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Conjuntura » Brasil fora da pauta do FMI

Rosana Hessel -

Correio Braziliense

Publicação: 05/04/2014 09:11 Atualização:

Liderada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, a comitiva do governo brasileiro que vai ao encontro semestral do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, entre 11 e 13 deste mês, levará uma pauta limitada e um tanto escanteada. Em 2008, entre os membros do G20 (grupo das 19 principais nações desenvolvidas e emergentes, mais a União Europeia), o país teve papel de destaque nas reuniões do FMI durante o auge da crise financeira global. Mas, agora, não passará de mero coadjuvante.

Especialistas reconhecem que a equipe da presidente Dilma Rousseff não tem muito o que mostrar atualmente no fundo, sobretudo devido ao baixo crescimento do país. "Essas coisas são cíclicas. O Brasil já foi o queridinho e perdeu o brilho porque tem feito muita força para que isso ocorra. Vai ser necessário um trabalho muito grande para reconstruir a confiança perdida", destacou o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central.

"O Brasil não tem grandes pautas para levar ao FMI. Até mesmo a discussão sobre guerra cambial, introduzida pelo ministro Mantega em reuniões anteriores, não tem mais como ser sustentada atualmente", comentou ele. "O país é apenas mais um membro no FMI. Deixou de ter importância dentro do fundo. E parte disso é resultado da política externa paralela do governo Dilma, que se afasta de parceiros como os Estados Unidos", destacou o economista Felipe Chad, sócio da DXI Consultoria.

Frustração

Na curta agenda que governo brasileiro deverá defender, está a continuidade da reforma do FMI, acordada em 2010, que propõe a ampliação da participação dos emergentes. Mesmo assim não há grandes expectativas. A falta da ratificação pelo Congresso dos Estados Unidos impediu o andamento dessa mudança e travou os diálogos da reforma seguinte. Esse impasse tem frustrado as ambições do governo brasileiro, pois ele pagou antecipadamente pelo aumento da cota, ampliando o aporte do país no NAB — uma espécie de linha de crédito adicional do FMI aos países em crise — de US$ 10 bilhões para US$ 14 bilhões, em 2009, mas não levou.

O principal assunto do encontro do FMI deverá ser sobre a recuperação da economia dos Estados Unidos e sobre quando os juros do país voltarão a subir. Com isso, o Brasil não estará no centro das discussões, a não ser na roda de debates a respeito da crise dos emergentes. Diante do cenário pouco favorável ao protagonismo, restará ao governo brasileiro tentar contabilizar algo positivo em reuniões paralelas dos países do Brics (grupo que inclui também Rússia, Índia, China e África do Sul).

Sem muita expectativa


A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Janet Yellen, avisou ontem que a recuperação global “é fraca e lenta demais e que será necessário manter a política monetária acomodatícia por algum tempo”, algo que animou os mercados. Outro assunto que estará na mesa de discussão dos ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais em Washington são os riscos do aumento do endividamento de empresas privadas de países emergentes no exterior.

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