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PIB » Crescimento global volta a ser puxado por países ricos, diz FMI

Agência O Globo

Publicação: 08/04/2014 16:58 Atualização:

Os países ricos, especificamente os Estados Unidos, reencontraram em 2014 o caminho do crescimento e passaram a ser a principal influência positiva à expansão da economia mundial, avalia o Fundo Monetário Internacional (FMI) na nova edição do relatório trimestral "Panorama da Economia Mundial". A alta do Produto Interno Bruto (PIB) das nações mais avançadas, que foi de apenas 1% em 2013, saltará para 2,25% no biênio 2014-2015. Mas as potências globais não estão ainda livres de percalços e o principal calcanhar de Aquiles comum no horizonte é a inflação excessivamente baixa.

"A atividade global se fortaleceu de forma geral e espera-se que que melhore ainda mais, com a maior parte do ímpeto vindo dos países ricos", afirma a equipe do economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, no relatório, que lista o relaxamento das políticas fiscais americana e europeia e a manutenção de juros bem baixos e de condições monetárias pró-expansão como fatores da retomada.

No entanto, diz o Fundo, esta recuperação é desigual, em intensidade e solidez. Além da inflação baixa, as reformas incompletas no sistema financeiro - notadamente na Europa -, o longo caminho à frente na implementação de políticas macroeconômicas - como no Japão - e possíveis desequilíbrios provocados pelas políticas monetárias expansionistas - como investimentos duvidosos, que podem estar ainda mascarados - merecem atenção.

O principal risco para as economias avançadas é a persistência da inflação baixa, alimentada pela queda dos preços das commodities, notadamente as agrícolas, e a existência de um grande hiato entre a capacidade de produção e a expansão que vem sendo registrada. Na média, a variação de preços ao consumidor nos países ricos é projetada em 1,5% este ano e em 1,6% no próximo, para objetivos entre 2% e 2,5% perseguidos pelos bancos centrais, "e o retorno à meta deverá ser gradual", diz o Fundo.

O temor é que tropeços na recuperação alimentem expectativas de inflação muito baixa nos próximos anos e até mesmo de deflação - propensão de várias economias europeias. "O resultado seria taxas de juros reais mais altas, uma elevação do custo das dívidas privada e pública e demanda e produção mais fracas", adverte o FMI.

Na Europa, a inflação de 2013 fechou em 1,3%, mas o último trimestre registrou variação de preços de 1% no acumulado de 12 meses, abaixo do projetado e colado no piso da banda com a qual trabalha o Banco Central Europeu (BCE). O desemprego muito elevado, os nós nos canais de crédito e o crescimento ainda baixo são os principais motivos para o desempenho. A projeção do Fundo é que a inflação média da zona do euro seja de 0,9% em 2014 e de 1,2% em 2015.

"A inflação (na Zona do Euro) deve permanecer abaixo do objetivo de estabilidade de preços do BCE até pelo menos 2016", projeta o FMI.

Alguns países já estão com índices próximos de zero (Espanha, Chipre, Portugal, Irlanda) ou negativos (Grécia) e, em toda a Zona do Euro, o risco de deflação é de 20% nas projeções do Fundo. A situação é mais crítica nos países que precisam ganhar competitividade em relação às economias mais fortes da região, como a Alemanha.

"Nos países que precisam elevar a competitividade, e onde os preços e salários têm que cair mais relativamente a outros países da zona do euro, este quadro possivelmente significaria deflação maior e até mesmo efeitos adversos mais pesados sobre o crescimento", avalia o FMI.

Nos EUA, o mercado de trabalho também contribui para o quadro de baixa inflação. A despeito da queda do desemprego, os salários estão estagnados e a renda não deve se recuperar tão cedo. O índice de preços ao consumidor americano está projetado para fechar 2014 acumulado em 1,4% e 2015, em 1,6%.

No Japão, porém a expectativa é que a inflação caminhe à meta de 2% até o próximo ano, devido a um mercado de trabalho mais disputado e os estímulos concedidos em 2013. Em 2014, deve alcançar 2,8%; em 2015, cair a 1,7%.

Nas novas projeções do FMI para o crescimento global, o grande destaque entre os ricos é a economia dos Estados Unidos, beneficiada pelo fim da draga fiscal e de incertezas de curto prazo sobre o teto da dívida, a recuperação do mercado imobiliário e melhoria nas condições de crédito bancário. Os EUA deverão crescer 2,8% este ano e 3% no próximo.

Na Zona do Euro, a recessão ficou para trás, com expansão projetada de 1,2% este ano e de 1,5% no próximo. Apenas o Chipre ainda colhe os resultados da crise, com retração de 4,8%. Todos os demais países, incluindo a Grécia, com expansão de 0,6%, têm recuperação engatada em 2014, nas previsões do FMI.

Mas a lista de tarefas dos europeus continua muito grande, com ajustes ainda a serem feitos na união bancária e financeira (com testes de estresse e resiliência nos setores), no balanço dos bancos e em legislações trabalhistas e de investimentos. As políticas fiscal e monetária devem continuar expansionistas para oferecer tração ao motor europeu _ incluindo o Reino Unido.

No Japão, o crescimento deve cair um pouco este ano, para 1,4%, devido ao fim dos gastos com a reconstrução pós-tsunami e ao aumento do imposto sobre consumo. Mas o FMI avalia como positivos os efeitos da chamada Abenomics (política de estímulos e reformas). Em 2015, o PIB deverá ter alta de 1%.

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