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Argentina » Greve geral já atrasa voos para o Brasil

Agência O Globo

Publicação: 10/04/2014 12:03 Atualização: 10/04/2014 13:40

Foto: Lais Telles/Arquivo Pessoal
Foto: Lais Telles/Arquivo Pessoal
A greve geral na Argentina, convocada por sindicatos opositores do governo Cristina Kirchner, já afeta voos entre o Brasil e o país vizinho nesta quinta-feira (10). Segundo a Infraero, quatro voos para Buenos Aires da empresa Aerolineas Argentinas, que sairiam do Aeroporto Internacional Tom Jobim, foram cancelados. Outros quatro voos que chegariam ao Rio vindos da capital argentina também estão cancelados. O primeiro voo do dia decolaria às 5h, e o primeiro vindo de Buenos Aires chegaria ao Rio às 9h25m.

No aeroporto de Guarulhos, três voos (duas partidas e uma chegada), também da Aerolines, durante a madrugada. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), voos da Gol e de TAM para a Argentina operam normalmente.

Entre os grupos contrários à Casa Rosada, estão a Central Geral de Trabalhadores (CGT) liderada por Hugo Moyano, a Central de Trabalhadores Argentinos (CTA) e partidos de esquerda que exigem, entre outras demandas, reajustes salariais sem limitações e em sintonia com a inflação calculada por economistas privados (cerca de 40% para este ano), aumento de aposentadorias, combate à insegurança e narcotráfico. A paralisação afetou todos os meios de transporte: ônibus, trens, metrô, portos e aeroportos, de todo o país. A greve está sendo acompanhada por mais de 40 piquetes na capital e província de Buenos Aires, que tornaram praticamente impossível entrar e sair da cidade.

“Este é um grande piquete nacional, com paralisação total do transporte”, disse o chefe de gabinete, Jorge Capitanich. Na visão dos sindicalistas opositores, a greve é um sucesso. “A maioria dos trabalhadores aderiu ao protesto e ficou em casa. Sobram motivos para reclamar”, declarou Pablo Micheli, da CTA.

Segundo ele, "o governo não pode continuar ignorando os problemas do país". “Aplicaram um reajuste virulento contra os trabalhadores”, disse o sindicalista da CTA, mencionando a dramática escalada da inflação e a maxidesvalorização sofrida pelo peso argentino em janeiro passado, a mais alta dos últimos 12 anos.

Os sindicatos opositores argentinos estimam que nos últimos três meses os salários reais recuaram entre 10% e 12,9%, em consequência da inflação e desvalorização. Nos últimos 12 meses, Moyano e seus aliados calculam que os preços subiram 30% no país, bem acima das medições do Indec. Apesar de ter modificado sua metodologia de cálculo da inflação, como exigira o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Indec continua sendo questionado pela oposição, política e sindical.

“A presidente vive no país das maravilhas, rodeada de mentiras”, afirmo Luis Barrionuevo, outro dos líderes sindicais que está comandando a greve desta quinta-feira.

Apesar da alta adesão à greve, pesquisas divulgadas nos últimos dias mostraram que a maioria dos argentinos não sabia os motivos da paralisação. Perguntados sobre quais são os principais problemas da Argentina, entrevistados pela empresa de consultoria Raúl Aragón e Associados mencionaram "a insegurança e o narcotráfico".

“Para o governo tudo é uma sensação, a insegurança, o narcotráfico e a inflação. Mas é uma realidade e por isso estamos protestando”, enfatizou Barrionuevo.

Os sindicatos do setor de transportes mencionaram nesta quinta a possibilidade de convocar uma nova greve, no curto prazo, por um período de 36 horas. A paralisação desta quinta termina, em princípio, à meia noite. Em alguns piquetes, por exemplo, na autoestrada Panamericana, uma das principais vias de acesso a Buenos Aires, ocorreram incidentes entre manifestantes de partidos de esquerda e agentes da Gendarmeria Nacional (corpo de segurança nacional do país). Moyano e Barrionuevo questionaram os bloqueios de estradas e ruas, afirmando que este tipo de iniciativas "prejudica os que querem circular".

“Querem sitiar as cidades como faziam na Idade Média”, criticou o chefe de gabinete. A última greve geral convocada pelos sindicatos opositores na Argentina ocorreu em novembro de 2012, e paralisou parcialmente o país.

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