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Alerta ao consumidor » Operação conjunta interdita supermercados Kennedy e Leão, no Cordeiro

Augusto Freitas

Publicação: 15/04/2014 12:53 Atualização: 15/04/2014 13:03

Supermercado Kennedy apresentou várias irregularidades no tratamento, armazenamento e venda de carnes, segundo a Vigilância Sanitária do Recife (Augusto Freitas/DP/DA Press)
Supermercado Kennedy apresentou várias irregularidades no tratamento, armazenamento e venda de carnes, segundo a Vigilância Sanitária do Recife
A Vigilância Sanitária do Recife e o Procon-PE voltaram a interditar supermercados do Grande Recife por desrespeito aos consumidores. Na manhã desta terça-feira (15), dois estabelecimentos com grande movimentação na Zona Oeste, Kennedy e Leão, ambos no Cordeiro, foram interditados por cinco dias até que as falhas sejam corrigidas. No Kennedy, a interdição foi total. O Leão teve apenas os setores de frios, fracionamento de carnes e padarias fechados por igual período.

A operação conjunta de fiscalização, que tem contado com o apoio do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE), Delegacia do Consumidor, Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-PE) e Agência de Defesa Agropecuária de Pernambuco (Adagro-PE), flagrou irregularidades semelhantes às encontradas em outros estabelecimentos verejistas interditados no Recife em pouco mais de 30 dias.  

Na rede Kennedy, a vistoria constatou falhas graves: lotes de carnes de frango, boi e porco estragadas e alimentos vencidos e acondicionados em temperatura inadequada, o que compromete a conservação dos produtos. A inspeção encontrou ainda fezes de ratos entre os alimentos e carnes em estado de decomposição prestes a serem comercializadas. Parte das ilhas (prateleiras) de exposição de frios apresentava muita ferrugem. Cerca de meia tonelada de alimentos foi confiscada pelos órgãos. A higiene dos locais vistoriados também foi considerada precária.

“A água consumida pelos funcionários do supermercado não tinha tratamento com filtro, era de cisterna. O que chama atenção é que já vínhamos alertando os donos de supermercados, sejam eles grandes, médios ou pequenos. Mas as falhas continuam. As operações não vão parar por que é a saúde e o direito dos consumidores que estão sendo resguardados”, explicou José Rangel, coordenador geral do Procon-PE.

Segundo a Vigilância Sanitária, o Kennedy do Cordeiro já havia sido alvo de outra fiscalização, durante o carnaval, na qual foram encontrados alimentos com prazos de validade vencidos e adulterados, pizzas, carnes e queijos desbongelados, charque sem registro da Adagro-PE, entre outras irregularidades. Na vistoria de hoje, uma grande quantidade de queijo de coalho foi considerada imprópria para o consumo. O supermercado não tinha autorização da Adagro-PE para fracionar alimentos como queijos, presuntos e charques.

O Procon-PE informou que, após a instaurar o processo administrativo, o supermercado pode ser multado em cerca de R$ 200 mil. Segundo os fiscais, os funcionários ainda tentaram burlar alguns problemas ao perceberem a chegada da equipe, que encontrou baratas nas gôndolas de verduras e mistura de alimentos como carnes, queijos e iogurte na mesma câmera fria, quando o indicado é o armazenamento em separado. O responsável pela gerência da loja, identificado como Domênico, não quis falar com a imprensa sobre a operação.

No Leão, a inspeção constatou problemas, principalmente, no açougue, que apresentava péssimas condições de higiene. Os fiscais encontraram carnes (boi, frango, pouco e peixes) sendo fracionadas e misturadas em um mesmo depósito, o que é proibido pelas normas sanitárias. Além disso, o local estava armazenando latas de cervejas junto com as carnes, que deveriam ficar em um armazém próprio para bebidas. A vistoria confiscou 60 quilos de carne de boi, frango, porco e queijos estragados e impróprios para o consumo.

“Carnes estragadas e vencidas estavam sendo armazenadas junto com outras próprias para o consumo. Hamburgueres estavam descongelados, o que comprova a temperatura inadequada de conservação. O Leão não tem autorização da Adagro-PE para fracionar carnes e queijos, mas estava fracionando e vendendo os insumos. A câmara fria também apresentava um vazamento de água. Já na padaria, percebemos que as condições de higiene não eram boas, com muita sujeira e pouco espaço”, informou Adeilsa Ferraz, gerente de fiscalização da Vigilância Sanitária do Recife.

O gerente do Leão, José Inácio Filho, disse que as carnes supostamente estragadas não estavam sendo vendidas aos consumidores, mas admitiu as falhas constatadas pelos fiscais no supermercado. “Agora vamos corrigir o que precisa ser modificado para voltarmos a funcionar o mais rápido possível”, pontuou. Filho foi levado à Delegacia do Consumidor, na Boa Vista, em companhia do gerente do Kennedy, para prestar esclarecimentos ao delegado titular, Roberto Wanderley. A multa ao Leão só vai ser definida após o processo administrativo.

Alerta

O coordenador geral do Procon-PE, José Rangel, deixou claro que as operações de fiscalização nos supermercados do Grande Recife vão continuar. Ele alertou os consumidores para permenecerem vigilantes ao comprar os produtos, principalmente carnes e derivados do leite. “É preciso ter muita atenção para não comprar um produto estragado. O consumidor deve evitar comprar carnes e queijos fracionados e embalados. Ele deve pedir ao funcionário para conferir o prazo de validade e fracionar os produtos na sua presença”, completou.

Com as interdições de hoje, sobe para sete o número de estabelecimentos interditados totalmente ou parcialmente pelo Procon-PE e Vigilância Sanitária do Recife, com o apoio da Delegacia do Consumidor, Ipem, MPPE e Adagro-PE, em um intervalo de pouco mais de 30 dias. Todos os estabelecimentos foram fechados por razões semelhantes, como a prática ilegal de comercializar mercadorias impróprias para o consumo e vencidas.  

No mês passado, as interdições ocorreram no Extra, da Avenida João de Barros (cinco dias), Pão de Açúcar da Avenida Rosa e Silva (interdição no setor de refeições, liberada no mesmo dia após as correções), Extrabom e Bompreço (cinco dias), em Casa Amarela, Carrefour (cinco dias), na Avenida Domingos Ferreira, em Boa Viagem, e Deskontão (cinco dias), na Ceasa, no Curado.As denúncias dos consumidores à Vigilância Sanitária podem ser feitas através dos telefones 0800 281 1520 ou (81) 3355-5416.

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