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Prejuízo » Acionista minoritário da Petrobras tenta anular incorporação da Refinaria Abreu e Lima

Agência O Globo

Publicação: 24/03/2014 17:20 Atualização: 24/03/2014 17:57

Relatório da gestora Antares Capital estima perdas de R$ 40 bilhões para a Petrobras com a Refinaria Abreu e Lima (foto) e o Comperj, em Itaboraí (RJ). Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
Relatório da gestora Antares Capital estima perdas de R$ 40 bilhões para a Petrobras com a Refinaria Abreu e Lima (foto) e o Comperj, em Itaboraí (RJ). Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
Além de compras polêmicas de refinarias no exterior, a construção de refinarias no Brasil pela Petrobras também suscita suspeitas de superfaturamento e já virou alvo de acionistas insatisfeitos. Um acionista minoritário da estatal, o baiano Romano Allegro, tenta suspender na Justiça os efeitos de uma assembleia feita pela companhia em 16 de dezembro, em que foi aprovada a incorporação da Refinaria Abreu e Lima pela holding.

Allegro teme que perdas aos acionistas sejam ocultadas, já que a contabilidade da refinaria “ficaria perdida” no meio da contabilidade da petrolífera. A Abreu e Lima já custou cerca de US$ 20 bilhões, segundo estimativas de mercado. Em 2005, quando foi costurada a parceria entre os ex-presidentes Lula e Hugo Chávez, da Venezuela, falava-se em US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões. A estatal arcaria com 60% do projeto, e a PDVSA, com 40%. A refinaria deveria ser concluída até 2010, mas já se trabalha com o ano de 2015. "A Petrobras tem uma gestão temerária e nós, acionistas, estamos sendo lesados", disse Allegro.

O processo corre na Justiça do Rio desde 13 de dezembro, quando o minoritário tentou barrar a assembleia. No último dia 17, Allegro anexou novos documentos à ação, pedindo a suspensão dos efeitos da assembleia. Ele também fez denúncia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Petrobras não comenta. O Tribunal de Contas da União (TCU) também investiga a refinaria e já identificou superfaturamento das obras de terraplenagem.

Relatório da gestora Antares Capital estima perdas de R$ 40 bilhões para a Petrobras com a Refinaria Abreu e Lima e o Comperj, em Itaboraí (RJ). Nos cálculos da gestora, o valor dos dois projetos estaria beirando US$ 90 mil por barril de petróleo processado, quando a média de 15 recém-implantadas refinarias no mundo está em US$ 25 mil por barril. Na avaliação da gestora, para ser economicamente viável, as refinarias brasileiras não poderiam sair por mais de R$ 37.500 o barril.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) mudou de opinião e defendeu hoje, em nota, a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as denúncias que envolvem negócios da Petrobras no exterior.

"Os acontecimentos revelados pela imprensa sobre malfeitos na Petrobras são de tal gravidade que a própria titular da Presidência, arriscando-se a ser tomada como má gestora, preferiu abrir o jogo e reconhecer que foi dado um mau passo no caso da refinaria de Pasadena. Pior e fato único na história da empresa: um poderoso diretor está preso sob suspeição de lavagem de dinheiro”, diz a nota.

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