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Pesquisa da CNI » Invasão de importados é a maior desde 1996

Correio Braziliense

Publicação: 19/03/2014 08:37 Atualização:

A participação de produtos importados no consumo do país atingiu 22,3% em 2013, o maior índice desde 1996. Com o dólar baixo e o Custo Brasil sempre em alta, se tornou mais barato importar peças, componentes e produtos acabados do que investir na fabricação nacional. Pela primeira vez em 18 anos, o valor dos insumos importados para produção foi maior do que o das vendas externas da indústria de transformação. O chamado coeficiente de exportações líquidas, que calcula essa diferença, ficou negativo em 0,1%. Os dados constam da publicação Coeficientes de Abertura Comercial, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“O coeficiente aponta que a indústria de transformação passou a gerar receitas com exportação menores do que os gastos com insumos importados”, revelou o estudo, realizado em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex). Para o gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, o levantamento mostra a perda de competitividade da indústria nacional no mercado global. “O setor está cada vez mais focado em manter sua posição no mercado doméstico”, explicou Fonseca.

Não à toa, a balança comercial da indústria está deficitária em mais de US$ 100 bilhões e coloca em risco o desempenho anual do país, que pode fechar o ano com saldo negativo. Isso ainda não ocorreu porque as exportações brasileiras de commodities, sobretudo soja e minério de ferro, compensam o desempenho desastroso dos produtos manufaturados nacionais no mercado internacional.

Este ano, contudo, as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) foram estimadas em US$ 27,56 bilhões, uma queda de 11% na comparação com o recorde da temporada passada, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A entidade ainda reduziu em US$ 200 milhões a sua estimativa das divisas geradas pelas exportações do complexo na comparação com o relatório do mês passado, por conta da expectativa de um volume menor do que se previa em fevereiro.

Commodities

“Felizmente, temos as commodities para segurar a balança comercial porque o Brasil está em processo de desindustrialização. O custo de se produzir no país está cada vez mais alto. É preferível comprar lá fora do que encarar a carga tributária, as exigências burocráticas e a falta de infraestrutura logística”, observou o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Fábio Martins Faria.

Apesar de em 2013 o real ter se desvalorizado 15% em relação ao dólar, o Custo Brasil se aumentou e as importações continuaram sendo uma alternativa mais barata, ressaltou Faria. “Este quadro deve se manter enquanto não houver uma reforma tributária e investimentos consistentes em infraestrutura. Se nada mudar, não vai valer a pena nem montar no Brasil”, destacou.

O comércio vem optando pela importação de produtos acabados há muito tempo, de acordo com o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fabio Bentes. Nunca se comprou tanto carro importado, apesar do aumento do imposto de importação. “O comércio recorreu às importações e isso ajudou a segurar a inflação”, disse.

Preço e qualidade são atrativos

A opção dos consumidores pelos produtos fabricados em outros países não é apenas pelo preço, mas também pela qualidade. O gerente supermercado Veneza, Evantuir Ramos Pereira, é otimista em relação à venda de importados. “Os produtos do exterior estão dominando o mercado. Vinhos e azeites, por exemplo, saem cada vez mais. A qualidade é alta, e os preços são competitivos em relação aos nacionais.”

Grande consumidor de vinhos, o gerente de atendimento César Kovalski, de 29 anos, costuma procurar lugares confiáveis que ofereçam descontos para adquirir os produtos importados por preços melhores. “A diferença é grande quando comparamos com o valor no exterior, aqui é bem mais caro. Mesmo assim, vale a pena porque a qualidade é maior”, afirmou.

O mercado de produtos de beleza é outro que traz grande variedade de importados. Marcinildes Nascimento dos Santos, gerente de uma rede de cosméticos, acredita que o preço é justificável: “A qualidade é superior, e os clientes querem o luxo. Planejamos continuar aumentando a gama de produtos importados porque a demanda é enorme”. Em suas lojas, Marcinildes lucra mais com a venda de cosméticos do exterior do que com a de nacionais.

A consultora de gestão empresarial Andréa Valença, de 42 anos, consome cosméticos e suplementos vindos de fora do país e crê que os importados, mesmo com maior preço, são mais atrativos. “Os produtos de beleza importados têm mais tecnologia, rendem mais e às vezes vêm em maior quantidade. Até compro alguns cremes nacionais, mas prefiro pagar a mais para ter um produto que vai durar e trazer melhores resultados.”

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