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Data Popular » Para 61% dos brasileiros, praga da inflação voltou

Correio Braziliense

Publicação: 21/03/2014 08:47 Atualização: 21/03/2014 08:53

Sem dar ouvidos aos discursos oficiais e pouco interessados se o índice de inflação está ou não dentro da meta do governo, os brasileiros andam mesmo apreensivos com o incontestável aumento de preços nas prateleiras. Para pôr comida na mesa, as famílias têm sido obrigadas a mudar hábitos e a se sacrificar mais do que antes. Este mês, a seca castigou as lavouras e o bolso do consumidor: hortaliças, legumes e frutas, principalmente, não param de encarecer.

Pesquisa do instituto Data Popular divulgada com exclusividade para o Correio/Diario comprova a inquietação do consumidor na hora de ir às compras. Os alimentos lideram a lista de grupos de despesas que mais subiram de preço, na percepção dos entrevistados. Para 61% deles, os reajustes nesta cesta de produtos foram os que mais incomodaram no último ano. Em seguida, a maior parte dos brasileiros diz ter sentido a inflação em itens de limpeza (59%), de educação (56%) e em roupas (52%).

Não há como fugir da avaliação de que o dinheiro das famílias está mais contado neste início de 2014. “O que estamos vivendo é resultado de um processo em que os salários não conseguem acompanhar os preços dos produtos, que seguem encarecendo a uma velocidade significativa”, comenta o diretor do instituto, Renato Meirelles. A pesquisa escutou 2.017 pessoas em 53 municípios espalhados por todas as regiões do país.

Mais caro

Anestesiadas com a inflação, 56% das famílias das classes D e E começaram o ano fazendo mais pesquisa de preço do que em 2013, aponta o mesmo levantamento. Entre entrevistados da classe C, esse índice recua para 50% e, na faixa de maior renda, para 49%. “O problema é que não adianta muito. Os preços subiram em todos os lugares, é algo disseminado”, observa a aposentada Irani Couto, 64 anos, que na tarde de ontem, dia de promoção no sacolão, fazia contas para encher o carrinho.

Mesmo na gôndola em oferta, o quilo do tomate a R$ 3,99 chamava a atenção de Irani. Em Brasília, o fruto encareceu 17% somente na semana passada, conforme indicou a Fundação Getulio Vargas (FGV) pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). “Inflação sob controle? Isso não existe. Ninguém está conseguindo segurar nada”, afirma a aposentada. Ir a supermercados diferentes, completa ela, só tem valido a pena para garantir os alimentos de melhor qualidade.

Com os constantes saltos de preços, sublinha a pesquisa do Data Popular, a maioria dos consumidores (59%) não escapa mais da alternativa de trocar a marca do produto para tentar manter a conta no orçamento. Quase um terço dos entrevistados confessa ter diminuído a quantidade de itens no carrinho. E 10% simplesmente deixaram de comprar. “Para mim, marca deixou de existir. Agora, só escolho na base do preço”, diz o segurança Jacinto Lopes, 55, com a lista de compras feita pela mulher em mãos. “O frango que ela pediu não vai dar para levar”, emendou ele, procurando um mais barato.

A peça de frango comprada no início do mês por R$ 2,59 pulou para R$ 3,99, variação de 54%.
O cacho de banana dobrou de preço, chegando a mais de R$ 4. Morador da Asa Norte, Jacinto percorre supermercados de todo o Plano Piloto em busca das melhores opções. Ele fazia compras toda semana, mas já avisou à família que vai mudar a periodicidade. “Vou passar a ir de 15 em 15 dias, não consigo manter o ritmo. Até onde isso vai parar?”, angustia-se, lembrando do aumento da gasolina.

Novo avanço

O forte “choque de alimentos” este mês deve levar o índice oficial de inflação para o patamar de 6% no acumulado dos últimos 12 meses, na opinião do economista Vagner Alves, da Franklin Templeton. “Está longe de ser o ideal, é uma inflação muito feia”, define ele, acreditando em um avanço de 0,85% do indicador em março. No fim do ano, ele aposta em carestia de 6,3%, encostando no teto da meta. “Isso se não houver novo aumento de combustíveis nas refinarias”, pondera.
 
A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste mês, o chamado IPCA-15, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será conhecida hoje e deve trazer os impactos da estiagem prolongada nos preços dos alimentos. O quilo da batata, por exemplo, disparou 45,15% entre janeiro e março em supermercados de cidades como Brasília e Belo Horizonte, atingindo quase R$ 4. No caso da beterraba, a alta também fez o quilo do legume chegar a R$ 4.

Em detrimento da alimentação, as famílias acabaram abrindo mão de outras despesas. O empresário Bernardo Haddad, 34, diminuiu as idas a restaurantes e adiou o plano de trocar de carro. “Estava pretendendo dar um terço do valor total do veículo de entrada e financiar o restante”, conta ele, desestimulado pelos gastos com outros itens da cesta de consumo e pelos juros mais altos. A taxa básica de juros está em 10,75% ao ano. Há analistas acreditando em mais três altas consecutivas de 0,25 ponto percentual, fazendo a Selic alcançar 11,5% no início do segundo semestre.

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