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Conjuntura » Juros vão a 11% e devem subir mais Na quarta-feira (2), o BC elevará a Selic em ao menos 0,25 ponto percentual. Mas, com a inflação em disparada, arrocho tende a continuar até julho

Simone Kafruni - Correio Braziliense

Publicação: 31/03/2014 10:06 Atualização:

Com a inflação voltando a atormentar os brasileiros, não restará outra alternativa ao Banco Central. Na próxima quarta-feira (2), o Comitê de Política Monetária (Copom) voltará a elevar a taxa básica de juros (Selic). A expectativa, quase unânime no mercado financeiro, é de que a alta seja de 0,25 ponto percentual, dos atuais 10,75% para 11% ao ano. Será o nono aumento consecutivo, processo iniciado em abril de 2013.
 
Até o meio da semana passada, o consenso entre os economistas era de que, após esse aumento, o BC encerraria o aperto monetário. Mas, diante da disseminação da carestia, puxada pelos alimentos, e do reconhecimento público da autoridade monetária de que o custo de vida neste ano ficará muito próximo do teto da meta definida pelo governo, de 6,5%, vários especialistas já preveem pelo menos duas altas adicionais da Selic, ambas de 0,25 ponto, com a taxa atingindo 11,50%. Ou seja, o fim do arrocho nos juros só acabará em julho, quando a campanha eleitoral estará a pleno vapor.

Para os analistas, os números da inflação são assustadores, sobretudo se considerado que o BC já elevou a Selic em 3,5 pontos. Pelas teorias econômicas, era para a carestia ter desabado. O problema é que o país foi tomado por uma onda de desconfiança, motivada pela leniência do governo no combate aos reajustes disseminados, acreditando que conseguiria incrementar o crescimento econômico. O que se viu, contudo, foi o contrário: o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu e o poder de compra das famílias encolheu.

Serviços
A inflação renitente é visível, sobretudo nos preços dos serviços, com reajustes médio de 9% no acumulado de 12 meses. Esse, por sinal, é um dos motivos que leva André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, a defender um aperto monetário mais prolongado. “Considerando a persistência da inflação no curto prazo e o aumento dos riscos de contaminação das expectativas futuras, seria sábio se o BC desse sinais de austeridade, elevando os juros a 11,50% ao ano em três doses de 0,25 ponto, incluindo a alta desta semana”, diz.

Há ainda no horizonte o perigo do represamento dos preços administrados, pois diminuiu o espaço para o governo segurar os reajustes da gasolina, da energia elétrica e das tarifas de transporte urbano. “O BC colocou o dedo na ferida, ao admitir o impacto negativo da contenção dos preços administrados nas expectativas de inflação. Portanto, apesar do estado fraco da economia, o correto seria elevar os juros ainda mais”, analisa Tony Volpon, economista-chefe para América Latina da Nomura Securities. Ele aposta em duas altas de 0,25 ponto, com a Selic atingindo 11,25% ao ano.

Na avaliação do economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jakiel Santos, a ameaça de a inflação romper o teto da meta, por si só, já justifica a necessidade de duas altas seguidas nos juros. “O quadro continua muito ruim, não há nenhum sinal de alívio no horizonte, e os preços dos alimentos, que deram uma trégua no fim do ano passado, voltaram a subir. É preocupante. Tanto que, para 2015, prevemos juros de 12,50% ao ano”, afirma.

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