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Inflação » Banco Central deixa porta aberta para novas altas de juros

Agência O Globo

Publicação: 10/04/2014 13:38 Atualização:

O Banco Central deixou a porta aberta para continuar a subir os juros e tentar controlar a inflação. O sinal foi dado na ata da reunião Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada, quando a taxa básica (Selic) subiu de 10,75% ao ano para 11% ao ano. O documento indicou, entretanto, que o aperto da política de combate aos preços altos está perto do fim.

Mas, no encontro da cúpula do BC, os diretores ainda não sabiam do dado do IBGE, divulgado na quarta-feira (9), de que a inflação chegou a 6,15% nos últimos 12 meses. Os especialistas já contam com o estouro do limite máximo de 6,5% da meta para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao longo deste ano, provavelmente, no período eleitoral.

Na ata, o BC reforça sinais de pressão nos preços. A projeção para o aumento na conta de luz, por exemplo, saltou de 7,5% para 9,5% neste ano. A reestimativa já leva em consideração toda a ajuda do governo ao setor elétrico.

A ata inclui um parágrafo explícito sobre o possível fim próximo do ciclo de alta dos juros. Disse que o remédio receitado pelo Copom desde abril do ano passado (quando a Selic estava em 7,25% ao ano) começa a fazer o efeito exatamente como esperado pelo Banco Central. E que a queda da confiança da população deve ajudar a frear o consumo e ajudar o trabalho da autoridade monetária.

"As informações disponíveis sugerem que os impulsos monetários introduzidos na economia desde abril de 2013 têm se propagado normalmente por intermédio dos principais canais de transmissão e que assim tendem a continuar nos próximos trimestres. Nesse sentido, como os efeitos das ações de política monetária sobre a inflação são cumulativos e se manifestam com defasagens, o comitê entende que parte significativa da resposta dos preços ao atual ciclo de aperto monetário ainda está por se materializar", diz a ata do Copom.

 

"Além disso, é plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária tendem a ser potencializados", completa o documento.

Argumento do BC é que a alta de inflação pode ser revertida. Já que a maior pressão vem dos alimentos. E isso é um "choque temporário que tende a reverter nos próximos meses".

Foi justamente esse choque de preços dos alimentos o principal motivo pela surpresa na inflação. A seca e o calor excessivo fizeram com que o IPCA surpreendesse em março e ficasse em 0,92%, ante uma alta de 0,69% no mês anterior.

"Mesmo com o IPCA surpreendente, mantemos a aposta que o Copom vai parar por aí a alta dos juros por entender que o que deveria fazer já foi feito", apostou o economista do Banco Espírito Santo Flávio Serrano.

Na ata, a porta não foi fechada para novos aumentos de juros. Uma frase sucinta sobre o assunto foi incluída no documento."O comitê irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", diz o texto.

"O Copom diz que vai avaliar as condições sobre a inflação no futuro, mas as condições estão dadas e maio será um mês ruim para os preços", previu o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito. "Apesar desse parágrafo que indica o fim do ciclo, acho que haverá pelo menos mais uma alta para ancorar as expectativas".

Antes da divulgação do IPCA surpresa em março e da ata do Copom, a expectativa geral dos analistas do mercado financeiro era que o Copom faria mais uma alta de mais 0,25 ponto percentual na reunião do mês que vem. Com isso, a Selic chegaria a 11,25% ao ano.

Uma semana antes da reunião do Copom, o próprio Banco Central havia divulgado que esperava uma inflação de 6,1% em 2014: muito longe da meta é de 4,5%, mas perto do limite da margem de tolerância de 2 pontos percentuais. A aposta do mercado (feita antes da divulgação dos dados do IPCA na quarta) é que a inflação seja de 6,3% neste ano.

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