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Paralisação » Greve geral na Argentina retém brasileiros em Buenos Aires

Diario de Pernambuco - Diários Associados

AFP - Agence France-Presse

Publicação: 10/04/2014 11:07 Atualização: 10/04/2014 16:52

Greve geral na Argentina paralisou totalmente os voos nos dois aeroportos de Buenos Aires, Aeroparque e Ezeiza (Laís Telles/Divulgação)
Greve geral na Argentina paralisou totalmente os voos nos dois aeroportos de Buenos Aires, Aeroparque e Ezeiza
A greve geral na Argentina convocada pelos sindicatos contrários à presidente Cristina Kirchner, para exigir melhores salários e protestar contra a inflação, teve início no primeiro minuto desta quinta-feira (10) e está causando grandes transtornos à população e aos turistas brasileiros e de outras nacionalidades. Há, inclusive, pernambucanos retidos em Buenos Aires sem poder voltar ao Brasil.

A fotógrafa pernambucana Laís Telles, 21, e o namorado dela, o produtor Thiago Salomão, 23, foram impedidos de embarcar de volta ao Brasil na manhã de hoje. O casal tinha o voo de volta marcado às 6h30 pelo Aeroporto Jorge Newbery (Aeroparque), mas só deve sair de Buenos Aires na manhã desta sexta-feira (11). Segundo Laís, tudo está parado na capital argentina neste momento. Em entrevista ao Diario pelo aplicativo whatsapp, Laís contou como está a situação após a paralisação geral.

“Os dois aeroportos de Buenos Aires (Ezeiza e Aeroparque) estão fechados e só autorizam a remarcação de voos. Tem pouquíssimos táxis circulando nas ruas da capital e os taxistas que estão trabalhando cobram uma fortuna pela corrida. Também não há ônibus circulando nas ruas. Na verdade, ninguém sai nem entra na Argentina neste momento. Padarias, supermercados e lanchonetes estão todos fechados, quase tudo não funciona. Consegui remarcar meu voo para amanhã, às 6h30, com previsão de chegada no Recife às 19h30. Espero que dê tudo certo”, contou.

De acordo com Laís, a situação se agrava ainda mais por que a companhia aérea Gol informou aos passageiros que não irá arcar com as despesas de hotel para os brasileiros que estão retidos em Buenos Aires. “A Gol informou que não vai pagar hotel por que alega que não tem ligação com a greve geral, já que o problema é com o governo argentino. Gastei todo meu dinheiro que sobrou por que não ia voltar com pesos para o Brasil. Vou tentar sacar mais dinheiro, já que conseguimos reservar um hotel em Palermo até amanhã via cartão de crédito”, completou.

A reportagem do Diario também procurou a Infraero para saber se há consequências da greve geral no Aeroporto Internacional Gilberto Freyre (Guararapes), no Recife. O órgão informou que no momento não há cancelamentos e que os passageiros estão embarcando normalmente. A estatal também explicou que os serviços estão normalizados por que não há voos diretos entre o Recife e Buenos Aires, sendo obrigatória as conexões por meio do Aeroporto Internacional André Franco Montoro (Guarulhos), em São Paulo. Sendo asism, a Infraero afirmou que a logística de transporte dos passageiros é realizada em Guarulhos.

Greve geral

Três das cinco centrais sindicais da Argentina convocaram a greve para rejeitar a tentativa da presidente Cristina Kirchner de limitar os reajustes salariais discutidos nos acordos coletivos, e para exigir mais segurança diante da onda de criminalidade que atinge as grandes cidades do país.

"Os trabalhadores dizem ao governo: Chega! Greve geral!”, destacou o caminhoneiro Hugo Moyano, principal líder do protesto e titular da ala não-governista da CGT.

Manifestantes bloqueiam uma estrada em Buenos Aires. Foto: Daniel Garcia/DP/D.A Press
Manifestantes bloqueiam uma estrada em Buenos Aires. Foto: Daniel Garcia/DP/D.A Press
A chave do sucesso da greve de 24 horas será a adesão dos maquinistas de trens e metrô, motoristas de ônibus e caminhoneiros, técnicos aeronáuticos e navegadores fluviais, que poderão paralisar o país.

"Todos tem o direito à greve e está bem", disse Kirchner, cujo governo enfrenta uma inflação de 30% ao ano e uma onda de criminalidade que se tornou a principal preocupação dos argentinos.

O governo tenta impedir os reajustes salariais discutidos entre patrões e empregados, apesar de a grande maioria dos sindicatos já ter acertado aumentos em torno dos 30%, o que vai puxar ainda mais a inflação.

A Argentina tem 10 milhões de trabalhadores registrados, e ao menos 40% são filiados a algum sindicato. O número de assalariados sem registro é estimado em quatro milhões.

"É uma greve política, este não é o momento de parar", disse Antonio Caló, líder de 150 mil metalúrgicos reunidos na ala governista da CGT. Moyano foi candidato à presidência em 2011 com seu pequeno partido Cultura, Educação e Trabalho, e agora busca construir o braço sindical da Frente Renovadora, do deputado peronista dissidente e presidenciável Sergio Massa.

A esquerda "trotskista" organizará piquetes em avenidas e estradas para apoiar a greve, mas as demais organizações não promoverão protestos nas ruas. "Nunca sou a favor de greve, mas não é possível viver com este nível de inflação", disse Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires e um dos presidenciáveis para 2015 pelo partido opositor Proposta Republicana (PRO, direita).

A última greve geral convocada pelos sindicatos opositores na Argentina ocorreu em novembro de 2012, e paralisou parcialmente o país.

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