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Empreendedorismo » Luxo sim, mas sem ostentação Alheio à oscilação do dólar, ao fantasma da inflação e ao "pibinho", o mercado de artigos e serviços voltados à elite continua em expansão no país. Por ano, são movimentados mais de R$ 20 bilhões - uma cifra que só tende a crescer

Thatiana Pimentel

Publicação: 21/03/2014 09:00 Atualização: 21/03/2014 14:47

Grifes estrangeiras, como Prada e Burberry, encontraram na capital pernambucana um próspero filão, com faturamento de suas lojas acima da média. A paulista Daslu também conquistou espaço no Recife. Foto: RioMar/Divulgação
Grifes estrangeiras, como Prada e Burberry, encontraram na capital pernambucana um próspero filão, com faturamento de suas lojas acima da média. A paulista Daslu também conquistou espaço no Recife. Foto: RioMar/Divulgação

Travesseiros de pena de ganso, lençóis de matelassê, colchões desenvolvidos com nanotecnologia, alimentos orgânicos, chocolates gourmet. Estes são alguns dos produtos do mercado de luxo mais consumidos (e desejados) no momento, de acordo com Paola Stéphanie Seabra Le Gargasson, especialista em marketing e comportamento de consumo na classe A. Ela, que atribui a popularidade destes produtos à preocupação crescente do brasileiro “em comer e dormir bem”, ministra neste fim de semana, no Recife, o curso Entendendo o Mercado de Luxo (saiba no Lições de Bolso como participar).

As aulas são inéditas na capital pernambucana e ocorrem neste sábado (22) e domingo (23), das 9h às 19h, no Hotel Transamérica Prestige, em Boa Viagem. A ideia é entender e desmistificar as premissas do luxo e aplicá-las a qualquer ideia empreendedora. “Todo negócio é passível de aprimoramento e, quando melhorado pelas técnicas do luxo, ganha-se vantagem competitiva”, garante.

O público vai receber informações sobre quem é o consumidor deste mercado, o que ele espera como atendimento, produtos e serviços, e quais ferramentas do marketing as maiores empresas do mundo utilizam para conquistá-lo, adianta a expert. “Em todo o país, o maior faturamento da Burberry, em 2013, foi no Recife. E a Prada, instalada no RioMar, bateu R$ 1 milhão em vendas em 20 dias de inauguração. Todos os olhos estão voltados para a capital pernambucana, uma vez que o mercado de luxo não para de crescer”, destaca Paola Le Gargasson.

O Diario conversou com ela e antecipa, na entrevista abaixo, algumas das tendências e expectativas sobre o crescimento deste mercado. Confira:


O luxo associado à qualidade de vida é a tendência do momento, segundo Paola Le Gargasson. Foto: Divulgação
O luxo associado à qualidade de vida é a tendência do momento, segundo Paola Le Gargasson. Foto: Divulgação
O consumo de artigos de luxo no Brasil está crescendo ou estagnou?
Crescendo. Em 2010, a gente (o mercado) cresceu 25%. Em 2012, foram 8%. Ainda não temos dados de 2013, mas com certeza houve um crescimento, no mínimo, de 10%. Não existe crise. O mercado passou por uma retração, como outros setores da economia brasileira. Mas, apesar dessa expansão, praticamente não temos uma marca de luxo exclusivamente nacional. O custo Brasil impede a competitividade de produtos exclusivos, porque o preço final ao consumidor de uma marca própria brasileira de luxo seria equivalente ao preço de uma marca como a Chanel, que tem história. E a culpa não é só dos altos impostos. O empresário brasileiro quer uma alta margem de lucro. Além disso, para entrar no mercado internacional, é preciso, além de qualidade e do desejo, obter reconhecimento. O que temos aqui nesse perfil é a joalheira H.Stern, que é uma das cinco maiores do mundo.

Quais as tendências do mercado de luxo nacional?
As pessoas mais ricas, que consomem luxo há mais tempo, querem agora o luxo associado à qualidade de vida. Elas estão cada vez mais preocupadas e dispostas a gastar com seu bem-estar. O sono e a alimentação entram nessa balança. Dormir melhor e consumir alimentos de qualidade significam atualmente uma realização e cuidado pessoal. As pessoas querem investir em um travesseiro com plumas de ganso, em um colchão especial, em uma comida bem produzida. Outra curiosidade é que os consumidores evitam os logotipos das marcas. As pessoas não querem mais essa propaganda. Mas elas ainda querem que um produto da Yves Saint Laurent, por exemplo, seja identificado. Isso é um novo desafio para as empresas de luxo.

E quem é este consumidor no Brasil?
As classes A e B. A classe C, de acordo com o governo federal é aquela que ganha entre R$ 291 e R$ 1.214. Esse público pode adquirir produtos de “entrada”, como um perfume, um sapato, um cosmético. Ainda assim, ele vai comprar em uma grande rede varejista, como a Renner, que já é a maior revendedora de perfumes Paco Rabanne no Brasil. Já a classe B é o elemento surpresa, porque é em grande parte composta pela classe C, que ascendeu socialmente. São nestes consumidores que as marcas estão investindo de forma a introduzi-los ao universo de luxo e se tornarem futuros advogados das marcas.

Só que devemos ter cuidado com a banalização. Três caminhos levam a isso: o preço, a forma de pagamento e a distribuição. Como o mercado de luxo trabalha com exclusividade, uma marca deste segmento não pode estar em todos os shoppings, não pode permitir parcelamentos longos e precisa conservar seus preços. Este é o grande desafio, porque é preciso ampliar as vendas sempre, conquistar novos consumidores, mas sem democratizar demais os produtos.

Para quem quer trabalhar com esse público, qual o caminho?
Primeiro esse empresário vai analisar quem é o público dele. É preciso pesquisar o perfil, o quanto essa pessoa pode e quer pagar e quais suas necessidades. Depois, ele identifica o produto. O que deve ser levado em conta é a questão social e a cultural também. O segundo passo é se preparar para lidar com esse tipo de público, que é mais exigente. O consumidor do mercado de luxo não quer ser recebido com champanhe e caviar. Ele quer ser bem atendido, quer vendedores com tempo disponível, quer conforto. Como eu devo me dirigir a esse consumidor? Como agregar valor ao meu produto? Essa estratégia pode e deve, inclusive, ser utilizada em qualquer setor. Os empreendedores de qualquer área ganham com isso. Eu posso ter uma loja e levar a roupa na casa do cliente, ou em um dia de festa fazer um provador especial. Hoje, quem se destaca é quem vai além do óbvio.

E qual a relevância deste mercado no Recife?
Dentro da região Nordeste, a capital pernambucana é que tem maior potencial de consumo. Além disso, o Recife já se destaca com produtos de luxo na rede hoteleira, no mercado automobilístico, no turismo e no mercado imobiliário. O RioMar trouxe mais investimentos, com as lojas da Burberry e da Prada. Em todo o país, o maior faturamento da Burberry, em 2013, foi no Recife. A Prada bateu R$ 1 milhão em vendas em 20 dias de inauguração. E a expectativa é que, por aqui, esse consumo cresça até mais do que no Nordeste.

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