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Eleições » As apostas dos bancos

Correio Braziliense

Publicação: 18/03/2014 08:54 Atualização:

Os maiores bancos do país já entraram no clima das eleições. Em conversas informais com clientes e investidores estrangeiros, Bradesco e Santander apostam que, diante dos números de hoje das pesquisas de intenção de votos, a reeleição da presidente Dilma Rousseff se dará, com folga, no primeiro turno. Já o Itaú Unibanco e o Banco do Brasil acreditam em uma disputa mais acirrada, que levará o pleito de outubro próximo para o segundo turno. O BB, contudo, aposta que Dilma será reeleita ao fim do processo. Para o Itaú, caso o adversário da presidente seja o atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, há chances de derrota de Dilma, uma vez que ele conseguiria absorver a maior parte dos votos de Aécio Neves, do PSDB.

Nessas conversas, os bancos fazem questão de ressaltar que tais avaliações ainda serão revistas à medida que o processo eleitoral esquentar. Um dos fatores determinantes para a disputa, no entender dos executivos encarregados de traçar o quadro eleitoral, será a inflação, que voltou a acelerar e tende a incomodar, principalmente, o eleitorado de menor renda, que vota em Dilma. Joga a favor da petista o fato de o mercado de trabalho ainda se manter forte, sustentando o consumo das famílias, mesmo que em níveis inferiores aos dos últimos anos, quando a farra do crédito permitiu que muita gente satisfizesse desejos reprimidos ao custo de parar na lista de maus pagadores do Banco Central.

Oficialmente, os quatro bancos negam que estejam desenhando cenários para a eleição presidencial. Mas tanto clientes quanto executivos das instituições ouvidos pelo Correio confirmam as apostas bancadas até o momento. “Não há como fugir do assunto. Estamos a caminho de uma eleição importantíssima, pois quem tomar posse em janeiro de 2015 terá de fazer um ajuste brutal na economia”, destaca um diretor de um dos bancos privados, sob a condição de anonimato. “É preciso ressaltar ainda que o país está à beira de um racionamento de energia, que, se concretizado, será um baque para a imagem da presidente da República e um forte alento à oposição”, acrescentou.

Retrocessos

Nas mesas de operações dos bancos, a ordem é acompanhar com lupa os números da economia e fazer um cruzamento com as intenções de voto dos presidenciáveis. Mesmo forte, com chances concretas de reeleição, Dilma pode derrapar se os resultados da atividade fraquejarem, por causa da inflação alta. “A presidente da República tem a seu favor um mercado de trabalho ainda forte e programas sociais que têm beneficiado parcela importante do eleitorado. Mas não podemos esquecer que, do ponto de vista da gestão econômica, as falhas estão se evidenciando e sustentando o discurso dos principais adversários”, destacou outro executivo.

Ele lembrou que Dilma não conseguiu, até agora, imprimir uma marca forte, que possa ser explorada na campanha eleitoral. Mais: desfez-se a imagem criada por marqueteiros de que ela era uma ótima gestora, e praticamente todas as medidas anunciadas pelo governo na economia acabaram tendo de ser revertidas. As barreiras impostas à entrada de dólares no país, sob o argumento de que havia uma guerra cambial, foram derrubadas rapidamente. Os juros, que chegaram ao menor nível da história — 7,25% ao ano — estão em alta desde abril do ano passado, atingiram 10,75% e vão continuar subindo. Agora, está clara a dificuldade do governo para manter a redução na conta de luz. O aumento virá, muito provavelmente, depois das eleições. “Esses retrocessos, em algum momento, vão aparecer nas intenções de votos”, frisou.

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