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Varejo » Vice-liderança na produção de água mineral Os antigos filtros de barro viraram artigo raro nas casas do estado. Hoje, os lares pernambucanos respondem por 17% da produção e envase nacional, que chegou a 11 bilhões de litros em 2013

Sávio Gabriel - Especial para o Diario

Publicação: 23/03/2014 13:30 Atualização: 24/03/2014 10:12

Benedito Fonseca, da Prata do Vale, aponta a alta carga tributária e os custos operacionais como causas do preço atual. Um garrafão de 20 litros custa R$ 7,50. Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A Press
Benedito Fonseca, da Prata do Vale, aponta a alta carga tributária e os custos operacionais como causas do preço atual. Um garrafão de 20 litros custa R$ 7,50. Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A Press

Seja em casa, na rua ou no trabalho, o fato é que os pernambucanos adotaram, há muito tempo, o hábito de consumir água mineral. Tanto que o estado é vice-líder na produção do líquido: de acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Água Mineral (Abinam), Pernambuco detém 17,1% da produção nacional, que no ano passado foi de 11 bilhões de litros. Com tanta água no mercado, a fiscalização se torna fundamental para garantir a qualidade do produto que chega ao consumidor.

Não é para menos. Atualmente, existem 45 marcas no estado, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias e Bebidas em Geral do Vinho e de Águas Minerais (Sindibebe-PE), Ricardo Heráclio. De acordo com ele, a implantação do selo fiscal, em 2009, foi essencial para garantir a procedência da água. “Antes do selo, havia muita clandestinidade e sonegação de impostos”, lembra, explicando que o selo é sinônimo de que a empresa está em dia com o pagamento de tributos e de que ela atende às exigências da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa). O presidente afirma, ainda, que as empresas são submetidas a fiscalizações regulares da Apevisa e da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).
   
Apesar de garantir a procedência, a presença do selo não significa que a água é 100% segura. “Nós não analisamos as condições bacteriológicas da água diariamente. O que nós levamos em consideração é se a envasadora cumpre alguns requisitos necessários”, explica o gerente da Apevisa, Jaime Brito. Antes de receber a licença do órgão para funcionar, toda a cadeia de produção da empresa é analisada. “Inspecionamos o sistema de limpeza e desinfecção dos galões, mas não estamos lá diariamente para garantir que todos aqueles garrafões estão sendo higienizados”, admite. Apesar disso, a Apevisa coleta semanalmente amostras de água de todas as empresas para análise, garante Brito.

Segundo ele, os consumidores devem tomar alguns cuidados na hora de comprar a água mineral. “Em primeiro lugar é preciso ver se o garrafão possui selo”, orienta. “Depois, é preciso checar se há vazamentos no botijão e analisar as condições em que ele se encontra. Aqueles muito amassados ou arranhados internamente devem ser recusados”, alerta Brito.

Custo elevado e mercado em ascensão
Nos últimos anos, o preço dos garrafões sofreu um aumento significativo no estado. “Há uns seis anos, comercializávamos o botijão de 20 litros a R$ 2,50. Hoje ele custa R$ 7,50. Muito disso se deve aos impostos e aos nossos custos operacionais”, explica Benedito Fonseca, diretor da Prata do Vale. No mercado há 18 anos, a empresa vê as despesas aumentarem a cada ano. “Só com selo, pago R$ 11 mil por mês. São 200 mil selos”, detalha Fonseca.

Ricardo Heráclio, presidente do sindicato, diz que a implantação do selo fiscal foi essencial para garantir a procedência da água. Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Ricardo Heráclio, presidente do sindicato, diz que a implantação do selo fiscal foi essencial para garantir a procedência da água. Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Com faturamento médio de R$ 170 mil, Fonseca diz que 17% da receita vai para o pagamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “Além disso, 30% dos custos mensais são direcionados apenas para a higienização dos garrafões”, revela. No entanto, na avaliação de Fonseca, o mercado local ainda tem muito a crescer. “Nos últimos anos muitas empresas chegaram por aqui, fatiando o mercado, mas temos um grande aquífero na região. Ainda há espaço para outras companhias.”

De acordo com o gerente nacional comercial da Indaiá, Rogério Tavares, Pernambuco é um dos principais mercados consumidores da empresa. “A ascensão da população local e a busca por produtos mais saudáveis tem feito com que o estado receba uma atenção maior por parte da companhia”, resume, sem citar números.

O diretor da Abinam, Ricardo Signorelli, diz que a grande quantidade de empresas em Pernambuco é consequência natural do potencial e do crescimento do estado. “Só para se ter ideia, o terceiro colocado no ranking de produção é o Rio de Janeiro, que detém 7,6%. É uma diferença muito grande em relação aos 17,1% de Pernambuco”, diz. Ele afirma, ainda, que o mercado nordestino é responsável por 29% da produção nacional de água mineral.

“Nos últimos cinco anos, o mercado nacional começou a crescer a uma média de dois dígitos”, diz. No ano passado, a ascensão foi de 14,5%. O crescimento foi ocasionado pelo ganho de mercado, principalmente nas periferias. “Muita gente que não tem acesso a saneamento básico e a água de qualidade usa, como alternativa, água mineral. Eles acabam descobrindo que ela é mais vantajosa para suprir as necessidades”, explica Signorelli. Além disso, a preocupação com uma vida saudável e os problemas de mobilidade nas grandes cidades (já que as pessoas perdem muito tempo no trânsito e compram a água mineral para matar a sede) são outros fatores que explicam o crescimento, na avaliação do diretor.
 

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