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Reação » IBGE para contra a suspensão da Pnad

Correio Braziliense

Publicação: 16/04/2014 09:23 Atualização:

Os técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) devem paralisar as atividades nesta quarta-feira (16) em protesto contra a interrupção da divulgação dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Apesar da tentativa do governo e da direção do órgão de colocarem panos quentes na crise que se instaurou no órgão após a suspensão do levantamento, os servidores não descartam a possibilidade de uma greve por tempo indeterminado.

Ontem, durante a divulgação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2015, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, tentou minimizar o problema e evitar que o órgão caia no mesmo descrédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que, recentemente, divulgou dados errados de um levantamento sobre violência contra a mulher. Enquanto isso, a presidência do IBGE tenta, internamente, acalmar os ânimos e promete reunião com todos os chefes das unidades estaduais.

A ministra considerou que a crise foi gerada por uma falha do IBGE na interpretação dos prazos de entrega dos resultados finais da Pnad Contínua e enfatizou que o instituto não sofre ingerência política, tendo plena autonomia na realização das pesquisas. Ela negou, com veemência, que exista algum receio em relação a um possível resultado negativo do levantamento. “Se tem uma coisa que não preocupa são os números de criação de vagas de trabalho. Emprego é uma discussão que esse governo não teme”, afirmou.

A Pnad Contínua, feita com abrangência nacional, deve substituir a Pnad anual e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) no ano que vem, mas alguns de seus dados já estão sendo divulgados trimestralmente, desde o ano passado. Em janeiro último, o levantamento revelou que a taxa de desocupação no país foi de 7,4% no segundo trimestre de 2013, bem mais alta que a média de 5,9% registrada naquele período pela PME, que se limita a coletar dados em seis regiões metropolitanas.

Insatisfação

A confusão começou quando a senadora, ex-ministra da Casa Civil e candidata ao governo do Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), apoiada por outros parlamentares, levantou dúvidas sobre a metodologia da Pnad. O indicador de renda per capita domiciliar, um dos dados captados pela pesquisa, deverá ser usado no cálculo da distribuição dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) a partir de 2015. Pelo cronograma do instituto, no entanto, a informação só deveria ser publicada em janeiro de 2016.

Alegando falta de pessoal técnico para fazer as adaptações no levantamento e, ao mesmo tempo, manter a divulgação dos números que já estão sistematizados, a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, suspendeu a pesquisa para reavaliar cronograma e metodologia. O objetivo é “fazer uma análise profunda dos dados já existentes para ter o indicador a tempo”, informou a assessoria de imprensa do instituto.

A decisão levou duas diretoras do IBGE a pedirem demissão e motivou um posicionamento público de técnicos e coordenadores contra a suspensão. Segundo Miriam Belchior, o problema está sendo resolvido pela própria coordenação do instituto, “que é onde essas questões devem ser tratadas”. “É claro que estou acompanhando, porque é um órgão vinculado ao meu ministério. Mas eu quero que o IBGE me diga o que tem que ser feito”, afirmou.

Dentro do instituto, Wasmália Bivar já se comprometeu, em programa interno de televisão, a fazer teleconferência para ouvir a opinião da chefia das unidades nos estados. Além disso, convocou os coordenadores contrários ao adiamento, que ameaçaram também se demitir, e pediu dois meses para avaliar a situação.

Na segunda-feira, os técnicos do IBGE chegaram a apresentar uma carta aberta em que se comprometem a levantar o indicador de renda per capita domiciliar e, ao mesmo tempo, manter a divulgação gradativa dos dados, como estava programado anteriormente. A presidente do órgão não descartou essa possibilidade e afirmou que vai estudar o caso.

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