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Tecnologia » Inovar para continuar no mercado Empresariado local vem despertando para a importância da inovação tecnológica para manter-se competitivo

Rosa Falcão

Publicação: 19/04/2014 17:00 Atualização: 17/04/2014 22:41

ConcrEpoxI investiu R$ 15 milhões em equipamento para automatizar toda a produção. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
ConcrEpoxI investiu R$ 15 milhões em equipamento para automatizar toda a produção. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
O perfil das novas indústrias que se instalam em Pernambuco, movidas pela alta tecnologia e pela inovação, acendeu a luz vermelha do empresariado local. Não é para menos. As máquinas modernas, aliadas à automação dos processos produtivos, se confrontam com parques fabris defasados, montados há mais de 30 anos. Para não ficar para trás, alguns segmentos empresariais investem em equipamentos e contratam mão de obra qualificada fora do país para enfrentar a concorrência e, claro, ofertar produtos de qualidade.

Esta é a aposta da ConcrEpoxI Artefatos, empresa derivada da Concrepoxi Engenharia, há 33 anos no mercado de construção. A opção pela tecnologia de ponta no processo produtivo exigiu o investimento de R$ 15 milhões na instalação da fábrica. A área escolhida é estratégica, no território do condomínio Cone Suape, em Jaboatão dos Guararapes. Lá ficará localizado o “cluster” de concreto. São empresas que fornecerão placas e pisos de concreto para as novas indústrias que chegam ao Complexo de Suape.

A vibra prensa é o equipamento mais moderno que processa blocos de concreto, com a tecnologia europeia de dupla prensa. Importada da Europa, a máquina é o coração da fábrica, cuja produção é 100% automatizada.  “Desde que a máquina é alimentada com o insumo básico até a saída do produto, todo o circuito é controlado no computador por uma única pessoa”, diz a diretora-executiva da ConcrEpoxI, Renata Gaudêncio.

O espanhol Alberto Cañizares, à frente da máquina importada, comanda sozinho a linha de produção. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
O espanhol Alberto Cañizares, à frente da máquina importada, comanda sozinho a linha de produção. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
Ela se refere ao espanhol Alberto Cañizares, 27 anos, natural da cidade de Granada. Ele opera solitário, de uma sala de controle, uma máquina gigantesca. Foi contratado por dois anos, mas poderá renovar o contrato por igual período. O desemprego na Europa atraiu o estrangeiro para Pernambuco. Experiente no chão de fábrica, Alberto será o agente multiplicador para treinar a mão de obra local.

Como o pernambucano Lucas Silva Santos, 25 anos. Ele entrou na Concrepoxi Engenharia como servente de obra. Agora foi transferido para a nova fábrica do grupo para operar a empilhadeira e ser capacitado para outras funções. Por iniciativa própria, iniciou o curso de espanhol para se comunicar com o companheiro de batente. “Meu plano para o futuro é aprender a operar esta máquina”, vislumbra.

Investir em tecnologia e inovação é a chave para as empresas pernambucanas se inserirem na cadeia de fornecedores das novas indústrias. São elas: naval, petróleo e gás, petroquímica, farmacoquímica, automotiva. Uma lista de clientes exigentes que demanda insumos de qualidade.

Diante da atual demanda, a Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) instalou o Conselho Empresarial Inova PE, reunindo as lideranças empresariais, os órgãos de pesquisa (Facepe e Itep) e as universidades. A ideia é articular o setor produtivo, o poder público e as universidades para traçar os novos caminhos da indústria.

Um dos coordenadores de implantação da nova política industrial do Sistema Fiepe, Antônio Carlos Maranhão Aguiar, destaca que Pernambuco possui base industrial formada majoritariamente por microempresas e pequenas empresas. “Este é o problema de investimento em projetos de inovação.  É um desafio quase insuperável”, assinala.

O economista da Ceplan Consult, Valdeci Monteiro, acrescenta que a economia pernambucana passou 20 anos estagnada. “Há empresas do setor têxtil, por exemplo, que operam com maquinário de mais de 30 anos”. Segundo ele, num ambiente cada vez mais competitivo, essa fragilidade da indústria local se acentua e rebate na produtividade das empresas.

Mas há algo novo no horizonte. De acordo com o economista da Ceplan Consult, nos municípios de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Petrolina existem empresários que estão antenados com a nova realidade econômica. “Eles reconhecem que estão defasados, precisam melhorar o parque industrial, mas esbarram na dificuldade de capital, financiamento e na burocracia”. O fato concreto é que, para enfrentar a concorrência, a indústria inova ou fica para trás.

 

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