• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Estratégia » Governo vai segurar reajuste dos combustíveis até o fim da eleição

Correio Braziliense

Publicação: 02/04/2014 08:45 Atualização:

Com a inflação em disparada, a ponto de estourar o teto da meta, de 6,5%, às vésperas da eleição presidencial, o governo praticamente bateu o martelo: não autorizará nenhum reajuste da gasolina até que sejam proclamados os resultados das urnas, em outubro próximo. Mesmo que isso signifique sacrificar ainda mais o caixa da Petrobras, que está no centro de uma das mais graves crises políticas da administração Dilma Rousseff. “Se a gente não quer inflação e o preço do combustível impacta o custo de vida, (a Petrobras ) segura mais um pouco”, afirmou ontem ao Correio o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

A ordem é não dificultar ainda mais o trabalho do Banco Central, que hoje elevará a taxa básica de juros (Selic) de 10,75% para 11% ao ano, na tentativa de conter a disseminação de reajustes. O governo sabe que, na avaliação dos consumidores-eleitores, inflação pesa muito mais que juros na hora de eles votarem. “Por enquanto, não há aumento de combustíveis à vista. Antes que isso aconteça, teremos de ver um quadro mais tranquilo para a inflação, o que não é possível agora”, disse um técnico da equipe econômica, com trânsito no Palácio do Planalto. “Inflação alta não combina com candidatura à reeleição”, acrescentou.

Os consumidores sabem que, apesar da decisão do governo de manter os preços dos combustíveis congelados na Petrobras, na bomba, a situação é bem diferente. Desde a metade do mês passado, a gasolina já ficou 2,26% mais cara no Distrito Federal. O derivado do petróleo está sendo vendido a R$ 3,16 o litro ante os R$ 3,09 observados há duas semanas. Na opinião do procurador jurídico José Alberto Cabral, 61 anos, o reajuste foi muito maior. Ele contou que abastece seu carro toda semana e gasta aproximadamente R$ 500 por mês. “No início do ano, tinha uma despesa 30% menor que a de agora. Mas, infelizmente, não temos como fugir. Os preços são os mesmos em todos os lugares, como se houvesse uma combinação entre os postos”, assinalou. “O pior é que não acredito em melhora da situação tão cedo. Outros aumentos virão”, desabafou.

O pessimismo do procurador é compartilhado pelo guia turístico Juan Hermida, 52. Ele gasta, semanalmente, cerca de R$ 70 com combustível e sente o peso no bolso. “Estou desembolsando pelo menos R$ 20 a mais todos os meses. Os postos têm uma estratégia para não chamar a atenção: vão aumentando em centavos, o que parece pouco. Mas, depois de um tempo, faz muita diferença” enfatizou. Diante desse quadro, ele está sendo obrigado a reajustar os seus serviços. “A clientela anda reclamando muito. Mas não tem como ser diferente. Preciso repassar a alta de custos”, lamentou.

Nos postos, a explicação é de que estão repassando aos consumidores as altas aplicadas pelas distribuidoras. Para as distribuidoras, a culpa é da entressafra da cana-de-açúcar, que elevou o preço do etanol. Por determinação do governo, a gasolina deve conter uma mistura de até 25% de álcool. Quem pode fugir dos aumentos não pensa duas vezes. O taxista Francisco José Araújo Martins, 48, que o diga. Ele ressaltou que, desde o início do ano, passou a trabalhar com um veículo a gás natural, o GNV. A economia foi brutal. Nem mesmo a vistoria mais complicada do carro o faz voltar para a gasolina. “Como rodo muito, até 300 quilômetros por dia, gasto R$ 60 com gás, metade do que desembolsava com gasolina”, frisou.

O governo sabe das queixas dos consumidores. Mas acredita que, caso autorize um reajuste pela Petrobras, a gritaria será ainda maior. Na avaliação do Planalto, é melhor lidar com as críticas de investidores, que não se conformam com o fato de a Petrobras estar sendo usada para o controle da inflação, ao vender gasolina no país abaixo do preço pago nas importações. Desde que Dilma Rousseff tomou posse, em janeiro de 2001, o valor da estatal na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) caiu quase à metade, deixando um rastro de prejuízos para aqueles que apostaram nos papéis da empresa. Os analistas acreditam que a defasagem no preço da gasolina esteja variando, atualmente, entre 20% e 30%.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.