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Banco Central » Arminio Fraga diz que política macroeconômica é esquizofrênica

Agência O Globo

Publicação: 12/03/2014 14:50 Atualização:

“A economia brasileira vive um momento de grande frustração e de grave perigo.” A afirmação é do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, que participa do evento '20 anos depois do Plano Real: um debate sobre o futuro do Brasil', promovido pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso nesta quarta-feira, em São Paulo. Arminio, ao lado dos colegas Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda, e Gustavo Loyola, também ex-presidente do BC, classificou a atual política macroeconômica, gerida pelo ministro Guido Mantega, de "esquizofrênica".

"Os problemas de hoje vêm desde o segundo mandato do presidente Lula quando se abandonou um modelo mais equilibrado na direção do que se chama hoje de nova matriz, com política macro mais frouxa, muito foco no consumo e pouco foco na produtividade em geral", disparou.

Para Loyola, há uma desconstrução grave das instituições monetárias nacionais, com a "ideia de obter a qualquer custo a redução dos juros, e a depreciação do câmbio...chamada pelo Mantega de nova matriz econômica". Na opinião do ex-presidente do BC, foi a partir daí que o país passou a viver um "acúmulo de erros sucessivos".

"Houve sim retrocessos e é preciso retomar o fio da meada que foi perdido lá atrás. É preciso consertar o que foi feito de errado. A partir da crise de 2008 o Brasil começou a flertar com políticas muito heterodoxas de politica econômica que não tinham nada de novidade. A rigor era a volta ao passado: o inflacionismo brasileiro", disse Loyola.

Malan, em um discurso mais político e menos econômico, embora tenha citado a necessidade de haver o controle da inflação, disse esperar que haja daqui em diante "o mínimo de boa fé e honestidade intelectual e recusa de rotulagem destituídas de significado para estimular formas estereotipadas de não pensar".

A política fiscal também foi alvo de críticas dos então líderes da política econômica brasileira, com direito até a menção a Arno Agustin, secretário do Tesouro Nacional, chamado por Loyola durante o seminário de "gastador". Para Loyola, o país precisa avançar, fazendo reformas tributária, da previdência, do estado, além de retomar a questão da autonomia formal do Banco Central.

A abertura do seminário foi feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que rememorou os tempos de desenvolvimento e implementação do Plano Real, em 1994, e traçou um paralelo com o momento atual. Ele lembrou que no início dos anos 90, o país clamava por mudanças e que "estamos em um novo momento, mas que alguma mudança mais profunda tem de ocorrer".

"O país está na dúvida se estamos capazes de dar esse passo", disse Fernando Henrique.

Gustavo Franco, outro ex-presidente do BC dos tempos do governo FHC, abriu o segundo painel do seminário, que se propõe a debater 'os desafios pendentes para uma sociedade democrática'. Aproveitando o gancho das críticas à nova matriz econômica, adotada no atual governo, Franco disse disse que o modelo é "dogmático e populista”.
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