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Investimentos » Empresas perdem interesse pela bolsa

Correio Braziliense

Publicação: 24/03/2014 08:47 Atualização:

Em um país onde o governo tem dificuldade para elevar sua taxa de investimento, o ideal seria fortalecer o mercado acionário para que as empresas encontrassem nele uma fonte alternativa de recursos destinados ao investimento na capacidade produtiva. Um esforço nessa direção até ocorreu no início do governo do presidente Lula, quando foi implementado um plano diretor para impulsionar os negócios com ações. Mas, a partir de 2008, em razão de fatores domésticos e externos, houve evidente enfraquecimento da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa).

O valor de mercado das empresas negociadas no pregão paulista correspondia a 97% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007 e está agora em cerca de 50%, calcula o presidente do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Thomas Tosta de Sá. Para ele, a crise global teve papel fundamental na deterioração dos papéis brasileiros, sobretudo com as respostas dadas pelo governo à forte retração da economia mundial, cujo auge foi em 2009.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, passou a oferecer mais crédito, recebendo para isso cerca de R$ 400 bilhões em aportes do Tesouro desde 2006.

Com essa facilidade, as empresas deixaram de enxergar a bolsa como um caminho natural para se financiar. Prova disso é que, em 2007, a captação com a oferta inicial de ações — as chamadas IPOs, na sigla em inglês — atingiu a marca de R$ 28,87 bilhões. No ano passado, esse mesmo indicador foi de só R$ 3,56 bilhões (Veja quadro). Para o advogado Luiz Octavio da Motta Veiga, que presidiu a CVM de 1986 a 1988, o tombo do mercado de capitais se explica, em grande parte, pela aversão dos estrangeiros ao Brasil. “Meus clientes internacionais dizem que há cinco anos o país era o lugar certo para estar e hoje não é mais”, relatou.

Presidente da Petrobras durante o governo Collor, ele chama a atenção também para as dificuldades que a estatal — a principal negociada na BM&Fbovespa — enfrenta para fazer frente aos investimentos. Isso é resultado, sobretudo, do fato de o governo, o acionista majoritário, ter congelado a tabela dos combustíveis  para evitar a escalada da inflação.  

O problema atinge também as concessionárias de energia elétrica, afastando investidores de fora, observa o economista René Garcia, que presidiu a CVM de 1990 a 1993. “A percepção de risco para esse segmento no Brasil é muito alta hoje. E os estrangeiros estão com o pé atrás com a política econômica em vigor desde 2006”, disse.

O investidor de fora foi, aliás, fundamental para alavancar a bolsa no passado. Em 1990, o valor de mercado das empresas era de só 3%, quando o capital externo foi autorizado a operar. Garcia acha que, além de novo rumo na economia, é preciso aperfeiçoar o mercado para torná-lo mais ágil e fácil.

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