• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Energia » Hidrelétricas podem ser desligadas à noite

Correio Braziliense

Publicação: 14/04/2014 08:56 Atualização:

O risco de racionamento de energia elétrica é cada vez maior com o prolongamento da estiagem. Se o apagão se concretizar, analistas avaliam que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolherá ainda mais em 2014 e potencializará as chances de a atividade econômica ficar próxima de zero no próximo ano. Apesar do discurso otimista determinado pela presidente Dilma Rousseff, o governo já teve acesso a dados que indicam que o período de seca a partir de maio pode ser mais forte que o esperado, justamente quando a demanda deverá aumentar por causa da Copa do Mundo.

Caso isso ocorra, o Palácio do Planalto terá de obrigar os brasileiros a diminuírem o consumo de energia, algo com potencial explosivo para a candidatura à reeleição de Dilma, que, para garantir votos, interveio nas concessionárias e as obrigou a reduzir as tarifas sem dar as devidas condições para isso. O dado mais assustador para o governo foi apresentado em uma reunião de emergência, na quarta-feira, com representantes do setor elétrico pelo Operador Nacional do Sistema (ONS): as represas no Sudeste chegarão ao fim de abril com 36,8% da capacidade de armazenamento em vez dos 43% projetados para não haver racionamento.

Para evitar o corte no consumo, o governo deve recomendar, no curto prazo, um programa de racionalização no uso de energia entre os grandes consumidores industriais. Também poderá obrigar as empresas do sistema Eletrobras a desligarem as turbinas de geração durante a noite. Essa medida, no entanto, tende a ser um tiro no pé, uma vez que aumenta o risco de que os equipamentos sofram panes. Procurado, o Ministério de Minas e Energia negou que haja um risco de racionamento no país e também afirmou que desconhece qualquer debate sobre o incentivo à racionalização de energia.

Nos bastidores do governo, porém, a tensão é grande. E a torcida é para que o quadro hídrico melhore gradativamente. Pelos cálculos do ONS, na região Sul, há perspectivas de alguma recuperação. Tanto que a previsão é de que as reservas das hidrelétricas passem de 39,9% para 42,8%. Mesmo em viagem pelo país, Dilma tem acompanhado diariamente a situação do setor elétrico. A ordem é negar qualquer risco de racionamento, mas, reservadamente, ela discute com os auxiliares a possibilidade de criar uma campanha para incentivar o consumo consciente.

Ações

Na opinião do coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, diante da gravidade da situação, o governo não deveria ter vergonha de estimular os brasileiros a consumirem menos energia elétrica, de maneira voluntária, com a possibilidade de oferecer descontos na conta de luz. Para ele, essa medida não traria grandes impactos à economia e seria uma maneira de combater o desperdício. “O Executivo já tem demorado para colocar isso em prática. Se nada ocorrer e o racionamento vier, a economia brasileira será prejudicada, sobretudo em 2015”, completou.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, criticou o fato de o Executivo transformar as discussões sobre o setor elétrico em agenda eleitoral. Ele destacou que o governo Dilma não toma as providências para conter os problemas de abastecimento porque teme um impacto na campanha à reeleição presidencial. Pires ressaltou que o Planalto tem demonstrado preocupações apenas com o impacto fiscal para custear as termelétricas, em vez de se atentar ao risco de falta de energia. A fatura para o Tesouro Nacional não para de crescer para subsidiar as tarifas. Mesmo assim, a eletricidade ficará, em média, 9,5% mais cara neste ano, conforme previsões do Banco Central.

Segundo o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, caso o racionamento se concretize, as previsões são de que a economia cresça menos que 1,5% em 2014. No entender dele, o potencial de danos ao PIB depende do tempo que durar a ação da obrigatoriedade na redução do consumo.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.