiras leva um tempo para a água fluir e chegar aos reservatórios”, explicou.

Rufino destacou que possíveis medidas só serão avaliadas na próxima reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), marcada para a primeira semana de maio. “A não ser que haja alguma convocação extraordinária antes disso”, ressaltou. O diretor da Aneel afirmou, contudo, que o primeiro empréstimo bancário para cobrir os altos custos das distribuidoras em razão da estiagem será de R$ 4,7 bilhões.

O valor corresponde a 42% dos R$ 11,2 bilhões que devem ser captados para cobrir gastos extras no setor este ano, reflexo do uso intensivo de termelétricas. Ontem, assembleia geral extraordinária da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aprovou a contratação do empréstimo para ajudar as distribuidoras com gastos a curto prazo. Nove dos 13 bancos anunciados como participantes da operação confirmaram. Outros dois ainda avaliam.

Os analistas consideram essas medidas apenas paliativas porque não garantem a redução do consumo, apenas a elevação dos custos, considerando que os empréstimos das distribuidoras serão pagos pelos consumidores, com o aumento da tarifa no ano que vem. Enquanto isso, os reservatórios estão com o segundo nível mais baixo para o período, atrás apenas de 2001, ano em que houve racionamento de energia no país. Os maiores riscos estão justamente no Sudeste e no Centro-Oeste. Furnas, por exemplo, que representa 17,42% das regiões, opera com 28% da capacidade e uma das usinas do complexo com menor nível é a de São João da Barra.

Na avaliação do presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello, o setor está preocupado porque já passou da hora de o governo tomar uma medida. Segundo ele, a administração petista tem um problema de mencionar a palavra “racionamento” para não dar o braço a torcer. No entanto, afirmou Mello, o governo deveria pedir à população para economizar energia já. “Ao contrário, decidiram pedir isso às indústrias, que têm compromissos e precisam de energia para produzir”, observou Mello.

O especialista disse que, ao “empurrar com a barriga”, o governo já está comprometendo o desempenho energético de 2015. “Vai queimar o estoque dos reservatórios até o fim do ano e depender de muita chuva para ter energia no ano que vem. Mas parece que o interesse do governo é focar as eleições presidenciais”, lamentou. Mello lembrou que algumas indústrias estão parando a produção para vender energia elétrica e ter maiores ganhos, dado o altíssimo preço do megawatt/hora (MWh) no mercado livre, que passou de R$ 822 em fevereiro, o maior da história.

Racionalidade


Para o diretor da CMU Comercializadora de Energia, Walter Fróes, a situação é dramática, embora o governo continue achando que está tudo sob controle. “Quanto mais tempo demorar para tomar uma atitude, mais drástica ela terá que ser. Já podia ter havido cortes desde janeiro ou pedir racionalidade do consumo”, observou. Segundo ele, já foram gastos R$ 50 bilhões a mais em energia este ano. “É uma temeridade o governo não tomar providências, com os olhos só nas eleições”, alertou.

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