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Entrevista » Busca por dietas com menos calorias não assusta Coca-Cola no Brasil "Vemos as mudanças com naturalidade", afirma o vice-presidente de Assuntos Corporativos e Jurídico da Coca-Cola Femsa, Eduardo Lacerda. Executivo diz que fábrica de Itabirito tem mercado promissor

Estado de Minas

Publicação: 23/03/2014 09:37 Atualização: 23/03/2014 09:40

Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press
A mudança de hábitos de consumo em busca de dietas com menos calorias está começando a ameaçar o reinado dos refrigerantes. No ano passado, a Coca-Cola deixou de ser a marca mais valiosa do mundo, sendo ultrapassada pelas gigantes Apple e Google, de acordo com o ranking anual de marcas elaborado pela consultoria Interbrand. Apesar de os novos modos de consumo atingirem também os brasileiros, a mexicana Coca-Coca Femsa, fabricante e distribuidora de produtos da marca Coca-Cola no país, sendo a maior franquia da empresa no mundo, fechou 2013 com aquisições no Brasil na ordem de R$ 6 bilhões, demonstrando, segundo Eduardo Lacerda, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Jurídico da empresa, que o mercado brasileiro é muito promissor. “Vemos as mudanças no mercado com muita naturalidade. Não se pode eleger os refrigerantes como responsáveis pela ingestão inadequada de calorias", disse o executivo ao Estado de Minas.

" Incentivamos a vida saudável e temos em nosso portfólio uma ampla variedade de produtos: refrigerantes, água, chás, sucos”, reforçou. Lacerda, que visitou durante a semana as obras da nova planta da empresa em Itabirito, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), onde os investimentos somam US$ 258 milhões, afirmou que a indústria é a maior planta "verde" do mundo construída pelo grupo mexicano, e também a primeira fábrica erguida dentro do modelo sustentável no Brasil. No momento em que o país discute a escassez dos recursos naturais, a empresa anuncia que vai operar com menor consumo de energia elétrica e água, e lançar no mercado mineiro a embalagem retornável REF PET. A nova fábrica terá capacidade para abastecer o mercado de Minas Gerais e parte da região serrana do Rio de Janeiro. Abaixo, os principais pontos analisados pelo executivo durante a entrevista ao Estado de Minas:

Vendas x Vida Saudável
Uma dieta balanceada serve para qualquer produto e tem como resultado um equilíbrio no peso e na saúde. A Coca-Cola Femsa vem enfrentando o tema com muita naturalidade, já que essa é uma discussão do mundo moderno. Não podemos eleger os refrigerantes como responsáveis pela ingestão inadequada de calorias. Incentivamos a vida saudável, projetos esportivos, apoiamos sempre a prática de atividade física, um exemplo é a Copa Coca-Cola. Também investimos na informação para o consumidor e oferecemos portfólio variado para atender a toda linha de consumidores. Temos além de refrigerantes, águas, chás, isotônicos e hidrotônicos. Vemos o mercado com muito otimismo. No ano passado, a Coca-Cola Femsa investiu R$ 6 bilhões em aquisições e outros US$ 80 milhões em armazém vertical em São Paulo. Esse é um sinal de que a empresa acredita no crescimento do país.

Fábrica de Itabirito
A fábrica de Itabirito é a primeira planta verde da Coca-Cola Femsa no Brasil e soma investimentos na ordem de US$ 258 milhões. A primeira fase da fábrica deve entrar em funcionamento até setembro, mais precisamente a partir do terceiro trimestre desse ano. A fábrica terá capacidade para produção de 2,1 bilhões de litros, o que significa incremento de 47% da capacidade instalada na atual unidade de Belo Horizonte. Até julho de 2015, a fase 1 estará finalizada com seis linhas de produção (1,5 bilhão de litros de refrigerantes por ano). A produção de 2,1 bilhões de litros por ano vai acompanhar a evolução do mercado. Dentro de aproximadamente um ano, a unidade da capital deve se transformar em um centro de distribuição. Estamos fechando o número de postos de trabalho que serão gerados em Itabirito, mas posso adiantar que as vagas serão preenchidas com a mão de obra local e por funcionários transferidos de outras unidades da Coca-Cola. Vamos manter o número atual de empregos no estado, que são 3,5 mil. Não vamos reduzir esse universo. Em Itabirito também não basta ter um produto de boa qualidade, de boa marca e gelado, temos também que cuidar do entorno. A Coca-Cola Femsa tem a proposta de ser um bom vizinho, de cuidar da região. Já inauguramos uma praça que beneficia 2 mil pessoas.
 
Sustentabilidade
Na construção da fábrica de Itabirito foi utilizada madeira de reflorestamento. Também existe eficiência no uso da água e dentro de dois ou três anos teremos tecnologia de reuso de efluentes. As tecnologias ‘verdes’ vão gerar uma economia de água entre 20% e 30%. Com a iluminação natural implantada na nova fábrica, será possível economizar 40% do que normalmente é gasto com iluminação elétrica. Essa planta terá ainda tecnologia REF PET, para reutilização da garrafa PET. As embalagens poderão ser devolvidas em pontos de vendas e certamente isso traz uma economia para o consumidor. Não revelamos em que percentual esse custo é reduzido, mas, para se ter ideia das seis linhas produtivas, uma inicialmente será de REF PET. A embalagem pode retornar até 25 vezes ao processo de envase.

Investimentos em Minas
Estamos trabalhando em projeto desenvolvido pela Coca-Cola Femsa em parceria com a Cruz Vermelha no Norte de Minas, onde temos também parceria com prefeituras locais. O projeto de plantas potabilizadoras prevê o tratamento da água, tornando o produto próprio para o consumo com tecnologia desenvolvida no México, incorporando conhecimento espanhol e americano. A Fundação Femsa acaba de anunciar no Projeto Águas investimento de R$ 800 mil nas cidades de Pedras de Maria da Cruz, Virgem da Lapa e Varzelândia, em que são baneficiadas 20 mil pessoas. Anteriormente foi feito investimento em máquinas potabilizadoras em Minas Gerais na ordem de US$ 250 mil.

Copa do Mundo
Sobre novos produtos para a Copa do Mundo não podemos falar por enquanto (a Coca-Cola Femsa havia anunciado que teria surpresas durante o Mundial). Também não há em curso associações com laticínios (para produzir bebidas a base de suco e leite).

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