• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Mudança de planos » Hábitos novos para driblar a carestia

Correio Braziliense

Publicação: 07/03/2014 09:14 Atualização:

Hospedar-se na casa de parentes ou amigos, usar albergues, viajar de ônibus ou de carro, evitar os quiosques localizados à beira-mar e preparar lanches para consumir na praia. Esses são alguns dos hábitos adotados por turistas para economizar em viagens de lazer. A tendência ficou evidente neste carnaval, quando muitos brasileiros mudaram a rotina para evitar gastos excessivos. Como o Correio/Diario mostrou ontem, os consumidores se surpreenderam com os preços abusivos cobrados durante os feriados por lanchonetes, restaurantes, companhias aéreas, hotéis e até mesmo vendedores ambulantes.

O economista da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC) Fabio Bentes explicou que, com o aumento da renda e o baixo nível de desemprego nos últimos anos, os brasileiros passaram a gastar mais com passagens, hospedagem e alimentos. “O aumento da demanda inflou os preços e levou ao encarecimento geral dos serviços. Agora, o brasileiro sentiu no bolso o aumento dos custos e assumiu comportamentos defensivos, como abrir mão de se alimentar em restaurantes durante as viagens”, comentou.

Dados do Índice de Preços ao consumidor Amplo 15 (IPCA-15) — prévia da inflação oficial apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — mostram que, entre março de 2013 e fevereiro de 2014, o aumento médio do custo de hospedagem chegou a 10,62%, e o de se alimentar fora de casa, a 9,96%. Os percentuais ficaram bem acima dos 5,65% acumulados pelo indicador geral no período.

Quem se beneficiou do encarecimento das diárias de hotéis foram os donos de albergues. Com preço médio entre R$ 35 e R$ 70 por uma noite de sono, esses estabelecimentos se transformaram em uma opção cada vez mais comum para quem quer uma hospedagem mais em conta. A Federação Brasileira de Albergues estima que a taxa média de ocupação das 90 unidades existentes no país tenha sido de 85% durante o carnaval. Em cidades como Salvador, Rio de Janeiro, Olinda e Recife, o índice ficou próximo de 100%.

Precauções

Antes de viajar, a publicitária Júlia Hormann costuma pesquisar qual meio de transporte sai mais em conta: carro, ônibus ou avião. Devido à disparada das passagens áreas, principalmente durante as datas festivas, essa opção tem sido cada vez mais deixada de lado. “Como não gosto de dirigir sozinha na estrada, prefiro ir de ônibus”, contou. Para poupar na hospedagem, Júlia costuma recorrer aos hostels — albergues que contam com cozinha comunitária onde os hóspedes podem preparar a própria refeição.

Júlia costuma viajar para Salvador, e, ao perceber que os preços dos hotéis na capital baiana estão nas alturas, resolveu ela mesma abrir um albergue. “No carnaval, a diária de um hotel não tão luxuoso custou R$ 300 por pessoa. No albergue, a diária não passou dos R$ 50. É uma ótima opção para quem quer poupar”, explicou. A publicitária planeja viajar à Alemanha este ano e contou como economizará na passagem aérea. “Optei por pousar em Portugal e, de lá, comprar outro bilhete, numa companhia europeia de baixo custo, com destino à Alemanha. Com esse roteiro, vou economizar uns R$ 1 mil”, observou. “A hospedagem será na casa de amigos.”

Ao perceber os preços salgados dos quiosques à beira-mar, a baiana Ana Carolina Soares e seus amigos aderiram ao “isoporzinho” e passaram a comprar bebidas no supermercado para levar à praia. “É a melhor saída para economizar”, disse. A operadora de mídia Mirielle Terra passou o ano-novo em Morro de São Paulo, na Bahia, e se assustou com o valor das bebidas alcoólicas. “Estavam cobrando entre R$11 e R$ 13”. A atendente Mell Azevedo foi recentemente ao Uruguai e percebeu que até os estrangeiros se preparam antes de ir a praia. “Eles levam tudo: guarda-sol, cadeiras e o isopor com bebidas e comidas. Todo mundo quer economizar”, ressaltou.

Planejamento

No início do ano, quando foi a Búzios, no Rio de Janeiro, a publicitária Michele Dambrosi valeu-se de amizades feitas no hotel para economizar. “Conheci um casal que me convidou para dividir um quarto com três camas. A diária era R$ 350 e repartimos o custo entre nós”, explicou.

O coordenador de mídias Jorge Bicalho prefere planejar a viagem para não ter imprevistos. “Quando fico em um hotel, evito fazer refeições no estabelecimento. Geralmente são muito caras”, afirmou. Depois que as companhias áreas passaram a cobrar pela comida servida durante o voo, ele passou a se alimentar antes de sair de casa para não sentir fome na viagem. “Não vale a pena pagar  R$ 15 por um sanduíche de pão, presunto e queijo. É o mesmo valor de uma promoção que inclui batata frita e coca-cola em qualquer lanchonete”, argumentou.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.