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Crise na sala » Setor moveleiro sofre com o endividamento das famílias e a retração na economia

Correio Braziliense

Publicação: 25/03/2014 08:35 Atualização:

Apesar de toda a euforia nos corredores, nos estandes coloridos e entre os milhares de visitantes, incluindo os estrangeiros, a maior feira de negócios do setor moveleiro do país começou ontem com empresários bastante apreensivos em relação ao desempenho da economia brasileira nos próximos anos.

Já sentindo os efeitos do endividamento recorde das famílias e do consequente arrefecimento do consumo em seus negócios, executivos do setor se preparam para desacelerar a produção e aumentar os preços. Prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) — que ajudou a impulsionar as vendas e o faturamento — não está mais nos planos. A negociação com o governo federal não tem avançado, e o benefício deve mesmo acabar em junho deste ano, quando está previsto que a taxa volte aos 5%, mesmo patamar do início de 2010.

Os preços ao consumidor, que já tiveram alta de até 10% em 2013 por causa dos aumentos no valor da matéria-prima e dos ganhos salariais concedidos aos trabalhadores, vão subir um pouco mais. “O imposto é repassado integralmente”, avisou o presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Henrique Tecchio, que, assim como representantes de outros setores, fala em demissões, caso o cenário pessimista se confirme.

Adotando um discurso firme contra a ausência de investimentos em logística e em infraestrutura na região da Serra Gaúcha, principal polo moveleiro do país, Tecchio ataca o modelo econômico atual. “Tudo assusta hoje em dia. A indústria comprou equipamentos e se preparou para uma demanda que não concretizou”, comentou.

Não bastasse o “estranho” cenário interno, como ele define, o setor tem tido que lidar com a invasão dos móveis chineses, responsáveis por um terço do aumento de 13% da importação no ano passado. “A qualidade dos produtos nacionais ainda é um diferencial. Mas não sabemos até quando”, disse o presidente do Sindmóveis.

Salvação

A despeito das queixas e dos temores dos empresários, o setor moveleiro é um dos três que cresceu mais do que a média da indústria da transformação nos últimos quatro anos, levando em conta os 28 ramos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cerca de 17,5 mil empresas empregam quase 300 mil pessoas em todo o país e, em 2013, movimentaram, juntas, R$ 44,4 bilhões, uma expansão de 12,4% ante o ano anterior.

Para manter a trajetória ascendente, os executivos estão apostando como nunca no evento iniciado ontem em Bento Gonçalves, o município que responde por 6% do valor da produção da indústria moveleira nacional. No entanto, os organizadores decidiram manter a mesma estimativa de volume de negócios da última edição da feira, em 2012: US$ 300 milhões.

Apesar de saberem que o poder de compra da chamada classe C está comprometido com dívidas e inflação, os empresários ainda apostam nessas famílias de renda média para alavancar as vendas. “Neste ano, teremos Copa do Mundo e eleição: querendo ou não, isso ajuda. Nossa maior preocupação já é com 2015”, afirma Tecchio.

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