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Perspectivas » Para analistas, 2014 já acabou Domar a inflação, corrigir os erros da política fiscal e retomar o crescimento são os grandes desafios para 2015

Simone Kafruni - Correio Braziliense

Deco Bancillon - Correio Braziliense

Publicação: 30/03/2014 13:18 Atualização:

Mesmo faltando sete meses para que os brasileiros depositem seus votos nas urnas, as eleições presidenciais entraram com tudo na radar da economia. Tanto empresários quanto investidores estão pautando seus negócios com base nos resultados que podem sentenciar a reeleição da presidente Dilma Rousseff ou a vitória de um candidato da oposição. Os ânimos estão tão acirrados, que muitas empresas pisaram com tudo no freio e suspenderam investimentos essenciais para a retomada do crescimento econômico. E aplicadores, de dentro e de fora do país, montaram operações para o que chamam de quadro adverso, a permanência de Dilma por mais quatro anos no Palácio do Planalto, e de cenário positivo, a mudança de poder no país.

Ao mesmo tempo em que fazem suas apostas, empresários e investidores se empanturram de prognósticos pessimistas para este ano. “Na verdade, 2014 já acabou para nós. Nossos olhos estão voltados para 2015, quando o próximo presidente terá que promover um ajuste brutal na economia”, diz um gestor de um grande fundo de investimentos sediado nos Estados Unidos. Para ele, o Brasil contabilizará nos próximos meses inflação alta, com possibilidade de estouro do teto da meta, de 6,5%, crescimento minguado da economia, ajuste fiscal inconsistente, crédito caro, consumo das famílias em baixa e juros altos. “Por isso, não descartamos uma rebelião dentro dos partidos que dão apoio ao governo, para que o ex-presidente Lula seja o candidato do PT à presidência da República”, acrescenta.

No entender de um alto executivo de banco, com forte trânsito entre integrantes da equipe econômica de Dilma, a alta da Bolsa de Valores de São Paulo nas últimas duas semanas, de mais de 10%, reflete a hipótese de vitória da oposição, baseada na queda de popularidade da presidente, de 43% para 36%, mostrada em pesquisa do Ibope. “Mas, caso os novos levantamentos indiquem que Dilma ainda tem chances de continuar no poder, derrotando os adversários no primeiro turno, com certeza, a bolsa não só devolverá tudo o que ganhou, como os preços das ações vão cair muito mais”, assinala. “O que mais se ouve no mercado é que 2014 já era, devido aos erros da atual política econômica. A grande questão é saber como salvar 2015”, emenda.

Desarranjos
O setor privado teme que a forte e rápida deterioração dos indicadores econômicos do país possa levar a um ajuste ainda mais duro no ano que vem. O maior desafio, dizem especialistas, será colocar a inflação em rédea curta e corrigir os desarranjos econômicos que encolheram o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Colocar em prática um pesado ajuste fiscal, de modo a reduzir o peso do Estado na economia e abrir espaço para que o setor privado amplie investimentos, também está na agenda. Mas não será fácil atingir esse objetivo, diz o economista Vagner Alves, da gestora de recursos Franklin Templeton. “A tão esperada desaceleração das despesas públicas ainda não aconteceu”, frisa.

A falta de uma política fiscal mais transparente e enxuta, afirma Alves, é o principal motivo para que as expectativas de inflação ainda se mostrem resistentes, apesar do forte ajuste nos juros feito Banco Central desde abril de 2013. “Enquanto o governo não alinhar a política fiscal à monetária, a inflação não vai cair para níveis mais confortáveis”, assinala. A taxa Selic já subiu 3,5 pontos, saindo da mínima histórica de 7,25% para o patamar atual de 10,75%. Nesta semana, deve passar para 11%. Ainda assim, as projeções de inflação se mantém em 6,28%, quase o teto da meta, de 6,5%, definida pelo governo.

Na avaliação de Alex Agostini, economista-chefe Austin Rating, o grande erro do governo foi manter a inflação longe do centro da meta por tanto tempo. Isso ampliou a onda de pessimismo e desconfiança. “O governo errou, mas o Banco Central errou ainda mais ao desacelerar o ritmo de elevação na Selic, na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária, de fevereiro)”, diz. “É um absurdo que tenha feito isso mesmo com a inflação em alta. Parece que os diretores que decidiram isso entraram hoje no BC, quando estão lá há muitos anos”, critica.
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